Dueto da tarde (XX)

Desenhando as estrelas, contornando as montanhas, alinhando os mares, criando os homens e seus pares
Com as mãos em sóis abertos e o coração de carne nua com a lua na sua paisagem.
O corpo é balão de gás hélio, a alma já está no espaço
E o espaço que o ocupa é o infinito na casca de noz, é tempo cabendo no tempo eternamente.
Defronte ao delírio do homem (ao ter que criar e expor a esperteza) fica arredio e temeroso, volta-se à natureza.
Naturalmente ela responde com suas estrelas, suas montanhas, seus mares – aos pares às vezes, às vezes não.
Quando se trata de criação, sempre existirá o incerto, como se fosse um incesto validando a ação.
As janelas da percepção escancaradas deixam entrar uma luminosidade que não entende, que tende a enquadrar 
O latente que é existir na parte da arte que não se submete à perfeição.
Por elas, desenhando montanhas, contornando estrelas, alinhado pelos mares, o criador dos homens e pares vai.

Rogério Camargo e André Anlub®
(22/12/14)


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