A espada é erguida em algum ponto do planeta;
Logo em seguida derrama-se a tinta da lança chamada caneta.
Dos martelos
(6/8/12)
Já voltei daquele passeio
Em terras loucas e quentes,
Com aquele absurdo vermelho
Que adorna por ser inerente
Às paixões corriqueiras.
Estou exausto
Feito cão em fim de passeio,
Com a língua pra fora
E o coração festeiro.
Eu em plena liberdade,
Tenho um letreiro na testa,
Escrito que o sexo é festa
E o amor finalidade.
Acho que sempre me alongo
Quando escrevo sobre esse tema.
Vou e venho no trapézio e na cena
Ao som de um zepelim e seu gongo.
Por livre e espontânea vontade
Exponho-me.
Ponho-me a entender o assombro
De que não há sempre certeza
Para toda a verdade.
Assim constroem-se castelos
Nos terrenos da avareza.
E o plebeu no destino,
Do nordestino ao sulista,
Dominará seu recinto,
Erguerá seu martelo.
Adversidades acontecem, muita luta e pouco caso, e sensações se perdem; O rabo abana o cachorro, o choro do velho solitário. Mas há de se ter esperança, (no coloquial - na criança) nas palavras que amadurecem.
“Bon Vivant”
(26/1/13)
Deitam-se nos leitos de letras
Sob o olhar de um grifo.
Osculam suas grafias,
Afrodite adotada.
Bem tratados, enfastiam,
Criadores que tudo criam.
Poucas são as causas que agarram,
Muitas são suas fantasias.
Se aquecendo no fogo de Nero
Ao som de hinos homéricos.
Ah, mil redes confortáveis,
Sentindo brisa doce na face,
Seguem confortados na vida
Ao tom de uma pressuposta amada.
Governados por algo,
No absoluto, por rosas.
Permeiam no céu com alvoroço,
Rodam pelo colosso de rodes.
Passeiam no manuscrito de Virgílio.
Ficaríamos a eternidade, ponderaríamos em múltiplos dialetos: em esperanto ou mimica, canto dos anjos, sinais de fumaça; em puras línguas e raças, dos baldios ou espertos, até além da imortalidade.
Mas salivas não seriam gastas à toa, expondo as qualidades extremas, da força da inteligência e o poder do ventre e da cria ecoando ao vento e ao sempre.
A voz que nunca é pendente, nesse momento presente, agarra a unhas e dentes, no direito de expor ao planeta o que das mulheres pertence.
Dos antolhos
(5/6/12)
Quero um apropriado escudo Celta,
Pois há lanças voando sem rumo,
Almejando ébrias mentes sem prumo,
Mas por acidente a mesma me acerta.
Quero o melhor dos virgens azeites,
Pois nas saladas só tem abobrinhas,
Na disparidade de várias cozinhas,
Todos adotam a mesma receita.
Quero ver e ler o que outros registram,
Sem antolhos nem cínica mordaça,
Sem caroço impelido na garganta,
Faz o engasgo que mata na empáfia.
Mas não só quero como também ofereço,
Meus singelos poemas com terno adereço.
E com pachorra e olhos modestos,
Vê-se admirável o que era obsoleto.
Ando com ideias antigas de modernizar meus conceitos.
No fundo, são adágios superados...
Há tempos que tenho a teimosia de querer ser atualizado.
Sempre vivo
(4/1/13)
Precisamos de dias mais longos,
Cheios de ar, aves; árvores por todos os cantos,
Cantos açucarando os pesares.
(Afagando os ouvidos)
Ouvi dos sinceros seus sins,
Som de detalhes...
De talhes simplórios,
Corpos notórios,
Felicidade - gemidos.
Precisamos de larga boca
E nada oca a mente.
Mente aquele que no medo,
Em segredo,
No paladar do azedo,
Expõe que não ama
E não segue passo à frente.
Por aqui, por ali,
O sol nasceu mais vivo;
Vi você de repente,
Menos breve e arredio
Arrepender-se contente.
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17 de agosto de 2021
20 de agosto de 2015
E por fim...
Estou muito compenetrado nas minhas
distrações,
A tal modo que me flagrei dançando sem
música
E assim segui até o final do disco.
Ele é barco à deriva,
com pernas já cansadas
olhos que veem pouco
a voz que é quase nada.
Mas ainda joga o jogo
tem asas para o voo
e aposta sempre alto
num farto salto solto...
