Das Loucuras (confiscando o ouro emprestado)


Das Loucuras (confiscando o ouro emprestado)

Belo domingo
Pinta a selva e voa
Feliz pintassilgo.

Depois do haicai: 
Por trás de toda justificativa há uma comodidade; 
Por trás de toda comodidade há inúmeras justificativas. 
Mundo muito, mundo louco que empresta “um troco”; tudo imunda, girando e apostando corrida consigo mesmo; quando tudo entra em sincronia de oscilação, a coisa fica forte e a força fica feia: Terrível ver uma aranha esquecer-se de tecer sua teia. Ancore o mundo no espaço; ele quer – e pode – desafiar sua estática, deixar um buraco e um abraço e tramar fugir à próxima galáxia. Tudo num tempo inventado automaticamente, como o espelho, o nariz vermelho e o palhaço. Solte o mundo feito balão; ele voa – e não à toa –, tem direção certeira, deixa um rastro cadente com textura de brim... É frenesi e êxtase com toques de cheiro de cerejeira. Nada comparado com aquela borboleta azul que voa em ziguezague e coloca na sua vida um “sim”. Há uma luz viajante que invade e se faz percebida, sorri, diz “sorry”, alegra e avisa: a rebeldia, noite ou dia, não terá vez! Haja silêncio; haja brandura; haja reverência, reverendo rezando missa ao referido refém. De sobressalto tira o sorriso e enruga a tez. Braços em arco-íris que intriga: a felicidade, seja criança ou de idade, é encargo. Mais um haicai:

Copo-de-leite
Mistura néctar e Nescau
Corpo deleite. 

André Anlub

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