19 de janeiro de 2019

com um quê de barba feita



Manhã de 29 de abril de 2015 (com um quê de barba feita)

A animação acorda junto! Coisa rara atualmente, mas sempre muito bem-vinda.
Abri meu jornal eletrônico, o qual assino, e li sobre política. 
É, politica. Aquela coisa que muitos odeiam, alguns participam e muitos não entendem. Todas as vezes que faço uma postagem com algum cunho político me arrependo! 
Acho que realmente fica complicado quando se fala o que as pessoas não querem ouvir (até mesmo quando se está do lado delas). 
Vou me ater em escrever meus singelos rabiscos e continuar me expondo politicamente somente no meu voto e no boteco da esquina onde bato meu ponto, jogo gamão e derramo meus copos. 
Lavo o rosto e vejo aquela cara de ontem, meu cabelo está carecendo de um corte curto, é mais prático e o calor abranda. Escovo meus dentes, lavo novamente o rosto, faço meus alongamentos e vou-me ao banheiro de fora, da área dos fundos. 
Lá já tem um livro me esperando e o meu trono que adoro. Agora vamos falar em poesia, em algo romântico que me toca, me desmancha e me conserta, me dobra e desdobra, me faz feliz e moleque. Já estou pintado de guerra, já ouço tambores e ao fundo a água cai de um céu pardo e enterra meu otimismo. 
A espada é das Cruzadas, a roupa de soldado negro, as botas de couro bem grosso e o olhar de quem já morreu de véspera. 
Dilacerei meus fantasmas em praça pública ao som de Björk, a luz de holofotes com canapés diversos e uma vodca da boa.
Era uma manhã como a de hoje, quarta feira; era Maomé indo à montanha e Maria indo à feira; um carro avança um sinal, outro estaciona erroneamente em vaga de deficiente; uma criança cai muito doente e de repente cai meu astral.
Fui caminhar e me perdi no tempo e no espaço, deixei a cabeça divagando até romper em uma dimensão paralela. De repente me deparei com um belo castelo de cor púrpura, cercado por orquídeas raras, uma mangueira alta e com um capacho enorme na porta escrito: “Essa casa é sua”.

André Anlub

Lucíola Alencar



Há lençóis em que se repousa, 
Que se sonha, que se voa, 
Que se doa e se pousa...
Nos lençóis em que você esteja comigo
Estarei aquecido, envaidecido
Em plenos amor e abrigo. 

Lucíola Alencar

Em tempos idos:
Lucíola teve passado penoso,
De dia a dia rigoroso, aqui e acolá em diversos puteiros.
Sua mãe analfabeta e agricultora e seu pai pedreiro;
Faltava dinheiro, comida, estudo, faltava quase tudo...
Até que, de repente, o “tudo” veio:

Em tempos meios:
A gravidez de trigêmeos caiu como tempestade,
Aquela louca vontade de ser mãe 
– aquela sóbria visão de que precisava ser algo mais;
Largou a labuta de prostituta e entregou-se aos livros...
Venceu empecilhos, derrubou preconceitos.

Em tempos de hoje:
Mulher guerreira, mãe solteira, “ex-meretriz”,
Sessenta anos e três filhos criados:
Uma médica, um famoso escritor e um advogado.
Lucíola Alencar é dona de casa e de uma rendosa barraca na feira,
Agora com “eira” e com “beira”
É também dona do próprio nariz.

André Anlub®




18 de janeiro de 2019

Mais sobre tal arrepio


Em seus tronos na zona de conforto
estão otimistas os deuses de todos.
Roupas alvas, flores brancas
e o sol desbotando as flâmulas.

Está no tempo de ser mais flexível
Espelho de exemplos melhores
Elixir para o mal reversível
Reescrever nossa vida em folclores.

Mais sobre tal arrepio

Diga-me tudo sobre o tempo
Sobre nosso amor
E os ventos que levam e trazem.

Se quiser que eu cante
Ou monte num elefante
E vá desbravar o entrave.

A viagem está só no meio
Em sua melhor parte.
Onde na paisagem não há feio
E parece única e conhecida
Mas é lua e novidade.

Os dias são sempre belos
Se libertamos os olhos
Para os aspectos.

