Voo entre terra e céu, sonho q crio na escrita Lua q derrama no papel, Sol q desbanca na tinta

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25 de agosto de 2016

Árvore de Josué


Com três palitos de dente se joga um xadrez psicológico,
de deixar Freud confuso e Confúcio fã de Pink Floyd.

Árvore de Josué (2012)

Isolado no deserto, na sombra da grande árvore de Josué
Escrevo alguns singelos rabiscos líricos
Com o pensamento em nossa casa, lá, distante
Em nossos cães correndo, deselegantes...
Vindo de encontro a você.

Por um instante a alma estacionada aqui se eleva
- Não há treva nem angústia
Sinto meu corpo acompanhando
Por dentro de memórias e histórias sublimes.

Sentindo o belo em todos e em tudo
Caminhando na chuva por cima de um arco-íris sem cor
Surdo para qualquer som absurdo
Um banho de chuva e de glória.

Estou no alto e vejo-me pequenino sentado
Estendo as mãos e solto um dilúvio de letras 
Estas se unem formando versos
Eles se casam como uma bola de neve
Banham meu corpo deixando-me ainda mais extasiado.

São dois de mim que se completam
Ilustrei para expor como me sinto
Um porre de absinto de inspiração
Banho de chuva, seiva suave, - que salva a todos - no tudo, no corpo, no verão.

André Anlub®

24 de agosto de 2016

Nos varais


Nos varais

Nos varais o ardente dos verões,
Carros passam no asfalto emanando calor.
Pobres pés descalços vão estender roupas,
Loucos com seus vieses, variações e viagens.

Varais com varas de bambu - apoiam-se...
Chegam a confundir os olhos ligeiros,
Quem estaria apoiando quem?

Varais das Valérias e Veras,
De coloridos poéticos,
Eternidades efêmeras,
Momentâneos de eras.

Nos varais frígidos dos invernos,
Casacos acenam com o vento,
Na corda bamba do tempo,
Nos confins dessa esfera.

Pendura e perdura

Verás os varais pelo planeta afora
Alguns dependuram difusas histórias
Toalhas sujas, lençóis manchados
Burcas, fardas, camisolas...

Verás secarem farrapos
Roupas de seda e algodão egípcio
Algumas despontam sacrifícios
Pintam os adornos nubentes.

Verás os varais internos
Que penduram o ódio retido
Enxuto, infecundo, rachado
Como as rugas do envelhecimento.

Também verás os que penduram amores...
De diversos calibres e cores
Sem importância do enxuto ou ensopado
Vale o corpo que aqueceu algum dia.

23 de agosto de 2016

Ventania...


Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos (compilação) 

Deu um gole no chá verde gelado e ao descansar a xícara, sorriu; viu-se num lago novamente o guri que um dia brincou com seus sonhos alados. Congelando o momento foi trajando o futuro, luz no fim do túnel do incerto predestinado; no amanhã um apogeu deveras absurdo, é a essência madura que utopicamente nasceu. Viu-se feliz com o viver protegido, viu-se ungido com o suor de mil anjos. Na boca pequena um grandioso sorriso e os ouvidos docemente arranhando violinos de Vivaldi em arranjos; faz-se adulto, pecante e andarilho, com rugas no rosto e prantos arquivados. É trem de carga que não carece de trilhos; abandonou seu abrigo, sem culpas e mágoas. Chegou o tempo das convicções positivas, de amores desatados por mãos limpas e lavadas com o suor da procura. Eis mais um desafio no meio do povo “de andar idêntico”: barba bem-feita, sapato novo e alma nada desnuda. Eis o semblante guerreiro, os filhos na escola, hora da labuta, comida na mesa e nove talheres para duas mãos. Chegou o tempo de desprender-se do básico, e não se sentir um traste por nada ter de praxe. Fugindo da história: foi convicto à feira no domingo e comprou peixe. Subiu caixote e disse a todos os ouvintes: é bendito e bem-vindo o tal de Benvindo Nogueira; deputado do povo, eleito por ser um homem oprimido. Voltando à história: no arraste das horas a barba crescendo e o sapato mais velho; vê-se esotérico ao som erudito de um novo critério; agora homem simples, Sicrano Barbosa no orbe baldio. A vida estava por um fio, mas as nuvens se foram e tempestades sumiram (o chão é o limite). O tempo chegou, o clarão é vivo, das asas no apoio e o voo continuo (o céu é o limite). Há estradas fáceis que levam ao pecado, mas há também caminhos íngremes que estendem o tapete vermelho para o nada. Ao final da tarde as flores enfim se mostram submissas, num colorido real e pétalas, olhos famintos de belo. Ela, dama, atravessa jardins, os passos tímidos e sutis, abrindo os lábios e brotando as próprias cobiças. Um artista do amor sorri, aponta os dedos magros, outrora gordos e inebriados de nanquim. A fumaça do tabaco profana a luz, atravessa a janela trazendo a beleza que há aos olhos abertos, no limpar das remelas, no sonhar, realizar e fazer jus. Beltrano dos Santos é uma figura, já foi profeta, mas não se mostrou. Só ele sabia; nas alquimias que os anos trouxeram, a derradeira ainda estaria porvir; mas ele não tem pressa, o amor não tem pressa e o que só interessa é o acreditar sem fim.

