A cada passo um ar mais puro

Aquele que se culpa está apenas desgastando-se num sofrimento estéril e desnecessário. A emocionalização da falha é mais grave e contundente do que a própria falha. No sentimento de culpa aprisiona-se o homem ao próprio erro, não se dando permissão de prosseguir, corrigindo-se e sanando.

Diante da situação embaraçosa, o que ele desejou mesmo era sumir em corpo inteiro, desaparecer no espaço, desintegrar-se. Como isso não é possível, aguentou firme o vexame, assumindo a responsabilidade que lhe cabia. Após a “tragédia”, quando as coisas tornaram a encaixar-se, sentiu-se melhor do que nunca. Em paz consigo, entendeu que crescera mais um pouco em compreensão da vida e de nossas fraquezas tão humanas.

Muitas vezes o tom de nossa voz revela nosso estado de espírito. Aspereza, irritação tornam a voz cheia de felpas pontiagudas. A calma, a brandura adoçam o tom da voz, tornando-a macia. A ansiedade descontrola o tom de voz, que se torna apressado e desconexo, enquanto a alegria faz vibrar em sons musicais qualquer timbre. A tristeza emurchece e silencia o mais inquieto tagarela. Estados de espírito, que em tudo se revelam.

Decorar meia dúzia de conceitos mais ou menos coerentes não é inteligência. Aplicar no dia a dia informações colhidas do externo nada tem a ver com sabedoria. Pensamentança é só agitação mental a revolver sempre os mesmos pontos. O conhecimento vem de dentro, o externo ó nos oferece velhos chavões que não valem nada. De dentro, com olhos e atenção voltados para nós, nasce o novo em descobertas que um dia nos tornarão alguém original, único.

(Hayede)

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Um Eu qualquer

Parte XI