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Mostrando postagens de Abril 18, 2017

Poema Invictus

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Invictus
de William E. Henley "Do fundo desta noite que persiste A me envolver em breu - eterno e espesso, A qualquer Deus - se algum acaso existe, Por mi'alma insubjugável agradeço. Nas garras do destino e seus estragos, Sob os golpes que o acaso atira e acerta, Nunca me lamentei - e ainda trago Minha cabeça - embora em sangue - ereta. Além deste oceano de lamúria, Somente o Horror das trevas se divisa; Porém o tempo, a consumir-se em fúria, Não me amedronta, nem me martiriza. Por ser estreita a senda - eu não declino, Nem por pesada a mão que o mundo espalma; Eu sou dono e senhor de meu destino; Eu sou o capitão de minha alma."




Todo amor

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Quando fui moleque Andava com minha magrela No cemitério São João Batista Entre as tumbas e vielas.
Nunca tive medo de morto Mas tenho de vivos desgraçados: Os com pensamento torto
E políticos com discursos aprontados.
Todo amor (1/3/15)
É redundante, mas esse atroz falante vai se alongar: Já não bastavam os anos vividos?  - não! Quero mais do nosso Rio – me beije e me abrace, Beije-nos e nos abrace; Aproveito o gancho e abuso da deixa,  E do remelexo não me queixo: Quero mais do Brasil, já é de praxe, Quero um dez, um cem  – quero um mil e nada mais, nada mau. E num pisco eu pesco o Carioquês E canto o karaokê – já vai dar peixe: “Rio 40 graus”. Ver de verde e o azul de mar  E o amar de amarelo e o branco da paz: E o que apraz?  – nas praças ver crianças sorrindo; E o que é estrela?  – o sol raia na beleza de uma praia (Arpoador); E o que se almeja?  – ver comida nas mesas – e à beça, e abusa. Cristo – nosso senhor – redentor. É redundante, mas não cansa: Quero a paz indo à praia de biquíni fio dental; Assim eu rio…

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges: Outro Poema dos Dons
(Tradução: Rolando Roque da Silva)

Graças quero dar ao divino labirinto
dos efeitos e das causas
pela diversidade das criaturas
que formam este singular universo,
pela razão, que não cessará de sonhar com um plano do labirinto,
pelo rosto de Helena e a perseverança de Ulisses,
pelo amor que nos deixa ver os outros como os vê a divindade,
pelo firme diamante e a água solta,
pela álgebra, palácio de precisos cristais,
pelas místicas moedas de Angel Silésio,
por Schopenhauer, que decifrou talvez o universo,
pelo fulgor do fogo
que nenhum ser humano pode olhar sem um assombro antigo,
pelo acaju, o cedro e o sândalo,
pelo pão e o sal,
pelo mistério da rosa, que prodiga cor e que não a vê,
por certas vésperas e dias de 1955,
pelos duros tropeiros que, na planície, arreiam os animais e a alba,
pela manhã em Montevideu,
pela arte da amizade,
pelo último dia de Sócrates,
pelas palavras que foram ditas num crepúsculo de uma cruz a outra cruz,
por aquele sonho do Islã que abarcou…

Despedida XIII

A vida pode ser farpa entre unha e carne, um bambu que não quebra com o vento que varre, ou estrelas que brigam com o raiar de um dia.

Despedida XIII - (12/1/15)
(cozinheiro de banquetes)

Quando busca a inovação encontra o aconchego,
Não tem medo, e o mergulho é de cabeça.
Na sinceridade da devoção pelas letras, na fé na escrita,
Na aflição esquecida, morta, afogada na tinta,
Mergulha... e de cabeça.

Solve a arte, respira até pirar, come a arte,
Sente, brinca, briga e se esbalda.
Balde de água fria, quando ele quer que seja;
Balde de água quente, quando ele quer que ferva.

Na construção das linhas, ele sonha...
É um gigante em solo de gigantes (é um ser igual).
Nada é pequeno ou menos, mas ele é gigantesco;
Nada é estranho no pensamento sereno. (a mente é sã)

Criou algo mais do que o passo à frente,
Excedeu-se, ousou – usou e abusou.
Chegou a ser inconsequente...
Até achou que passou rente do perfeito (foi bem feito),
Pois assim tentará mais e mais, e irá tentar sempre.

E aquele gigante, aquele ser igual?