Espertos andam sempre lentos
E em certos momentos
Abrem os seus velcros.

Podíamos perpetuar o amor
E passar os anos
Quiçá as décadas
Por que não milênios?

Vejo em equivocado intento
Pessoas engomadas
Com ouro nos dentes
Mas companheirismo em lata.

Agora o vento bate as portas
Fecha as janelas
Tapa ligeiro as frestas.

Tudo agora leva a crer
Que o breu fará morada
Mas não aconteceu.

A luz da nossa história
Iluminou com glória
Toda a madrugada.

André Anlub®

16 de janeiro de 2019

Excelente noite a todos



Alfarrábios – folhosos – calhamaços – opúsculos 
os nomes podem até parecer indigestos
mas degustá-los nos sacia de conhecimento.
Excelente digestão.

Aquela fragrância de nova vida,
Da porta aberta do viveiro,
Batia nos orifícios do nariz – como coisa boa –, 
Fubá fresquinho, coco queimado, doce broa...
Acompanhada por um manacá-de-cheiro.

Avise-me quando tiver um tempo,
Caso eu não esteja, por favor, deixe recado.
Passo por maus bocados sem a menor notícia sua,
Vivo um grande tormento olhando os velhos retratos.


André Anlub®


14 de janeiro de 2019

Asas de anjo ou dragão



Asas de anjo ou dragão

Vejam só os dois olhinhos, sinceros, impávidos,
Carregando a expressão das brasas dos entusiasmos.

O mundo deles também anda agitado,
E ainda mais quando estão juntos;

São avejões diversos...
No advérbio adjunto do anseio disponível no plasmático vulcânico...
Fundiram os neurônios e os versos.

Não há relógio no “slow motion”,
Tampouco o reviver das simples coisas.
A caneta dança na folha branca,
O sentimento canta a canção que voa...

Os dois olhinhos são escravos do tempo,
E o tempo não vive a mercê de porta aberta...
Não cumpre a cumplicidade que se torna seguro,
Simplesmente existe, e o quase é quase eterno.

Asas batendo, colorido das penas,
Bico bem largo e garras como dentes;
Com moderação se barganha com a vida,
Contínua rotina de distrair pensamentos
E tapear os momentos e as ideias baldias.

Criou-se o hábito saboroso e salutar,
Começou a lutar com as armas evidentes.
Vê a novidade de coisas iguais que nunca foram feitas,
Reinventa os trejeitos dos seus sujeitos (dá-se um jeito).

E a luta contra o colosso imortal continua,
O gigante que é anão, que espeta,
Que apunha, apunhala, compunha a mente incerta,
E a luta se enluta no negro alerta.

(...) nessa hora os olhos se emocionam mais uma vez,
Enchem-se d’água e desaguam...
E a vida: eles querem entendê-la, desvendá-la,
Querem enterrá-la para saber sempre onde está;
Irão confessar até o que nunca fizeram
E pelos campos e cidades aos ventos voarão...

Sendo perene ou não,
Sendo asas de anjo ou dragão.

André Anlub®

12 de janeiro de 2019

Para Sylvia


Para Sylvia

Abra a porta e deixe a felicidade entrar
Conte à ela toda sua vida e suas histórias
Fale de suas amarguras e vitórias
Convide-a para um chá, temos pão integral e frutas.

Que tal a deixarmos recitar um poema seu?
Fazer desse momento aquele que nunca se esqueça
Vamos Sylvia, então escolha você...
Assim, de repente, sumimos para além dessa redoma de vidro
Para longe de uma coação em sua cabeça.

Diga em voz alta, exponha o que lhe faz falta
Abram todos, todas as janelas
Se for repressão ou depressão...
Ainda não está fenecida.

Faça as pazes com a vida
Invente que escrever é sua mazela.

Coloque mais um prato na mesa
Mais lenha na lareira e ajeite a cama
A alegria quer ficar.

Sylvia, não se vá...
As letras já estão em prantos.

Todas as pessoas que foram seus sufrágios
Agora estão deitadas em posição fetal
Com olhos encharcados...

Olhando o além, com suas poesias em mãos
Vivenciando o quão a vida é fatal
Descobrindo que nem a morte é em vão.

