12 de julho de 2016

– Tarde de 26 de abril de 2015

– Tarde de 26 de abril de 2015 
(com esse bagulho que é o barulho)

O silêncio pega pelo pé; por isso sempre estou em companhia da música; tomei gosto por expor o que ouço ao escrever... É um toque, é um tique, é uma marca. Agora escuto “Poles Apart” do Pink Floyd, e com ela rabisco algumas ideias. O barulho, no ar, solto, solta minha alma. Mas tem que ser um bom barulho – o meu barulho –, e não precisa ser alto. Se não houver música volto-me ao barulho dos pássaros ou das ondas ou dos latidos ou dos gemidos ou da leitura que imerge no silêncio de todos os sons. Sou flexível aos sons naturais e sou extremamente austero aos sons do homem; chego a ser o chato que beira o caricato; chego a ser um pouco incoerente, pois sou o moderno de fones no ouvido que saem de um aparelho minúsculo com mais de duas mil músicas de outro século. Mentira! Há sons novos no repertório... Bem poucos, mas há. – Saindo do assunto: esse bagulho que faz um “barulho” bizarro que voa sem direção e aterrissa sem hora marcada; que toca no coração e na alma e (muitos dizem) na inspiração; que acende e queima em um cigarro ou em um cachimbo, sem ou com ritmo... E faz estrago, ou não – dá barato, ou não –, custa caro, ou não – pode custar vidas e causar mortes, ou não –, mas sempre cria muita polêmica e discussão.  Mas é outro assunto, para outro dia, outra estação. – Voltando ao assunto: peguei carona na leitura alheia que bateu na veia e tirou à teia e atiçou a aranha a fazer outra, futuramente. 
Os versos me saem famintos e querem mergulhar no branco da folha ou na tela alva do computador, quiçá na orelha da amada, arrepiando a nuca e os braços, ou simplesmente ser falada ao vazio do ar. Esqueço que os meus versos querem navegar (mas metaforicamente) – pelo menos os meus; todos os meus escritos, versos e até desenhos voam (mas metaforicamente²), pois na verdade saem em um veleiro, em um barco atraente (mas metaforicamente³); às vezes pega um mar de calmaria marmórea, sem brisa, sem onda, só aves que soltam sons baixíssimos e passam famintos dando mergulhos certeiros. Saem com aquele peixinho no bico e o sorriso implícito. Mas outras vezes é um mar agitado, assombroso, terrível, com uma bela ilha ao fundo e um sol acanhado que aguardam a chegada das letras. 
Ando lendo muito (além do corriqueiro) e nesse período estou devorando: “Confesso que vivi”, também o livro de uma amiga e Ana Hatherly... Fora as leituras digitais e de notícias. Acho que engessei um pouco a mão (apesar de estar há meses mergulhado em duetos com um grande poeta e amigo) e “desengessei” meu tempo comigo: estou orando mais (do meu jeito insano) e tentando aumentar minha constância na meditação; há tempos mudei de maneira drástica minha alimentação, focando o natural e comendo peixe e frutos do mar seis dias da semana; tem um ano e meio que venho correndo todos os dias (para ter direito a um dia de folga), sem escolher dias ou criar normas e horários, apenas o próprio tempo da corrida. O silêncio agora será quebrado pelo fim de tarde que chega e meu mergulho na piscina, uma cerveja sem álcool e um bom filme. Vamos atualizar os minutos, vamos fazer diminuta essa noite que chega rasgando – despedaçando meu tempo que foi devidamente aproveitado nesse domingo acabado, nesse sol que se foi... Amanhã já é nova semana e nova incidência da inspiração. 

Concubino erudito (revanche)

Concubino erudito (revanche)
(André Anlub - 5/8/13)

Chegou manso,
Com aquele papo de ouro:
- conquista, envolve e absorve.

Se não deu, dá um tempo e tenta de novo,
Naquele clima fresco:
- aquele vinho bom, lareira acesa,
Sentimento em “blow”.

Se já há resposta, atividade!
Com responsabilidade faça de jeito
E de bom-tom.

Vejo o futuro:
- a mulher grávida caminhando na praia,
Saia rodada e imensa vontade
De estar numa festa cálida.
(pagã)

Para quebrar a leitura
Aumento essa poesia fútil,
Dispensável, absurda,
Cega, surda e muda,
Com esse parágrafo inútil.

Volto ao conquistador barato,
Réu com popular palavreado...
Engomado, com a boca que dança
Ao som da goma de mascar.

O ser mascarado,
De louco disfarçado,
Fazendo crueldade.

Escreve livros invisíveis:
- irrisórios (de matar)
- sem fim (há de acabar)
E até mesmo sem finalidade.

Por fim surgem infinitos demônios
Sem nomes nem rostos,
Sem breves e longos amores,
Surgem para lhe buscar.

Agora vemos as dores
Que somem, longe,
E deixam os motores
Que impulsionam o viver.

É só mais um dia
(vida e coração)
Visão apaixonada,
Do fluxo, sangria,
E adoração.

Não há mais a dizer,
Só abra os olhos
E permaneça amando.

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Escritor, autor de seis livros em papel: Poeteideser de 2009 (edição do autor), em 2010 o e-book Imaginação Poética, em 2014 a trilogia...