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Mostrando postagens de Março 22, 2017

BOa nOite

Hipnotiza-me sem a mínima hesitação
E com a carcaça não tem perdão
Me molda e muda
Me desvenda e desnuda
Aperta tanto meu coração
Que em seu transmuta.

Dos antolhos

Quero um apropriado escudo Celta
Pois há lanças voando sem rumo
Almejando ébrias mentes sem prumo
Mas por acidente a mesma me acerta.

Quero o melhor dos virgens azeites
Pois nas saladas só tem abobrinhas
Na disparidade de várias cozinhas
Todos adotam a mesma receita.

Quero ver e ler o que outros registram
Sem antolhos nem cínica mordaça
Sem caroço impelido na garganta
Faz o engasgo que mata na empáfia.

Mas não só quero como também ofereço
Meus singelos poemas com terno adereço
E com pachorra e olhos modestos
Vê-se admirável o que era obsoleto.

André Anlub

Flechadas e frio

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Flechadas e frio
Foi empregado o legado de um suculento argumento roliço. Que seguia uma torta linha tênue, porém eficaz. Trouxe um conflito mutante, embora antes travestido de paz; Havia formado o paradigma doce – posto que agora migrasse ao mortiço.
Chove fraco lá fora; enquanto dentro é tempestade e naufrágio; Queimam árvores pela cercania; enquanto dentro jaz o incendiário.
Foram cantadas doces, dançantes e melosas melodias Que balançavam as pessoas e espalhavam as cinzas. Nomes escritos em pedras; nos rostos pinturas de guerra; Bocas rubras dentadas – orgias que giram a esfera.
Sol quente na cachola de uma gente; somente aos que estão fenecidos; Encharcam e transbordam os rios – em sonho, em rebanho e em delírio.
Reminiscências e larvas das palavras que nunca foram ditas; Atuações sem ações, sacrifícios que se inundam e escorrem nos orifícios. Tudo foi lenda, arrepio – presunção de um viver e sua glória, Agora é frente de desapontamento – e costas, flechadas e muito frio.
André Anlub (22/3/17)

Ode a ela

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De toda a imensidão do planeta só quero estar nesse mar belo de Iemanjá, Iracema, Otelo. Mar de perfeitos sonhos folclores, tesouros e viços dos nautas, vikings, corsários navegadores fenícios. Mar de amores lendários imaginários, antigos concretos, ambíguos de interminável poesia que em toda alma habita.
Será que sou ave em seu sonho? (Ode a ela) – Até coloquem palavras em minha boca... mas que nasçam poesias.
Tempo malvado, malvisto e infausto. Muitas águas tumultuosas – marés nervosas – ventos de inverno e inferno astral: sei de pessoas idosas com extrema dificuldade em andar/nadar. Vejo algoritmos de vaivéns escritos sem nitidez em pergaminhos; peço ajuda a estranhos e fico aborrecido por desconstruírem meu ninho. Desenterrei meu tesouro e veio-me você – assim – num estouro –, deixando o que pode no poço e empossando-se agradavelmente do espaço. Hoje sou o mesmo Eu, mas mais suave; sou velho, menino e sou ave. Voei – vou e fui bem longe: larguei a máscara de mau moço, pois é mau demais para onde vo…