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Finalidade da arte

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Livro (capa, contra-capa, orelhas): ABC Tríade Poética  de André Anlub, Beto Acióli, Carlos Marcos Faustino 

Finalidade Da Arte  

Abraço o pincel como se fosse meu pai
Chega de despedida, chega de adeus
A inspiração chegou, a timidez se foi
Sou Netuno, Odin, Zeus.

Faço um traço, entro em ação
Cores dimanam do meu pensar
Encéfalo explode, ogiva nuclear
Arco-íris, cogumelo, refração.

Começam a germinar imagens
Transpor o que tinha na gaveta da mente
Minhas passagens, viagens incoerentes
Saem absolutos, imponentes, pelas mãos.

Os "nãos" e os "sins" de outras épocas ou horas
Conspurcam a tela branca 
Formam uma figura que desbanca
A imaginação do artista, sua história.

E pronto, o rebento lindo e bem-vindo
Ali, à sua frente, imaculado
É mais uma obra, quase do divino
Da verve, alento, do artista amado.

Gosto de pintar, gosto de poesia, de escrever e tocar bateria; gosto de viver longe da vida vazia, faço das artes minha orgia.

André Anlub

Aurora

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Ainda mergulho de cabeça em uma paixão; mas checo a profundidade e a temperatura da água, coloco touca, tapa ouvidos e ai sim, penso duas, três, quatro vezes e (quase sempre) vou.
Aurora (12/12/08)

Chegou agora
Chegou a tempo
Fagulhas do amor.

Do chão que pisa
Do chão que beija
Aurora da vida.

Sentimentos
Desencantos
Sofrimentos.

Uma promessa 
Um tudo que é bom
Doce mentira.

André Anlub®

Manhã de 7 de junho de 2015

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Imagem: Mensagem subliminar - Subliminal message
A conotação disse pra denotação que ela tinha um coração de pedra, a denotação acreditou e morreu de infarto!
A arte e o tempo se vão – vontades e desenhos de pele ficam. (Manhã de 7 de junho de 2015)
Trouxeram-me os Anjos alguns rabiscos nessa madrugada. Eram folhas sem nada, em branco, mas tudo ali continham. Foi o mundo ao avesso no desapresso das pressas. O pensamento ligeiro deixava nas nuvens rastros de onde nunca passou enquanto o mar, meu amigo, me aguardava em uma próxima e breve visita. Os olhos fechados em sonhos iam aquém e além do tempo presente; pude ver tão claramente um fato nunca consumado. Por onde estaria um quadro chamado “chupa cabra” que pintei e presenteei uma amiga? Onde estaria essa amiga? Pois é. As flores belas nos cantos da sala, as velas queimando e perdendo seu corpo; as flores ainda com cheiro delicioso e as velas ainda tinham muito a queimar. Um poço de água doce e limpa em formato de lembrança... Uma água n…

Congelando os laços

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Congelando os laços
Tu estavas bela na mentecom aura brilhante douradaemanavas energia tão quenteaquecias minha alma acamada.
Destilavas o amor no teu sumoo perigo da peçonha na veiaque desvirtua o coração em teu rumopondo fogo na paixão que incendeia.
Perdido, me entrego em teus braçosna cadência tempero a cançãoexpondo o sentimento em oração.
E, enfim, congelamos os laçoso sonho, o céu, a realidadeno fino gelo eterno da fidelidade.
André Anlub®(26/03/13)

BOa nOite

Hipnotiza-me sem a mínima hesitação
E com a carcaça não tem perdão
Me molda e muda
Me desvenda e desnuda
Aperta tanto meu coração
Que em seu transmuta.

Dos antolhos

Quero um apropriado escudo Celta
Pois há lanças voando sem rumo
Almejando ébrias mentes sem prumo
Mas por acidente a mesma me acerta.

Quero o melhor dos virgens azeites
Pois nas saladas só tem abobrinhas
Na disparidade de várias cozinhas
Todos adotam a mesma receita.

Quero ver e ler o que outros registram
Sem antolhos nem cínica mordaça
Sem caroço impelido na garganta
Faz o engasgo que mata na empáfia.

Mas não só quero como também ofereço
Meus singelos poemas com terno adereço
E com pachorra e olhos modestos
Vê-se admirável o que era obsoleto.