Ele pode ser eu
ser você
e ser todos.
André Anlub (5/2/14)
E por fim...
Ela quer recuperar a autoestima,
Não ser a vítima dentro da situação...
Na contramão de um sorriso largo,
Na contradição de um fácil enigma.
Não quer falar nada sobre o salto alto,
Nem a inocência da criança interior.
Não fala do caro perfume de odor barato
Que ao apreço e ao berço impregnou.
Traz má sorte ver a cara da morte
Antes de consolidar o casamento.
Se for para elogiar, que seja seu consorte,
Se for para ferir, que seja o mundo inteiro.
Se há algum segredo nos que cultivam medo,
Deve ser mostrado, pois o solo é sagrado;
E se o mesmo é fértil (produz belos rebentos)
Esconde-se o erro, fere a fogo e ferro.
André Anlub (04/04/13)
19 de agosto de 2015
Moedas no fundo do poço
"Nós não temos uma notícia sobre o perigo da instabilidade econômica mundial, da situação da Europa, da situação dos...
Posted by TV Brasil on Quinta, 6 de agosto de 2015
Moedas no fundo do poço
(André Anlub - 12/8/13)
Tudo mais claro e prático
Dentro do meu sorriso.
Fez o improviso arrepiar o pelo
E esquentar a alma.
Então exibo agora o nosso real
E o meu inventivo.
E pedindo eu viso que assim o faça
Sem mais ou mal...
Seja leve seja doce, assim como nossa melodia.
Seja a lua do meu dia e da minha razão o sol.
Nos anos de branco e preto só tenho que agradecer
A lealdade que migrou pra força e explodiu sincera.
Procurei a luz nos versos
De todo e qualquer resplandecer;
Topei com as mais vivas cores e amores
De uma nova era.
Vindo as noites frias já me aquecia
Nos seus lábios.
E nos alfarrábios com as poesias que levam ao alto.
Fiz do poço o salto
E do básico todo um universo.
Ilustrei meu inverso
E ao invés do trágico fitei o palco.
Sem obrigação a vida corre farta feito um rio
No calor e frio por entre rachas, por entre rochas.
Não há razão pra ter em tudo uma noção,
Nem resposta.
No oposto se faz aposta
E sempre haverá moeda
No poço de toda fossa.
13 de agosto de 2015
Ledo engano
¡Qué loco se ve esto!¿Te animarías a hacerlo? :O#YoEstudioLoQueAmo #SoyUTEG
Posted by UTEG Oficial on Quinta, 30 de julho de 2015
Lembrei-me da mocidade
num instante congelado
ao som de um verde pássaro
nesse nosso antigo lago.
Uma pequena e livre garça
charmosa, cheia de graça
dançou desengonçada
sobre a água - sob o sol.
Fitou-me com ousadia
e de leve fez barganha
num breve arrebol que banha
meu amor no espelho do céu.
(André Anlub - 9/2/14)
Ledo engano
Ouvem-se boatos que o amor não vale a pena
insistem em citar as uniões que deram errado
evidenciando nas relações o sigiloso pecado
colocando fogo no teatro, desdourando a cena.
Filosofando sobre o amor e o mundo
hoje amanheci bastante confuso
quase discriminando o certo ou errado
sobre o que é ser vitorioso e fracassado.
Descobri em velhas trilhas os caminhos novos
cada qual escolhe o que quer, é bem sabido
mas propender para o atalho é um ledo engano
antigo clichê que é dormir com o inimigo.
O amor é intrínseco no ser mais brioso
meticuloso com a mais esplêndida jornada
eleva as nuvens - voando baixo - o ser vistoso
sempre o amparo da sensação resignada.
(André Anlub - 1/4/13)
9 de agosto de 2015
Falando com nuvens
Are you ready?#BillabongProTahiti August 14 - 25
Posted by World Surf League on Sábado, 1 de agosto de 2015
Em seus tronos na zona de conforto
estão otimistas os deuses de todos.
Roupas alvas, flores brancas
e o sol desbotando as flâmulas.
Falando com nuvens
Noite passada sonhei com poesia
aquele sonho arranjado de calores misteriosos.
Ao som de uma orquestra as janelas se abriam
e em mil cantorias - pássaros curiosos.
Longe, no alto, algo reluzia
mas não sei o que era, tampouco queria.
