Voo entre terra e céu, sonho q crio na escrita Lua q derrama no papel, Sol q desbanca na tinta

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18 de janeiro de 2017

Hora ou outra...

E vem...
Os olhos mirando o bloquinho,
Sou zanho, sou zen, sozinho.
Quebrou-se o silêncio,
No barulho do meu copo.
O gelo frenético batendo,
No fino e fanho vidro,
Ao ser mexido pelo dedo.
E vem o convite à escrita...
-- x --
Ontem nem sinal de uma ideia
Mesmo com choro e com vela
Com água que encharcou a janela
Respingou nas minhas pálidas folhas.
-- x --
Os meus sonhos são bucólicos pleonasmos
são os estágios dos amores em nuances
nas andanças são os passos nas estradas
nas errâncias são meus corpos que levantam.
-- x --
O mar me ganha assim:
de jeito, de repente, de encanto.
E mesmo eu envelhecendo
e aos poucos ficando mais longe
o amor e o respeito só aumentam.
É o mesmo que acontece
em relação a vida.
-- x --
O medo pinta o corpo da cor que lhe convém
trata a chama com desdém.
Não deixa mais se aprofundar na fábula
Sobra o raso e alimenta a mágoa.
-- x --
O mestre em yoga
Com a força de vontade ensinou-me o yin-yang;
Agora sei que tudo vai e volta,
Na vida e na verdade (como um bumerangue).
Viver não é uma “suruba” em Aruba,
Tampouco um “ménage” em Laje.
O mestre Yoda sem pretensão
Ensinou-me a força,
Por livre e espontânea vontade.
-- x --
O meu dó
de ver sua ré
sem mi mi mi
de lua a sol
de cá e lá
fala por si
sem fã, sem fá.
-- x --
O orvalho brinca de tobogã,
Em uma enorme folha de taioba.
Sei, sei que ainda necessitava de mais música,
Música boa, aquela apreciada pelos pássaros,
Que dançam valsa com o vento.
-- x --
O poeta foi assaltado
Por duas letras “A”
Que saltaram de sua folha
Repentinamente,
E era dia de semana
Em plena Copacabana.
Levaram-lhe a inspiração
Lembrou-se das casas com luz e pessoas sem ler
Lembrou-se das mentes criativas censuradas pela lei
O poeta tocou a face e enxugou o pranto
Sabendo que tem muito mais da mesma...
Passou agora a distribuí-la.
-- x --
O próspero havia recebido conserto
e a velha flecha no seu peito
enferrujou e ruiu.
Os olhos caçam felicidade, agora mais secos
e a sombra não mais se encontra por aí, vagando...
Meramente sumiu.
-- x --
O sol está sempre penteado, perfumado, bem vestido...
Também muito cortês e fotogênico, sempre amigo.
Ao se pôr, diz: “Jusqu'à demain, bonne nuit!”
-- x --
O tempo é sua Nêmesis
Levante
Percorra
Vá a qualquer direção
Saindo do ostracismo
Saindo do falso abrigo
Imersão no lirismo
Admitindo a paixão.
-- x --
O tempo passou e passa
semente que germinou e germina;
som das boas ondas.
Vi e vejo as ondas de beleza, simples como a natureza.
A vida segue sentinela,
olhando por onde anda e onde pisa.
Na minha essência... Isso é de praxe.
-- x --
O tempo se esgota, é a gota d’água
que desagua na grota e no vento
pois invento a lorota da mágoa
por não encontrar meu contentamento.
-- x --
Olho no olho
dente por dente
É coerente
os opostos se atraem.
Na beira do abismo
um passo à frente
mergulho fundo
só o amor constrói.
-- x --
Olho-te e já não vejo só o teu rosto...
Vejo uma aquarela de intermináveis possibilidades.

16 de janeiro de 2017

E vai de novo...

“O show tem que continuar”
mesmo se a plateia é parca
se o porco de barro está oco
se há cortinas comidas por traças
se o poeta fez pouco.
Sempre haverá saída
pois duas únicas coisas bastam:
o sorriso e o aplauso da pessoa amada
na primeira fila do teatro da vida.
-- x --
O tal vento cruel e birrento
soprou ao meu ouvido
como uma fera grunhindo
e nada adiantou...
só a cera espalhou.
-- x --
Os anjos trouxeram predicados
abençoando as conquistas
lapidando as certezas
aqui nesse dia sagrado.
E sob a lua alegre e minguante
nós, os humildes bardos
festivamente cantamos
com os novos perdoados pecantes.
-- x --
Ser feliz com o viver protegido
ungido com o suor de mil anjos.
Na boca pequena um grandioso sorriso
e aos ouvidos os violinos em arranjos.
-- x --
Se liga que a opção é entrar em ação,Largar a ração e comer caviar;Vem cá, ver ar e respirar fundo,Pois o fundo do poço sobrou ao cinismo.
-- x --
Achei meu chiclete perdido no fundo da bolsa,Amassado, solitário, ainda cheiroso e macio;Achei meu clichê perdido na ponta da língua,Engomado, acompanhado, ainda leso e embirrado, clamando pela soltura...Por um fio!

E vai...

Na caricatura real...
Vi a canção no céu um borrão,
O bordão de pôr do sol
E na história nada é ponto final...
Tudo é sinal imortal de um refrão.
----- // -----
Não acredito em “olho grande”, mas acredito em alma pequena; acredito em gente que fracassa e não levanta (pois acha que nunca caiu); gente que não admite o erro e segue sua vida medíocre sempre procurando alguém para a transferência de culpa.
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Não devemos plantar, adubar, tampouco colher o ódio ao nos depararmos com algo que é fruto de uma ignorância alheia; devemos abrir a mente como se faz com a terra, preparar o solo com precisão e probidade, e espalhar as sementes da coerência, bom senso e justiça.

