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2 de junho de 2020

Das Loucuras (Inhotep)



Das Loucuras (Inhotep) Não faz pouco pois ele é um louco; Um corvo que vive incluso na informalidade de um jogo Em puro ouroboros, catando tesouros, Em armadilhas há mais de quatro décadas... Sua vida é um subir e descer caminhos fantasiosos Faz seu ninho na beirada da sacada da emoção Doce ilusão de poder desenhar seu futuro, Num louco e profano absurdo de inspiração. Um karma ser fantasma e carrasco de sua biografia; Duas falhas: sonhar a esmo; não sair em busca de si Os pecados camuflados e misturados com os atos afáveis Os erros antigos são retocados a mão nessa revanche. Já, vagarosamente refaz o começo No traço que crio; na cria que obedeço. A luz que sai por detrás das nuvens Traz o abraço dos Deuses. Vindo com o som do trovão mais absurdo O corpo um pouco enferrujado, mas a alma incólume; Recebe a benção da nova fase rumo ao futuro Afrouxando as porcas de um sistema porco e duro Que faz não sermos nós mesmo enquanto nos engole. Mas somos absolutos e no fim derrubamos os muros, Pintando de preto o clarão que cega, e de branco o lado mais obscuro. Vem o som, a luz, o renegado... Vai o intruso e entre suas pernas o seu rabo. Sorrisos plantam árvores em montanhas distantes Ao som de trompetes e as celestiais trombetas. Novo elo; nova era. Foi jogada a pá de cal no mal que já era... Ao vivermos dentro desse papel surreal e absorto que se inventa. André Anlub® (22/2/20)

31 de maio de 2020

Sorriso Inato




















  • Sorriso Inato

  • Maga amarga e nada calma
  • fica-se na sentinela
  • esperando a mão que afaga
  • que traga a luz de longas velas
  • tão pálida e cálida alma.

  • Frágil no chão da lamela
  • que quebra ao fino toque
  • mostrando o colorido enfoque
  • quente ao centro da terra.

  • Mas aprecio tal dor
  • com longo sorriso inato
  • se o feio é odor no olfato
  • importante é não ter tal rancor.

  • Sozinho e sempre pendente
  • fraco coração valente
  • insiste na batida constante
  • regado com sangue e calor
  • é o belo expoente do amor.

  • André Anlub



29 de maio de 2020

À espera do sol



Ponderação seríssima:
É hora de estabelecer os limites, estabilizar os lamentos e mostrar quem você é; 
É tempo de arrumar a casa, arruinar as corjas e casar as tampas com os potes de tupperware.

À espera do sol
(inspirado na música ‘Lado de lá’ da cantora Pitty)

Talvez a resposta seja tão somente amar
Como se ama sem sequer saber do fato;
Quando o tempo ecoa do ralo e migra do pouco ao farto;
O corriqueiro abandona a imediata desesperança inesperada.

E o que falar das variáveis? Apenas não variam mais;
A não ser de vez em quando.
Um bando de aves tão ágil, não levanta voo... por assim querer... 
E festeja dançando insanamente em volta da fogueira estimada.

E vão saber, e vão querer, e vão e voam...
As pedras antes atiradas agora descansam no chão;
Tudo é ar rarefeito; tudo é iniciação...
Costumes, costuras, culturas em adaptação. 

André Anlub

27 de maio de 2020

Das loucuras (línguas largas)



Em seus tronos, na zona de conforto, estão otimistas os deuses de todos.
Por aqui: roupas alvas, flores brancas... e a verdade desbotando as flâmulas.

Das loucuras (línguas largas)

Pode-se sentir o interior em fogo, o gosto na língua,
A saliva apimentada em um descontrole notório.
Claro, no sol nascente; escuro, como todo o tempo...
Descontente ou contente se desembrulha o imbróglio.

Nos sonhos surgem imagens e amores de momentos clichês...
Seriam sãos tais sonhos? Seria só tal assombramento?
Vento ao vento, as velas hasteadas e o barco rumo ao intento,
A maré ajuda sempre quem incorporou o espírito de navegador Chinês.

Misteriosamente vê-se um vazio que se preenche:
Implosão, pirotecnia, autoimposição, arrebatamento...
Mente serena. 

Mostrou a língua para o breu cruel; deu respostas à mente – à frente;
Coisas que levam a exaustão: compreensão e arrependimento...
Mas vale a pena.

Pode-se expandir o que antes era uma inconcebível fresta,
Na absolvição dos pecados e na aceitação de um castigo...
No abrigo dos loucos o andar calmo de quem se aceita;
Na receita do caminho velho, o tempero novo com uma nova aresta.

André Anlub


21 de maio de 2020


Liberdade


Liberdade
Carlos Marighella
1939

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe. 

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome. 

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.





Congelando os laços


Congelando os laços

Tu estavas bela na mente,
Com aura brilhante dourada;
Emanavas energia tão quente
Que aquecias minha alma acamada.

Destilavas o amor no teu sumo,
O perigo da peçonha na veia
Que desvirtua o coração em teu rumo,
Pondo chama na paixão que incendeia.

Perdido, me entrego em teus braços
Na cadencia apimento a canção
Expondo e congelamos os laços.

No corriqueiro eterno em lealdade
Finalmente os anseios em união,
Do sonho – do céu – da realidade.

André Anlub®


19 de maio de 2020

Os 12 melhores poemas de A Teus Pés, de Ana Cristina César



Os 12 melhores poemas de A Teus Pés, de Ana Cristina César
Via: Nota Terapia --> AQUI!