Sempre enfoquei seu rosto em tudo
- é de um absurdo - é meu mundo de gosto.
No sonho alagado os caminhos imersos
feito um delírio aos montes, na mente famélica.
Estrelas pratas formavam de tão doces quimeras
e transbordam à vera, e transcorrem os versos.
Fiz de mim um homem pássaro
(o passo)
No meu eixo um homem peixe
(muito avexo)
No meu mundo, homem comum
(o oriundo)
Longe, as nuvens comunicam:
surgirá a estigma do amor sem fim.
Tudo torna-se arquipélago numa única ilha
uma desmesurada esperança que contente habita
fazendo-se amiga e parte de mim.
André Anlub®
(16/1/14)
7 de agosto de 2015
Tempo de ser flores
Who wants to be like Gwyn Haslock when they're older? She's 71 years old and she still surfs regularly...Video: Land Rover
Posted by Cooler Magazine on Segunda, 20 de julho de 2015
Tempo de ser flores
(André Anlub - 6/3/14)
Camélias brancas que transbordam a paz
Embelezam na alma os jardins de consensos
Das tolerâncias os incensos mais doces
Afogando os rancores em um amor mais intenso.
Na cadência das orquídeas
Nas grandes janelas dos casarões
Em estufas de barões
Ou arredores dos tugúrios.
Flores...
Entregam-se com beleza rara
Fino odor imaculado
Seda frágil, doce sina.
Imponente desenho das tulipas
De seis pérolas em lindas pétalas
Coloridos ímpares
Nutre a inspiração dos poetas.
Girassóis já remetem à arte
Do gênio singular dos pinceis
Conduzem a pueril cor do singelo
Para o belo arco-íris de êxtase.
6 de agosto de 2015
Três sobre sonhos
Sonhei com o Tibet
(André Anlub - 30/03/13)
Por vezes penso em puxar a tomada, desligar-me de tudo, raspar a cabeça, limpar a consciência e ir atrás da paz interior.
Sonhei com o Tibet! e pra quebrar o tabu sem quebrar a tíbia, vou tocar tuba dentro da taba deitado em uma tumba.
Descansando aqui, no meu banco de pedra iluminado pela lua cheia que disputa importância com o poste de luz.
Novamente, bloco e caneta nas mãos e um pouquinho de inspiração; tenho a sensação estranha de estar tendo uma experiencia tipo extracorpórea.
Os cães latem ao longe e pra longe se desloca meu pensamento... logo, logo, eu volto.
Me apaixonei num sonho
(André Anlub - 10/6/14)
Nenhuma noticia do juiz cruel e seu dedo funesto e tremulante; nem por um instante, e dou graças aos deuses, deu sinal. E cabe quando, a qual, a quem afinal, vestir o corpo com a tez do pecado? Eu não, e por enquanto sigo no não... não sou réu aqui, sou sonho; aqui sou o que, o qual, e quem quero. É sim me apaixonei no sonho, e como ela é, não digo. É sim, pois aqui nada é pecado, nada é mutilação, traição, tampouco mau gosto, e não existe nada de oposto, nem mesmo a contradição. Esse sonho não é feito para olhos alheios; até mesmo a escrita é em linha reta... sem partida – chegada, sem meta, sem nem ao menos “os meios”... (uma boa merda). Mas qual graça teria ser e ter o perfeito em volta sem a vida às vezes em reviravoltas, sem solda nem fenda, sem pouco nem sobra, sem erro ou acerto? (uma boa bosta).