Presente muitas vezes em meus sonhos
Com a alcunha de Victória
Sempre longa fábula de final feliz
Quimera de uma escritora que também é atriz.

Passeando em pensamento 
Sendo lida ao relento
Denotando em aforismos
O seu mundo em fartas folhas
Na cabeceira do surrealismo.

Segue mãe, imponente e linda
Colosso na exposição dos sentimentos
Por dentro estrutura abalável
Sensibilidade inimaginável.

Os rebentos amparados, longe das asas da mãe
O fim já anunciado pelos martírios de viver
Sua escolha foi infindável branca folha
Jamais entenderão o que seria seu bel-prazer.

Trinta anos são tão parcos
Para uma rainha na imortalidade
Temos que carregar os fracassos
Com a incumbência de pisá-los.

O dito “Efeito Sylvia Plath”...
Que muitos poetas carregam no cerne
Não está pertinente a perder
É somar o muito além do que há.

André Anlub


Meu compromisso



Meu compromisso

Me aqueço e esqueço que existiu o frio
Se dias ruins me fecham, tem ela para abrir as portas
Nos seus olhos entro em voo e me inebrio
São questões que só exponho porque muito importam.

Admirável é ver o verde e saber que há calafrios
Mas sei que só em sonhos isso acontece.
Se hoje muda e amanhã se cala, mesmo assim é elogio
Águas quentes, águas mornas, tudo apetece.

Constroem uma canção que afaga aos ouvidos
Abro a janela, peixe na panela e deixo entrar seu rosto.
Se estou em sono, o sonho há de ser você
Navio ancorado, estando acordado não terá desgosto.

Pego a caneta, tchau à melancolia e sigo sem rimar
Pra te conquistar não preciso ser meloso.
Poema certo em rima torta é barco desgovernado ao mar,
Pois na tormenta dou amor, ser seu amo é meu colosso.

Fecho o dia e abro o coração,
Assim, como se não fosse corriqueiro.
Quero inovar, quero algo novo
Trabalho nisso feliz, na palma da sua mão.

André Anlub®
(12/1/19)

Ótimo sábado aos amigos



guajajarasonia:

Para você, o Brasil foi descoberto ou invadido? 
Não é de hoje que os direitos dos povos indígenas do Brasil são ameaçados. Em 2014, a Uma Gota no Oceano alertou para esses retrocessos na campanha Tamuaté-aki. Enviamos ao Congresso um abaixo-assinado com 4,5 milhões de assinaturas.
Mas o desafio permanece! Os povos indígenas são os maiores guardiões das nossas fronteiras, florestas e rios. 
Convocamos você e seus amigos a se unirem a nós nesta corrente em defesa dos povos tradicionais do Brasil. 
Vem conosco, compartilhe!!
Saiba mais em www.umagotanooceano.org

11 de janeiro de 2019

Numa tarde quente de verão


Numa tarde quente de verão,
O Fim decidiu ter um novo começo:
Largou sua labuta, seu fardo,
Sua maleta cheia de agonias e acasos;
Largou suas metas, suas retas que mais pareciam curvas,
Suas negritudes e suas alvuras...

André Anlub®

10 de janeiro de 2019

Caíram-me os butiás do bolso


Caíram-me os butiás do bolso

E assim foi, belo céu azul sobre as almas
Idealizaram um tempo de liberdade das prisões
Sorri, o trem passou e o presente se renova
As águas estão mais claras e calmas.

No teatro a peça se inicia na cria e na oração
Poesia e representação, fé e o que comove.
Nas estradas os loucos com seus cabelos ao vento
Locomovem-se rumo ao comedimento.

Minha visão atenciosa e estupefata
Mirava as mulheres nas praias e suas dunas.
Admiração, veneração e generosidade,
Tornaram-se absolutamente absolutas.

O cão latindo em latim, num sonho,
Urinava na minha canela, deu banho.
As águias voavam fitando o por do sol
E num segundo tudo foi se configurando.

Numa atitude da virtude, nada rara
Fez a mensagem desse escrito bem clara.

André Anlub®
(10/01/19)

Biografia quase completa:

Escritor, autor de sete livros em papel: Poeteideser de 2009 (edição do autor), em 2010 o e-book Imaginação Poética, em 2014 a trilogia...