June 13, 2016Luisa Bertrami D'AngeloArtes, Destaque, Listas, Matérias Literárias, Poesia, Poesia Brasileira
O tempo fecha.
Sou fiel os acontecimentos biográficos.
Mais do que fiel, oh, tão presa! Esses mosquitos
que não largam! Minhas saudades ensurdecidas
por cigarras! O que faço aqui no campo
declamando aos metros versos longos e sentidos?
Ah que estou sentida e portuguesa, e agora não
sou mais, veja, não sou mais severa e ríspida:
agora sou profissional.

“A teus pés” foi o último livro de Ana C. Na verdade, a obra reúne três livros de edição independente da autora, além de A Teus Pés propriamente: Cenas de Abril, Correspondência Completa e Luvas de Pelica. Com uma escrita entre prosa e poesia, Ana Cristina foi uma das maiores escritoras do século XX. Nas palavras de seu amigo e também escritor Caio Fernando Abreu:

“Fascinada por cartas, diários íntimos ou o que ela chama de ‘cadernos terapêuticos’, Ana C. concede ao leitor aquele delicioso prazer meio proibido de espiar  a intimidade alheia pelo buraco da fechadura. Intimidade às vezes atrevida, mas sempre elegantíssima. Intimidade dentro de um espaço literário particular, onde não há diferente entre poesia e prosa, entre dramático e irônico, culto e emocional, cerebral e sensível.”

O NotaTerapia se deu a difícil tarefa de selecionar os melhores poemas do livro. Confira:

NOITE CARIOCA

Diálogo de surdos, não; amistoso no frio.
Atravanco na contramão. Suspiros no
contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta
do mundo: essa que não tem nenhum segredo.

MOCIDADE INDEPENDENTE

Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem medir mais as consequências. Por que recusamos ser proféticas? E que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? Voei para cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma graça atravessando o Estado de São Paulo, de madrugada, por você, e furiosa: é agora, nesta contramão.

CONVERSA DE SENHORAS

Não precisa nem casar
Tiro dele tudo o que preciso
Não saio mais daqui
Duvido muito
Esse assunto de mulher já terminou
O gato comeu e regalou-se
Ele dança que nem um realejo
Escritor não existe mais
Mas também não precisava virar deus
Tem alguém na casa
Você acha que ele aguenta?
Sr. ternura está batendo
Eu não estava nem aí
Conchavando: eu faço a tréplica
Armadilha: louca pra saber
Ela é esquisita
Também você mente demais
Ele está me patrulhando
Para quem você vendeu seu tempo?
Não sei dizer: fiquei com o gauche
Não tem a menor lógica
Mas e o trampo?
Ele está bonzinho
Acho que é mentira
Não começa
Sem você bem que sou lago, montanha
Penso num homem chamado Herberto.
Me deito a fumar debaixo da janela.
Respiro com vertigem. Rolo no colchão.
E sem bravata, coração, aumento o preço.

ESTE LIVRO

Meu filho. Não é automatismo. Juro. É jazz do
coração. É prosa que dá prêmio. Um tea for two
total, tilintar de verdade que você seduz,
charmeur volante, pela pista, a toda. Enfie a
carapuça.
E cante.
Puro açúcar branco e blue.

DUAS ANTIGAS (I)

Vamos fazer uma coisa:
escreva cartas doces e azedas
Abre a boca, deusa
Aquela solenidade destransando leve
Linhas cruzando: as mulheres gostam
de provocação
Saboreando o privilégio
seu livro solta as folhas
Aí então ela percebeu que seu olho corria
veloz pelo museu e só parava em três,
desprezando como uma ignorante os outros
grandes. E ficou feliz muito certa com a
volúpia de sua ignorância. Só e sempre procura
essas frases soltas no seu livro que conta história
que não pode ser contada.
Só tem caprichos.
É mais e mais diária
– e não se perde no meio de tanta e tamanha
companhia.
ela quis
queria me matar
quererá ainda, querida?
Queria falar da morte
e sua juventude me afagava.
Uma estabanada, alvíssima,
um palito. Entre dentes
não maldizia a distração
elétrica, beleza ossuda
al mare. Afogava-me.

RECUPERAÇÃO DA ADOLESCÊNCIA

é sempre mais difícil
ancorar um navio no espaço

FINAL DE UMA ODE

Acontece assim: tiro as pernas do balcão de onde via um sol de inverno se pondo no Tejo e saio de fininho dolorosamente dobradas as costas e segurando o queixo e a boca com uma das mãos. Sacudo a cabeça e o tronco incontrolavelmente, mas de maneira curta, curta, entendem? Eu estava fando gargalhadinhas e agora estou sofrendo nosso próximo falecimento, minhas gargalhadinhas evoluíram para um sofrimento meio nojento, meio ocasional, sinto uma dó extrema do rato que se fere no porão, ai que outra dor súbita, ai que estranheza e que lusitano torpor me atira de braços abertos sobre as ripas do cais ou do palco ou do quartinho. Quisera dividir o corpo em heterônimos – medito aqui no chão, imóvel tóxico do tempo.

“NESTAS CIRCUNSTÂNCIAS O BEIJA-FLOR VEM SEMPRE AOS MILHARES”

Este é o quarto de Augusto. Avisou que vinha. Lavei os sovacos e os pezinhos. Preparei o chá. Caso ele me cheirasse… Ai que enjoo me dá o açúcar do desejo.

ARPEJOS (I)

Acordei com coceira no hímen. No bidê com espelhinho examinei o local. Não surpreendi indícios de moléstia. Meus olhos leigos na certa não percebem que um rouge a mais tem significado a mais. Passei pomada branca até que a pele (rugosa e murcha) ficasse brilhante. Com essa murcharam igualmente meus projetos de ir de bicicleta à ponta do Arpoador. O selim poderia reavivar a irritação. Em vez decidi me dedicar à leitura.

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.