Mais uma vez me apaixonei em um sonho
(manhã de 3 de junho de 2015)
Sonhar com o futuro, com algo futurístico, é simplesmente incrível. E nesse caso que irei narrar é também assustador. Sonhei ser jovem novamente, em um futuro não muito distante. Dava para entender que eu estava há poucos dias trabalhando com artes e em uma loja enorme, de roupas sociais e esportivas e também acessórios em geral. Loja com três ou mais andares, com muitos vendedores e pessoas de criação, computadores, salas de relaxamento, áreas de criações, bronzeamento, cafés, refeitório e uma vista para lindas e verdes montanhas com carros em formatos de naves, que voavam e passavam a todo o momento ao redor. As paredes eram todas de vidro, até as escadas e os elevadores que levavam aos outros níveis, também eram transparentes. As pessoas andavam de um lado para o outro com seus Tablets nas mãos e telefones estilo telemarketing. Tinha um ar de quartel general de serviço secreto. Mas não era. Algumas pessoas eu conhecia e trocávamos um sorriso mais longo aos cruzarmos. Outras aquele breve sorriso de pessoa pouco conhecida. Eu estava muito feliz, dava para sentir. Mas dava também para perceber que tinha pouco tempo de casa, e aquilo ainda me assustava um pouco. Tudo era inovador: desenhos de moda e cenas de filmes passavam no ar em uma projeção holográfica. E nós, as pessoas da firma, conforme caminhávamos, atravessávamos por dentro deles. Não tinham compradores, era uma grande área de criação, mas que ficava em local público. Como que se houvesse a necessidade das pessoas (consumidores) olharem que estávamos produzindo. Era tudo novo e fascinante. Eu usava uma roupa bem moderna, mas que se enquadraria perfeitamente nos anos 80. Infelizmente não vi o meu rosto – fiquei pensando nisso boa parte da manhã (depois de acordado). Até ai é um sonho fantástico, diferente, interessante e que quis que durasse muito mais... Mas sonhar que está apaixonado e a paixão ser recíproca é que me deixa realmente intrigado. Havia uma pessoa, uma amiga íntima que compartilhávamos de um amor intenso – apesar de ainda não estarmos juntos – ela trabalhava comigo e trocávamos muitos olhares, nos falávamos com frequência, pois ela era uma espécie de supervisora geral que ia de sala em sala, de área em área, apara trocar informação. Ela era misteriosa, mas extremamente simpática, diferente, sempre alegre. Pegava-me pela mão para mostrar cada novidade, pedindo minha opinião – meu olhar –, a cada ideia criada por outros, a cada coisa inusitada que acontecia... Ela, a princípio, é minha melhor amiga; dá para entender que foi ela quem me convidou para aquele emprego. Descobri durante o sonho que a gente não se conhece de anos, vamos nos descobrindo com o tempo. Cada vez mais ela vem à minha sala para ver como estou me saindo e pedir opinião em algo que faz. Descobri também que ela é a única pessoa, além de mim, que é heterossexual da loja. Há nela uma timidez absurda quando se comenta da sexualidade de todos, pois há bissexuais, há gays, há pessoas que não se consegue descobrir o sexo, e ela sempre indiferente não vendo importância no fato. E, no fundo, realmente não havia. Havia, no geral, homens e mulheres à vontade, que andavam nus na parte de cima do corpo, mostrando os corpos sempre quase magros, mas nunca fortes; alguns excessivamente magros, bronzeados e só com uma roupa íntima de baixo (eu era um deles). A empatia, a troca de sorrisos, a comunicação maior foi justamente com ela. No sonho tento ao máximo não demostrar o amor, mas logo os amigos comentam comigo em tom de brincadeira e apoio. Até que chega um momento que estou correndo em uma esteira e ela chega com um sorriso diferente, me pega novamente pela mão, saímos da loja com todos olhando, vamos andando em uma espécie de shopping e ela me chama para almoçarmos em algum lugar distante... Mas antes nos encaramos um pouco, olhamos sérios e diretamente nos olhos, com as bocas a menos de oito dedos de distância, e o beijo é inevitável. O sonho se acaba e fica a sensação de “quero mais”, de que estaria porvir; ficam as perguntas: quem é ela e de onde eu a conhecia? Ficam as curiosidades: em qual época foi aquilo e como foi nosso passado antes do inicio do sonho? Fica a impressão estranha de eu ter acordado, já ter ido ao banheiro, lavado o rosto, feito o café e o amor ainda estava no corpo – como se estivesse esquecido de acordar – e segue com o tempo, a cada segundo se esvaindo e indo para uma outra dimensão ou era. O esquecimento de tudo vem tomando conta aos poucos com a verdade e o tempo da vida real.
Alexandre Versignassi
"Imagine dois pontinhos. Agora, que você está acordado, eles vão ser só dois pontinhos mesmo. Mas no sono profundo é diferente. Se uma parte do cérebro imagina isso, outra área fica inspirada e cria um par de olhos. Mais outra pega e coloca esses olhos numa face. Se o rosto sair feio, a área mais burra da mente se assusta. E solta um comando mandando você correr. Começa o enredo de um sonho. Louco, mas a realidade não é muito mais sã. Pense em alguma coisa estúpida. "Martelo", por exemplo. Não existe nenhum lugar na sua cabeça com a definição da palavra "martelo". Tudo o que há é um mosaico de referências: a dor no dedo depois de uma martelada infeliz, a imagem da caixa de ferramentas do seu avô... Elas só se juntam de vez em quando para formar uma ideia sólida, igual acontece com os tijolos mentais que constroem os sonhos. A realidade e o sonhar, na verdade, se completam. E a ciência está descobrindo que uma não existe sem a outra. Vire a página para saber o que os sonhos realmente são. Isso se você não estiver sonhando neste momento.