André Anlub

Flechadas e frio

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Flechadas e frio
Foi empregado o legado de um suculento argumento roliço.Que seguia uma torta linha tênue, porém eficaz.Trouxe um conflito mutante, embora antes travestido de paz;Havia formado o paradigma doce – posto que agora migrasse ao mortiço.
Chove fraco lá fora; enquanto dentro é tempestade e naufrágio;Queimam árvores pela cercania; enquanto dentro jaz o incendiário.
Foram cantadas doces, dançantes e melosas melodiasQue balançavam as pessoas e espalhavam as cinzas.Nomes escritos em pedras; nos rostos pinturas de guerra;Bocas rubras dentadas – orgias que giram a esfera.
Sol quente na cachola de uma gente; somente aos que estão fenecidos;Encharcam e transbordam os rios – em sonho, em rebanho e em delírio.
Reminiscências e larvas das palavras que nunca foram ditas;Atuações sem ações, sacrifícios que se inundam e escorrem nos orifícios.Tudo foi lenda, arrepio – presunção de um viver e sua glória,Agora é frente de desapontamento – e costas, flechadas e muito frio.
André Anlub(22/3/17)

Ode a ela

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De toda a imensidão do planetasó quero estar nesse mar belode Iemanjá, Iracema, Otelo.Mar de perfeitos sonhosfolclores, tesouros e viçosdos nautas, vikings, corsáriosnavegadores fenícios.Mar de amores lendáriosimaginários, antigosconcretos, ambíguosde interminável poesiaque em toda alma habita.
Será que sou ave em seu sonho? (Ode a ela)– Até coloquem palavras em minha boca... mas que nasçam poesias.
Tempo malvado, malvisto e infausto. Muitas águas tumultuosas – marés nervosas – ventos de inverno e inferno astral: sei de pessoas idosas com extrema dificuldade em andar/nadar.Vejo algoritmos de vaivéns escritos sem nitidez em pergaminhos; peço ajuda a estranhos e fico aborrecido por desconstruírem meu ninho.Desenterrei meu tesouro e veio-me você – assim – num estouro –, deixando o que pode no poço e empossando-se agradavelmente do espaço.Hoje sou o mesmo Eu, mas mais suave; sou velho, menino e sou ave.Voei – vou e fui bem longe: larguei a máscara de mau moço, pois é mau demais para onde vo…

Canguru vagabundo no fiofó do mundo

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Canguru vagabundo no fiofó do mundo

Vislumbro ambientes tranquilos e meio a ermo;
E ainda com amigos ou sozinho sinto-me o mesmo.
Há ventania que não me carrega e me agrada,
Há maresia que me liberta e me afaga.

Minha janela deságua num mundo inteiro;
Minha solidão em vão é vista no nada.

Chamam-me em segredo para uma fina festa;
E sem medo usei o meu rabo de lança
Acertei o desabrigo – o inimigo que me resta;
O vi chorar na ponta da lança como criança.

Há fogueiras, zoeiras, intrigas, folguedos;
Esqueci o meu tempo no fundo de uma gaveta,
Pois dar conselho não há ninguém que se atreva,
E dancei com lobos, tolos, deuses e meus medos.

Sou um sujeito feito um feliz canguru:
Carrego uma pochete feito bolsa na cintura;
Gosto de boxe e caminho em pé ao natural;
Tenho um rabo comprido – invisível – vermelho,
E com uma afiada ponta de lança no final.

Sou um sujeito canguru em meus sonhos,
Acordei querendo ser novamente.
A distância criou meu nefasto enredo,
O meu voo levou-me a reconhecer os estanhos.

André Anlub
(2…

Embaixada da Poesia

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Inteiramente a favor de sempre persistir neutro. Até mudar de posição. 
(Madrugada de 15 de maio de 2015 -)

Acho que a era das raspadinhas passou. Ontem fui tentar a sorte e não achei nenhuma à venda. Não, não é trocadilho... Foi real. Cheguei à lotérica e não havia uma raspadinha sequer colada no vidro do caixa ou pendurada na banca de jornal logo em frente. Simplesmente sumiram! – Mas vamos ao que interessa, ou nem tanto... Hoje no trivial banheiro matutino fiquei pensando em quantas estradas escolhemos ao longo de nossas vidas; quantos caminhos dentro dos caminhos, quantos atalhos, ruas desertas, muros altos e baixos tivemos que pular... E os posicionamentos? Alguns rápidos em escolhas difíceis, alguns difíceis em longas escolhas, os lugares que dividimos e amizades que escolhemos ou que escolhem a gente. Algumas escolhas que adotamos nas nossas andadas nessa roda gigante alucinante chamada vida (na verdade está mais para montanha russa) têm implicações eternas, cicatrizes agudas que…

Orbe longínquo

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Ensaio NIF Magazine




Encontra-se num orbe longínquomeu ego prófugo e inútil degredado pela poesiaencalçado pela humildadepois sendo maior de idadebateu em retiradaferido e cansado da vida.
Encontro-te casualmente em um escrito
na lágrima escorrendo no rosto.
Tu não és desgosto
tampouco amor imposto.
Não és, sequer, tempo perdido;
és perfeita inspiração minha
ao longe ou ao longo de um sonho
fruto do meu imaginário ativo.

