Manhã de quase Natal


Manhã de quase Natal

Veemência ao máximo, mas a corda ruída;
Troca-se a música erudita por um funk pesado.
Na beira do abismo com o pensamento equivocado,
Constrói-se o equilíbrio conforme a necessidade.

E atravessa-se o vale:
Agora se vê cedros secos e regadores lotados d’água;
Ave cinza voando ao redor de arco-íris.
Foca-se a íris em bocas que com todos falem,
Palavras inexatas – incoerências em dialéticas.

E retorna-se à corda, não se sossega o facho:
Acorda os olhos, pois agora é real perigo;
Nostálgico tempo, vento e desabrigo.
Pede-se o ofuscamento, pois coragem em andamento...
O sangue corre quente e rente à corda balança a mente.
(troca-se o funk alto por Ron Carter e seu contrabaixo)

E acorda-se do sonho, agora voa-se baixo:
Céu encoberto, nuvens à vera,
Ventos fortes de leste varrendo a estação;
O sol quente que preste, a cachoeira à espera,
Nos poemas – quimeras; para as feras, oração.
(fica Ron Carter e seu contrabaixo).

André Anlub®
(22/12/14)

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