Você tem 3 vidas paralelas. Uma é esta aqui, de quando você está acordado. Outra é o sono. O sonho é a terceira: duas horas por noite em que o corpo está paralisado, mas algumas áreas do cérebro ficam mais aceleradas do que o normal. Só que de um jeito diferente: de dia, a parte do cérebro que mais trabalha é o gerentão da mente: o córtex pré-frontal, o setor de massa cinzenta logo atrás da sua testa responsável pelo pensamento racional. No sonho é o contrário: essa área apaga e o resto funciona a toda.
Para entender melhor, pense no cérebro como uma escola. De samba. São várias áreas (ou alas, no caso) fazendo tarefas diferentes. Na vida acordada, cada uma faz seu trabalho bonitinho, sob o comando do córtex pré-frontal. Mas à noite é anarquia pura. Livres do controle da gerência, áreas que nunca interagem de dia começam a trocar informações feito loucas. Tipo: passistas da ala das memórias antigas se embrenham na do córtex visual (a parte que processa imagens). Nisso as memórias incitam a produção de um cenário do passado. E você pode sonhar com um lugar bonito para onde foi aos 6 anos de idade. Depois gente de outra ala, a das emoções profundas, aparece por lá. Aí o amor da sua vida pipoca naquela paisagem. E a festa na sua cabeça vai entrando pela noite. Cada vez mais doida.
Chega uma hora que ninguém é de ninguém. Tudo fica misturado. Aí você pode sonhar que seu escritório fica num barco, e que esse barco navega numa avenida. Quer sair voando? Beleza. Nem o pensamento racional nem a gravidade estão lá para impedir. A memória de curto prazo, que depende diretamente do córtex pré-frontal, está desligada também. Então os rostos mudam o tempo todo, você não consegue ler direito... Até por isso seu avatar do sonho é sempre disléxico.
Parece só uma farra mental. Mas não: os sonhos têm um propósito. E justamente o mais inesperado: eles tecem a realidade.
Como? Para começar, eles resolvem seus problemas. Foi o que concluiu um dos neurocientistas mais respeitados do mundo, Robert Stickgold, de Harvard. A base para isso foi uma experiência simples, feita neste ano. A equipe de Stickgold colocou 100 voluntários para andar num labirinto virtual, um daqueles 3D, de jogos tipo Counter Strike. O grupo foi posto para treinar as manhas do labirinto, aprender a navegar nele, por algum tempo. Depois deram um intervalo de 5 horas e chamaram o pessoal de volta para uma prova: ver quem conseguia achar a saída do labirinto mais rápido. Mas tinha um detalhe: os pesquisadores colocaram metade dos voluntários para tirar um cochilo de duas horas. O resto ficou acordado. Na volta, o time dos dormidos se deu ligeiramente melhor que o dos despertos - demoravam alguns segundos a menos para encontrar a saída.
Até aí, nada de mais. Mas veio uma surpresa. Entre os que foram dormir, alguns sonharam com o jogo. Esses tinham virado Ayrtons Sennas do labirinto: melhoraram seu tempo 10 vezes mais que os outros. Os cientistas ficaram eufóricos. Mais ainda depois de ler os relatos dos sonhadores. "O jogo me fez sonhar com uma caverna que visitei - e no sonho ela era tipo... tipo um labirinto", disse um. "Só ouvi a musiquinha do jogo no sonho", falou outro. Mas como isso pôde melhorar o desempenho deles?
Para Stickgold, essas imagens mentais eram apenas uma sombra do que o cérebro dos voluntários fazia de verdade. E o que ele fazia era processar o labirinto no meio da balbúrdia dos sonhos. No caso do rapaz que sonhou com a caverna, por exemplo, estava claro que o jogo se fundia às memórias antigas dele. Era como se a experiência nova, a de aprender a se virar no labirinto, estivesse entrando no meio da escola de samba desgovernada.
