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Mostrando postagens de Março 10, 2017

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Ao ver e ouvir um sabiá, ponderei:
Qual outro tamanho encanto 
Faz minha boca calar-se
Acarinhando meus olhos
Cantando aos ouvidos
Tão doce e frágil
Tão inesperado
Que voa pelos quatro ventos
E pousa sem alarde
Conquistando os corações?
Além do pássaro, o amor.

André Anlub®

Ótima tarde

Ferve de fevereiro (4/2/15)

Aquele céu azul turquesa em desvario me olhou sem fim, aquele pérfido desvio que abrolhou em mim;
tal tiro de festim que acerta minhas árduas cobiças,
meus veios, meus velhos/novos embustes e premissas.
Sou andarilho com zelo de outrora malandro sagaz,
sou saga, lenda, mito ou talvez nem e nada disso.
Abdico da necessidade de expor o que fui ou sou; já expondo; paparico a dona rica do amigo, bom, antigo, verde e grená alambique. Dito-lhe ao pé do ouvido:
“verde-bílis com preto, verde-bílis com branco, verde-bílis com verde-nilo, seu primo distante.” - Li isso em algum lugar; acho que poderíamos repintar e avivar os quatro cantos. O céu agora nublado e um assanhado sanhaço cantando, como um tablado branco e você dançando seus passos. Foram descentes decentes, goela abaixo, quatro copos “quentes”: (quatro pingas, quatro santos, quatro amigos, quarenta e quatro anos); peça imaginária, som e luminária, alma incendiária e (pra rimar)... ela – metade marcante da minha f…

E assim foi-se...

Eu poesia

Não seremos prolixos
Vamos falar de poesia:
Eu, meu eu lírico e o alter ego se exporão.

Poesia no âmago é cega
Um lince
Feia e linda.
Em sua saída
Abraçada na verve
Leva contigo tato e emoção.

Poesia pode lhe trair
Atrair e extrair.
Estimular muitos
Ou nenhum.
Ser alento
Veneno
Somar
Subtrair.

Levar aos sonhos
Ser foice perversa
Vertigem
Seu métier
Ócio
Dar ordens
Ser forte
Obedecer.

Em poemas libertinos
Que quase sempre em linhas tortas
Ficariam mortos, desatinos...
Mas comovem plateias
Alcançam destinos.

No arcano que é a poesia
Fazemos uma idolatria doentia;
Poesia pode ser menina traidora
Mentirosa:
Rima, rosa, sua, nossa, 
prosa, fossa, fina, grossa, roça, urbanista
Dividida, multiplicada, maniqueísta, enfadada
Enfeitada, nua, crua e temperada...

E mesmo que na ferida exposta da fossa
Ela roce, coce, sangre, derrame e assim desagua...
Batemos palmas
Damos guarida
Damos espaço e nossas almas.


André Anlub®

É, sou impostor vivente, 
Fantasioso e sensível.
Pinto com aquarela a imagem de um deus no céu,
Escrevo no papel m…