Dueto da tarde (XVII)

Como um felino nervoso cruzando a noite em passadas cuidadosas,
A relva afaga suas patas, e sua mente nada vaga foca num absoluto inquieto.
Os olhos varrem o que não encontram na escuridão densa e pensa, se pensa,
E se acha o que procura, se “fura” o seu destino, se deixa ao desatino de tal noite não achar.
A caminhada é longa como é longa a vida, sua expectativa, seu investimento e o momento... 
Será que e só seguir o instinto? Afinal, acima de tudo, ele pensa em se levantar
Do chão que não é só cuidado, ganhar a nuvem, também, que não é só ideal impossível
E atravessar o infinito, pois todo ser que é mais que um ser, quer superação, quer ser mais que o material
Em que se reconhece. Como um felino nervoso, então, palpando a noite com cuidadosa minúcia,
Larga por um momento a raiva, a relva e a astúcia, vê-se no espelho d’água como se pelúcia
A natureza mãe amante lhe ofertasse ao toque e vai a reboque da sua percepção ferina.

Rogério Camargo e André Anlub®
(19/12/14)

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