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Mostrando postagens de Agosto 13, 2017

Tempo de ser coruja

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- Mario Quintana

Tempo de ser coruja (2012)

E é mais ou menos assim:
Todo ser noturno tem dons...
E uma espécie de bússola na mente
É inerente também a delicadeza do silêncio
Junto com a irreverência da escuridão.

Com olhos bem abertos, bem espertos
Vê tal mundo azul marinho, azulado, sombrio
Engana-se quem pensa que vive sozinho
Há uma multidão no breu que o cerca.

A solidão é como um ser noturno
Muitas vezes fere de surpresa
Provém do escuro – não há defesa
Mas tenta-se sempre se proteger e evitar.

Falsidade e traição são como vaga-lumes
Ficam no escuro e na luz ao mesmo tempo
O despojo não fica bem visível, bem funesto...
Está-se coruja – finalmente há defesa:

Belos olhos abissais.

O desafinar da poesia

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O desafinar da poesia
Malucos são os que tempo perdem Nas ingênuas redundâncias da vida. Loucos nas frias vielas imaginárias, Procurando a boemia das letras mal resolvidas.
Para uns a criatividade à toa usada, Que se foi como palavra torta, Reaparece (eca), eco já escrito, Falsa novidade numa maquiagem mórbida.
Mas não nos cabe nem o justo julgamento, Pois jumentos tem sua breve serventia... Na ladeira desce o ego, valentia.
Contudo, naquele por do sol ao longe, Vê-se a luz no fim do dia Refletido na gota do pranto etílico, Que cai por baixo de uma máscara sombria.
Quiçá um Ícaro, pícaro, ósculo ou ácaro atual Em um ébrio e febril exculpar. Mas no final somente se via/ouvia/sentia (eca),  O desafinar fanho da poesia.
André Anlub® (01/04/13)


Lucíola Alencar

Joga sementes por onde passa, por onde pisa; roga por mais leitura, mais astúcia e poesia. Agora, mais velho, se aposentou da correria; mas a mente ainda atua, a pena apura e a escrita é viva.

Há lençóis em que se repousa, 
Que se sonha, que se voa, 
Que se doa e se pousa...
Nos lençóis em que você esteja comigo
Estarei aquecido, envaidecido

Em plenos amor e abrigo.

Lucíola Alencar (6/10/14)

Em tempos idos:
Lucíola teve passado penoso,
De dia a dia rigoroso, aqui e acolá em diversos puteiros.
Sua mãe analfabeta e agricultora e seu pai pedreiro;
Faltava dinheiro, comida, estudo, faltava quase tudo...
Até que, de repente, o “tudo” veio:

Em tempos meios:
A gravidez de trigêmeos caiu como tempestade,
Aquela louca vontade de ser mãe 
– aquela sóbria visão de que precisava ser algo mais;
Largou a labuta de prostituta e entregou-se aos livros...
Venceu empecilhos, derrubou preconceitos.

Em tempos de hoje:
Mulher guerreira, mãe solteira, “ex-meretriz”,
Sessenta anos e três filhos criados:
Uma médica, um famoso escr…

Enxugando os Prantos

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Enxugando os Prantos (parte II - (18/9/14))

Os homens levaram a melhor, restauraram sem piedade os próprios corações...
As nuvens, no gritante azul piscina do céu, ficaram devidamente alinhadas.

Aqui, ali, todos esqueceram que previram a tempestade que jamais se formou;
Vestes novas, bebidas aos litros e litros, frutas raras e frescas abocanhadas...
E nas madrugadas uma surreal lua fluorescente.

Como plano de fundo: 
Casais e seus calorosos corpos colados, sorrisos aos montes e seus extensos beijos;

No plano mais à frente:
Crianças corriam felizes, brincavam com brinquedos de madeira e não se fantasiavam de adultos... e não aconteceu o absurdo das águas se tornarem doces e estragarem os dentes.

Aqui, ali, a mais completada ordem;
Muros e rostos pintados com coloridos belos, sem o grafite nervoso da política e o esboço de um papel impiedoso.

Em breve os cárceres seriam demolidos, pois jamais tiveram serventia...
Museus de coisas que não existiram... expostos à revelia.
A luta por tudo e a luta por n…