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Mostrando postagens de Março 29, 2017

Isadora de madeira

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Isadora de madeira (André Anlub - 28/5/12)
Desabrochando a vida na beleza do lírio No quintal, ao pé do pé de tâmara. Começa o dia com o vento ligeiro, Brisa fria que lhe acaricia a face.
No enlace do tempo há inúmeras lembranças Nos seus olhos que refletem as altas montanhas. O coração ainda segue quente de amor, Mãos calejadas e talentosas, Esculpem, Em madeira nobre, O rosto de Isadora.
Amor perdido na foice do vento que passou: Foi há tempos, Foi doença. Na madeira e nos sonhos ele a tem de volta... São noites longas, Noites quentes e belas; Vozes e camas, Portas e janelas, Sussurros e gemidos... Tudo esfria no frio que lhe acorda.
Jamais sorriu tão grandemente, Esconde seus jovens brancos dentes, Bem próximo aos amarelados caninos. Na saudade de extintas vertentes, De doces carinhos e fragores, No mesmo medo e calafrio Da próxima noite não haver sonho.

Insone e insano

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Insone e insano no seno e cosseno do ser
(André Anlub - 15/6/13)

Eu vejo, vejo!
Nas paredes do corredor que leva à cozinha,
Algumas sombras que balançam,
Com as leves e tontas brisas,
Expondo seus desenhos simplórios,
Notórias alucinações, visões dela...

Vou abocanhar meu pão de centeio,
Com queijo coalho e margarina,
E uma fatia generosa de mortadela.

Por enquanto, só por enquanto,
Primeira noite de inverno,
Sem arrepio, sem espanto,
(Por enquanto)
Encontra-se calma e silenciosa.

Quebrou-se o silêncio,
No barulho do meu copo de vodca.
O gelo frenético batendo,
No fino e fanho vidro,
Ao ser mexido pelo dedo.

Olhos mirando o bloquinho,
Sou zanho, sou zen, sozinho.
O álcool companheiro agora me deixa,
Foi estacionar no cérebro,
Criou raiz e espera ser regado.

Convite à escrita,
Sorriso no canto do lábio,
Nos dedos da mão direita,
Uma imaginária tatuagem escrita;

O que há, não diz!
Mas uma letra se esconde por debaixo do anel.
A verdade deve ser sempre colocada à prova,
As horas são escassas
E procura-se o término de um …