Etílico silêncio



Etílico silêncio (2/2/12)

Meus silêncios são pendentes dos seus,
Gritam sem som enquanto você não volta.
(as voltas pelos bares, garrafas, copos).

Espero-lhe... 
Madrugadas, mágoas e salmos. 

Minhas revoltas,
Andando pela casa
Marcando o carpete
E os olhos de águas...

Socando pontas de facas
Lembrando-me de épocas.

Amo você... 
Quero-lhe como era 
(abstêmio e calmo).

Sua vida é falência e desgosto,
Pelo menos agora,
Nostalgia desarrumada,
Procurando encosto e gastando saliva. 

E na relva brotam palavras ao vento;
Declama poesia mas não sonha com mais nada. 

Muitos silêncios se atrelam
Aos de nossos rebentos,
Sons de vários momentos
Que por dentro se abafam.

E os mesmos por vários meses e anos 
Falam muito mais que um mar de palavras.

Ótima tarde de segunda


País onde há saúde e educação de qualidade (as melhores do mundo), e onde ninguém passa fome e dorme ao relento na rua, a meu ver, é o exemplo de um país rico! Eu, como cisgenero, branco, que teve educação particular a vida toda, com o melhor plano de saúde, comida que eu quiser na mesa e condição financeira boa, seria cômodo chamar Cuba de comunista, ser ultraconservador, neoliberal e amante ferrenho do capitalismo (até ter “inveja” dos EUA) ..., mas minha luta é pelos outros - sem demagogia -, não me canso de dizer isso.

Um mau lugar da pseudo-morte


Um mau lugar da pseudo-morte (4/7/10)

Com as mãos sujas de pecados,
Corpos fortes, mentes fracas,
Lixos espalhados por todos os lados
Ficam a empunhar as suas facas.

Uns nus gritam abafados,
Outros dizem serem soldados de Hades;
Mas todos buscam se alimentar
Comendo os corpos estragados.

Existe em frente um imenso mar de sangue,
Com ossos e pedaços de carne.
Na junção com a terra se forma uma espécie de mangue
Com pequenos moluscos que beliscam as faces

O cheiro de podre domina os lugares,
Também no ar existem pequenas cinzas
De corpos queimados pelos calcanhares,
Bocas abertas procurando brisas.

A dor e o medo são cotidianos,
Zumbis e moribundos vomitam maldade.
A esperança e a vida há muito tempo padecem...
A única saída é pedir piedade.

15 de janeiro de 2017

Livros e livros...

Depoimento da amiga querida Márcia Brum em 05/01/17 - "Hoje o dia está mais belo, é aniversário de uma linda pessoa que tanto admiro e gosto, querido poetamigo André Anlub. Parabéns por mais um ano de vida! Que seu dia de aniversário seja tão maravilhoso e alegre quanto você! Desejo muitas bençãos, sucesso, saúde e realização dos sonhos. Que Deus te abençoe, proteja e oriente sempre! Parabéns! O aniversário é seu, mas o presente é meu,em ter a sua amizade e ter a honra de ler seus livros. Estou adorando a leitura! Bjsss"

Ótima tarde de domingo!


(corpo e café – torrados e moídos) Hoje me sinto dentro da melodia “Rio quarenta graus”; mas quarenta só se for na sombra. A aura parece que quer deixar a carcaça e se perder na atmosfera; o sossego berra, a quietude é onipresente, mas “péra”... ouço o tilintar dos dentes, como se fossem lâminas de aço, saboreio a pera e o sumo resseca meus lábios. Meu lema para sair da lama é sorvete de lima-limão e um chá verde gelado. Estão bebendo cafés quando esfriam, vi gente saindo pela rua, pelado. Agora a aura quer ficar no corpo, um bom banho gelado; ao alto as audaciosas asas de Ícaro, há tempos derretidas, agora aparecem em nuvens, desenhadas; vejo o futuro, não vejo sempre muito boa coisa; há decepção, sempre há; há ressurreição, tem que haver; há de aparecer alguma ligeira solução nas poesias sinceras despontadas. Sai da melodia, penetrei no sigilo, já são bem mais de meio dia; entrei entre as almofadas e sorri para a nostalgia.

André Anlub

Palavras Sem Nexo


Palavras Sem Nexo

Inacreditáveis sorrisos banguelas
Discriminado pela aura da alma
Sol nascente na penumbra da noite
Gato branco na neve se acalma
Um grito mudo mais alto no fundo do poço
Um esboço da mais feia obra prima
Uma rima para recitar no calabouço
O osso na boca do cão que fascina
Na esquina a água escorrendo na latrina
Uma briga que envolve um grande colosso
Insuportáveis dias de manhãs escuras
Absurdas e volumosas nuvens parecendo algodão
O "não" como palavra de ordem nas ruas
Nuas, mulheres desfilam em vão
Os pigmentos das tintas que pintam o mundo
São misturados por Deuses, doentes, imundos e sombrios
Sadios ficam os desavisados
Armados até os dentes não sentem calafrios
O universo se acaba com o verso, com a história
A humanidade vira uma montanha de cinzas
As palavras sem nexo que trago nessas rimas
Vão ser enterradas, erradas, com a nossa memória.

André Anlub