André Anlub

22 de agosto de 2016

Dama de fé


Dama de fé

É dama de fé famélica,
vive o amor como um Deus.
Suas ações são suas vozes,
são seus céus, versos e véus.

É dama que simplesmente faz,
jamais quis fazer parecer.
Silencia e desmascara os atrozes
que respondem com vis falações.

Pros falsos profetas macabros,
sorrimos com nossa benevolência,
pois são desumanos de mero vocábulo
que voa sem asa, nem rumo,
e pousa fazendo injúria nos castos...
No deserto das aparências.

Ótima semana!

Chegaram meus livro da 100a Antologia Beco dos Poetas. Feliz aqui com minha participação!

Pinte-se Perca-se Poda-se


Brisa que abre o portão
Vem do vai e vem das ondas
Ultrapassando o varal
Acalentando as roupas.

Moveu o barco pesqueiro
Mudou de lugar uma duna
Fez levitar uma pluma
Dispersou o nevoeiro.

Brisa gélida de inverno
Alegrou o dente de leão
Soprou ao rosto
Encheu o pulmão...

E nas manhãs corriqueiras
Sem eira nem beira a quem queira...
Espalha o aroma do pão.

André Anlub®

19 de agosto de 2016

Cárcere da Criação (Março - 2009)


Cadê a barba desse 'puto'? 

Cárcere da Criação (Março - 2009)

Na imaginação madura que explode em uma linha
Que mesmo velha renasce todos os dias
Na solidão insegura... que mesmo a perigo se fortalece com ela
Os “zás” das canetas quentes são os “ás” nas mangas frias.

O poeta perpetuado nas ideias e criações
Faz de impurezas e mazelas em seu nobre ganha pão.
Na mais absoluta certeza do amor que sente na escrita
Faz dos sons recitados, iluminadas orações

Absorve do mundo, do dia a dia, histórias e magias
Juntando a verdade com o medo da mentira premeditada.

Se sente o moribundo mais vivo, espelho do íntimo de todos
Voando em um mundo próprio, se perde e se cobra no nada.

Mundo surreal de ouros e de sobras
Fita um objetivo, agradar sem ser o óbvio
Por muitas vezes consegue, e vai além, se desdobra.

Sendo valorizado, alimenta seu ego persistente
Ovacionado, por vezes preso a criação
Se sente em cárcere, viciado e doente
Mas no final é o medo, apego, inspiração.

Cárcere da criação II


Às vezes queremos tanto pertencer a tal coisa, estar dentro de um certo universo, que não percebemos que a porta abre para fora, e teimamos em empurrá-la... quando bastava apenas recuar um pouco, para a porta se abrir facilmente.

Cárcere da criação II
(André Anlub®)

Confinado na escrita
Vejo-lhe no espelho
Vestida, Shanti.
Azul turquesa, de beleza pura
A Isis e a lua agora todas nuas.

Sou o escriba no porão de um mundo
Sou ar puro no pulmão de uma vida.

Monta o rolo, rola a fita
Cinema mudo tinha muito que falar.
Histórias, memórias
Romances e enlaces.
Guerras, embates
Comédias e glórias.

Nos teatros antigos
Nas trincheiras e abrigos
Bebedouros de todos os bêbados;
Copos cheios,
Corpos vazios.
Loucos soldados
Querendo espaço e apreço.

Confinado na escrita
As horas voam
Folhas se enchem
Ansiedade e alienação.

Com sorte
Consorte
Sem premunição
Sempre.

18 de agosto de 2016

Da Arte


Foto: 1989

Caminhamos como novos poetas
Largando a soberba, o estorvo
No fluxo de um novo povo
Nosso suor que não amarga.
O alvo é claramente certo
De peito escancaradamente aberto
O coração de um bardo
Onde o esquecimento é adaga
Não pira não para não nada.

André Anlub®

Da arte

Primeiro marquei meu horizonte
Em um traço negro em declínio
Deixo a inspiração fazer domínio
Depois me embriago na fonte.

Pintores são fantoches e fetiches
Sobem em nuvens, caem em piches
Respiram a mercê de sua cria
Bucólicos profetas à revelia.