André Anlub®

Romero e Julita

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Romero e Julita

Romero conheceu Julita em um luau na cidade de Arraial do Sana, distrito de Macaé no Rio de Janeiro. Era semana santa, a fogueira queimava forte, as salsichas assando e o calor espantava quem ficava a menos de dois metros do fogo. Romero chegou cedo, bem antes de Julita, e ao vê-la foi em sua direção com a caneca de vinho em uma mão e na outra seu revolver trinta e oito refrigerado. A princípio todos ficam em silencio e um ar de interrogação invade a noite. Romero, ainda em pé, olha para todos e todos lhe olham; ele agacha e diz: 
– Querem ver um verdadeiro idiota estragar a fogueira e a noite?
Então ele abre o tambor de seu revolver, tira uma bala, dá um sorriso maroto e a joga na fogueira. Chega a levantar umas pequenas brasas e a fazer um ruído rápido; mas não tão rápido como o levantar das pessoas de suas cadeiras, agoniados com o acontecido. 
– Meu deus, quem é você? Parece que comeu estrume! – Com os punhos cerrados, protestou em tom forte Julita. Havia ficado bastan…

Lendas verdadeiras

Lendas verdadeiras

Indo esperto, sendo longe, médio ou perto;
Frio tipo espeto, noite longa de outono.
O cheiro é evidente, o barulho estrondoso,
Faca nos dentes e o corpo solto e impetuoso.

Quem foi e voltou feliz, não se esquece...
O melhor dos melhores é somente reflexo;
Quem é saudoso às vezes se aborrece,
Pois imerge fundo no indiscreto sem nexo.

De certo modo torto anda-se reto (sempre esperto)
Com a mente dormindo, e o ideológico ereto.
A vida é louca varrida, empurrando com a barriga,
Os pés num céu encoberto de uma tempestade vadia.

Tudo firme e fato; tudo filme e teatro;
Nada falso e forca; nada Fausto e diabo;
Nas lendárias escrituras – imaginárias rebeldias,
Perde-se o talento de Goethe, se ganha de jeito à poesia. 

André Anlub
(20/3/17)

Dos Outonos

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Relembrando uns antigos:

Dos Outonos

Já é outono...
Já é beleza.

Natureza com realeza e seus adereços
O endereço com a maior certeza...
É não esquentar cabeça com nenhum transtorno.

Há uma cidade com um parque no centro...
Não é o Central Park!

O amarelo e o carmim abrem o caminho
E mesmo sozinho nunca me perco.

Há uma casa com uma árvore muito cheia
No outono ela emagrece, fica mais bela
Pela janela, estupefatos, todos emudecem...

Contemplando perguntam aos quatro ventos...
“Merecemos viver essa formosura?”

Já é outono...
Já é loucura.

André Anlub®

Mesmo que anjos tenham umbigo

Esvazie-me – preencha-me
conheça o verso e o avesso,
rima após rima,
sabe que'u deixo!
E depois,
ao acordar sozinha,
vá viver se estou na esquina.

Mesmo que anjos tenham umbigo (2013)

Mudei de século,
Moldei o crédulo,
e passei a sonhar com as Valquírias.
Vi um mundo sem máscaras,
sem muita diplomacia.

Eis as tardes que caem
afogadas em grandes bacias.
Eis as mães com suas filhas
fazendo de alvo o profícuo.

Delineei o passado
no caso mais que perdido.
Etiquetei os bandidos
ao som de música clássica.

Para um espanto em vão,
bandeiras viram fogueiras,
e as duras madeiras de lei
amarrotam o nosso irmão.

As fidúcias rasteiras,
já velhas, trapos manchados,
silenciam os zangados,
servindo de panos de chão.

No auge da contradição
os ouvidos não ficam entupidos,
ecoam os belos grunhidos,
do cão são da imaginação.

Eis o século moderno
de horizontes pintados,
em pergaminhos eternos,
e jovens audaciosos e belos:
- nos banquetes,
nos sovacos,
as baguetes.

Haverá um menino
e tornar-se-á bem sabido,
verá tudo se repetindo:
- sem dono o …
Ótimo dia aos amigos!

Focamos a vida em construir. É o que nos norteia e nos faz levantar e lutar a cada dia. Temos uma conotação ruim à palavra “desconstruir”, pois vemos um cenário negativo, desqualificativo e nocivo nela. A questão é que crescemos nos moldando com o tempo, ganhando corpo/conhecimento como um castelo que nunca ficará pronto. Vamos sendo construídos tábua por tábua – pedra por pedra – cimento – areia, e influências externas. Nesse processo de construção, nessa massa, nessa essência, coloca-se também estigmas sociais, preconceitos, teimosias e arrogâncias. É salutar aceitar, reconhecer e aprender a desconstruir tais sentimentos, a fim de sermos mais tolerantes e justos.

O RUIM

Vivendo a vida como se disputasse corrida
Lavando a alma e enxugando o corpo
Entrando no ringue e comprando briga
Largando obrigações e segurando o copo

De marcha ré ele vai para frente
Reclamando de tudo que possui
Fazendo tudo que está na mente
Sendo pior que o próprio ruim

Muito chifre e pouc…