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Mostrando postagens de Março 20, 2017

Romero e Julita

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Romero e Julita

Romero conheceu Julita em um luau na cidade de Arraial do Sana, distrito de Macaé no Rio de Janeiro. Era semana santa, a fogueira queimava forte, as salsichas assando e o calor espantava quem ficava a menos de dois metros do fogo. Romero chegou cedo, bem antes de Julita, e ao vê-la foi em sua direção com a caneca de vinho em uma mão e na outra seu revolver trinta e oito refrigerado. A princípio todos ficam em silencio e um ar de interrogação invade a noite. Romero, ainda em pé, olha para todos e todos lhe olham; ele agacha e diz: 
– Querem ver um verdadeiro idiota estragar a fogueira e a noite?
Então ele abre o tambor de seu revolver, tira uma bala, dá um sorriso maroto e a joga na fogueira. Chega a levantar umas pequenas brasas e a fazer um ruído rápido; mas não tão rápido como o levantar das pessoas de suas cadeiras, agoniados com o acontecido. 
– Meu deus, quem é você? Parece que comeu estrume! – Com os punhos cerrados, protestou em tom forte Julita. Havia ficado bastan…

Lendas verdadeiras

Lendas verdadeiras

Indo esperto, sendo longe, médio ou perto;
Frio tipo espeto, noite longa de outono.
O cheiro é evidente, o barulho estrondoso,
Faca nos dentes e o corpo solto e impetuoso.

Quem foi e voltou feliz, não se esquece...
O melhor dos melhores é somente reflexo;
Quem é saudoso às vezes se aborrece,
Pois imerge fundo no indiscreto sem nexo.

De certo modo torto anda-se reto (sempre esperto)
Com a mente dormindo, e o ideológico ereto.
A vida é louca varrida, empurrando com a barriga,
Os pés num céu encoberto de uma tempestade vadia.

Tudo firme e fato; tudo filme e teatro;
Nada falso e forca; nada Fausto e diabo;
Nas lendárias escrituras – imaginárias rebeldias,
Perde-se o talento de Goethe, se ganha de jeito à poesia. 

André Anlub
(20/3/17)

Dos Outonos

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Relembrando uns antigos:

Dos Outonos

Já é outono...
Já é beleza.

Natureza com realeza e seus adereços
O endereço com a maior certeza...
É não esquentar cabeça com nenhum transtorno.

Há uma cidade com um parque no centro...
Não é o Central Park!

O amarelo e o carmim abrem o caminho
E mesmo sozinho nunca me perco.

Há uma casa com uma árvore muito cheia
No outono ela emagrece, fica mais bela
Pela janela, estupefatos, todos emudecem...

Contemplando perguntam aos quatro ventos...
“Merecemos viver essa formosura?”

Já é outono...
Já é loucura.

André Anlub®

Mesmo que anjos tenham umbigo

Esvazie-me – preencha-me
conheça o verso e o avesso,
rima após rima,
sabe que'u deixo!
E depois,
ao acordar sozinha,
vá viver se estou na esquina.

Mesmo que anjos tenham umbigo (2013)

Mudei de século,
Moldei o crédulo,
e passei a sonhar com as Valquírias.
Vi um mundo sem máscaras,
sem muita diplomacia.

Eis as tardes que caem
afogadas em grandes bacias.
Eis as mães com suas filhas
fazendo de alvo o profícuo.

Delineei o passado
no caso mais que perdido.
Etiquetei os bandidos
ao som de música clássica.

Para um espanto em vão,
bandeiras viram fogueiras,
e as duras madeiras de lei
amarrotam o nosso irmão.

As fidúcias rasteiras,
já velhas, trapos manchados,
silenciam os zangados,
servindo de panos de chão.

No auge da contradição
os ouvidos não ficam entupidos,
ecoam os belos grunhidos,
do cão são da imaginação.

Eis o século moderno
de horizontes pintados,
em pergaminhos eternos,
e jovens audaciosos e belos:
- nos banquetes,
nos sovacos,
as baguetes.

Haverá um menino
e tornar-se-á bem sabido,
verá tudo se repetindo:
- sem dono o …