Tudo podem e nada é temível
Nem mesmo perderem o dom
Sabem o quão infinito é o tom.

Seus corações de loucos palpitam
E no cerne que eles habitam
Saem às cores do anseio invisível.

16 de agosto de 2016

Nem todo gato mia pro sol nascente


Não trate a vida como uma hecatombe,
Nessa manhã fria,
Cinza, sozinha.
Quero no ínterim que se sinta minha.
Quero que exponha esse amor
Que de certo esconde.

Nem todo gato mia pro sol nascente

Por amor tudo faço
Nada laço
Nada penso 
E tudo posso.

Logo estarei com ela
Em novo sonho, nova ideia.
Em distantes planetas, inúmeros cometas
Mil sentimentos, dez mil momentos
Outras facetas.

Amo os excessos
Nossos sucessos e esquemas.
Desvendando os teoremas
Esquecendo retrocessos 
E anátemas.

Em paz
Abro um gigantesco sorriso
E, nada indeciso, festejo.
Meu desejo não é conciso 
E no benfazejo 
Busco o breve beijo.

Os filhos que não vieram
Mas mantiveram 
Os trens nos trilhos.

Pois é outro dia
E nem todo gato mia
Pro sol nascente.

O embuste está quente
Secando a lama
No rol da fama
Da hipócrita gente.

André Anlub®
(14/5/13)

15 de agosto de 2016

Informe


Lançamento da 100ª Antologia Beco dos Poetas dia 28/08/16, às 10 da manhã no CEU Caminho do Mar ( Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5241 - Vila do Encontro, São Paulo - SP, 04325-001), na festa de aniversário de 6 anos do nosso sarau ( Sarau Matinal Beco dos Poetas).

14 de agosto de 2016

Caixa preta

video

Caixa preta

Saboreio cada gesto como se fosse o último,
tento adivinhar o manifesto do seu pensamento
como se fosse o primeiro, como se fosse justo.
Nada é em vão.

A sua corrente quente me ajuda a nadar,
fico mais confortável e feliz.
Aquela força resistente me diz:
Atravesse o oceano e me beija.

Pelejas amigas, cantigas antigas,
caem bem, são bem recebidas.
Paixões passadas, cicatrizes fechadas,
caem bem, na caixa preta trancada.

Pela manhã molho o rosto e constato minha sorte,
perdi há tempos a necessidade de encenar.
A barba branca, o cabelo ralo
e da vivência o aguçado faro
- o voo mais acertado.

Limpo a poeira da caixa,
às vezes passo um verniz,
mas não abro.

O nosso presente já é tudo que me chega,
me cega e me cerca, fazendo coerente o amor.
Já não acolho vozes externas, demagogias,
orgias de picuinhas, não mais.

Enfim você chegou,
está ardendo àquela prometida fogueira,
com panos - papéis inúteis,
quilos de baboseiras...
E a velha caixa queimou.

André Anlub®
(9/9/13)

Ótima tarde de Domingo

"Perdemos, na madrugada deste sábado (13), uma referência nas artes plásticas e um amigo muito querido: Giuseppe Baccaro. Homem de grande talento e fortes convicções a respeito da importância da arte para a formação do povo e da necessidade de popularização do acesso a tudo de bom e bonito que tem sido produzido no mundo. Um dia triste, certamente. Muito embora saibamos que sua arte e seu trabalho não são finitos — ao contrário, se perpetuarão pela qualidade e importância no contexto das artes no Brasil — sentiremos falta das conversas, da troca de ideias, do acolhimento e da parceria na luta pelo bem comum e pelo melhor para Olinda e para o Brasil. Aos filhos, esposa, familiares e amigos, meu abraço fraterno e solidário.

Luciana Santos, deputada federal e presidenta nacional do PCdoB
Foto: Virgínia Ramos"

Não, não é escrever poesia! É desenhar sentimentos.


Animal do bem e o tal

São animais indiscretos e contemplativos
na mansidão imaginária e cada vez mais.
No hipotético paraíso na zona de conforto
vão chegando, vão vivendo outros desafios
pés que não cansam de andar fora dos trilhos.

Vê-se os trilhos do bonde
no pé das frutas do conde
no entorno do misto dos milhos
com as doces e tortas espigas
do conde de monte cristo.

Na ré do trépido bonde
tudo trepida e o vinho vai longe
entorna, esguicha e mancha
a roupa de linho da moça
que o pranto fez poça
a olhos vistos.

São animais de cegos charmes
e quase sempre atrapalhados.
Na obsessão que alguém os agarre
salvando-os do fortuito afogamento
dos salgados e amargos mares.

São animais como nós
com nós nas vis ventas
que inventam o ar atroz
logo após se lamentam.

André Anlub®
(28/05/13)