Stickgold imagina que, quando o cérebro digere alguma experiência dessa forma, ele faz algo especial: extrai o que há de mais importante nessa experiência. Aí ela fica mais compreensível. E você aprende algo novo sem se dar conta.
A conclusão é ambiciosa. Para o neurocientista, isso acontece com tudo o que o cérebro capta. Nada deixa de passar pela festa dos sonhos. É nela que peças do presente se encaixam com as do passado, formando a imagem mental que temos do mundo. Nessa imagem está tudo o que você sabe, do significado da palavra "martelo" até seus amores e traumas.
Não há uma prova definitiva de que é assim mesmo que tudo funciona. Mas as experiências de laboratório indicam que sim. E as da vida real também. É comum, por exemplo, acordar com uma ideia nova. Prontinha. Já aconteceu com você? Com Paul McCartney aconteceu. Numa manhã de 1965, ele acordou com uma música na cabeça, foi para o piano e tirou a melodia. Ficou estarrecido. "Não acreditava que ela pudesse ser minha", disse. Era, sim. E acabou gravada com o nome de Yesterday. Coincidência uma obra onírica ter virado o maior sucesso comercial da maior banda da história? Talvez não. Satisfaction, a mais célebre dos Stones, também apareceu num sonho - de Keith Richards.
Mas ninguém teve sonhos tão célebres quanto outro sujeito: Freud, que escreveu sobre o assunto usando em grande parte os próprios sonhos como base. Apesar dos avanços da neurociência, suas ideias sobre o mundo onírico continuam respeitadas. Faz sentido? Sim. E não.
A teoria de Freud: os sonhos são a manifestação de desejos reprimidos. Ponto. Vários sonhos, de fato, parecem ser isso mesmo. Se você está com sede, provavelmente vai sonhar que está bebendo água.
Mas o problema nela é óbvio. A maior parte dos sonhos não tem nada a ver com desejo. Uns são tão banais que não podem entrar nessa classificação. Outros são pesadelos. Alguém deseja morrer afogado por uma daquelas ondas gigantes de sonho? Ele sabia que não. Mas batia o pé: os desejos estariam quase sempre disfarçados. Sigmund explica: "Um dia falei para uma paciente, a mais inteligente das minhas sonhadoras, que os sonhos são a realização de desejos. No dia seguinte ela me contou ter sonhado que estava indo viajar com a madrasta", escreveu em seu A Interpretação dos Sonhos, de 1899. "Mas eu sabia que, antes, ela tinha protestado contra o fato de que teria de passar o verão na mesma vizinhança que a madrasta. De acordo com o sonho, então, eu estava errado. Mas era o desejo dela que eu estivesse errado, e esse desejo o sonho mostrou realizado." Acredite. Se quiser.
Por essas boa parte dos pesquisadores de hoje prefere tratar Freud mais como literatura do que como ciência. A gente sonha com água quando está com sede? Usando as analogias deste texto, a explicação seria: o pessoal do sistema límbico foi até a ala do córtex visual e disse que seu corpo estava com sede. O córtex pegou e criou uma imagem que tem a ver com sede. Sem drama. O sonho da paciente inteligente? Bom, às vezes uma viagem de trem com a madrasta é só uma viagem de trem com a madrasta...
Mas alguns cientistas defendem que as pesquisas modernas confirmaram muito do que Freud pensava. Allen Braun, um neurologista célebre, faz uma defesa sólida: "O fato de as regiões do cérebro responsáveis pela memória emocional e de longo prazo ficarem supercarregadas enquanto as do pensamento racional repousam pode ser visto em termos freudianos como o ‘ego’ saindo do comando e dando liberdade ao inconsciente", diz. Mas ele também acha a teoria de Freud defasada.
A interpretação moderna dos sonhos é mais complexa. Quem estuda a mente hoje olha com atenção para os detalhes do sonho de cada pessoa, sem correr atrás de interpretações genéricas. Usar símbolos universais, do tipo "sonhar com água significa x ou y", então, nem pensar. Isso seria subestimar o maior talento do cérebro sonhador : a capacidade de criar metáforas surpreendentes.
Ann Faraday, uma psicóloga americana especializada em sonhos, tem um bom exemplo dessa habilidade poética. Ela estava para ser entrevistada no programa de rádio de um certo Long John Nebel. Aí, na noite anterior, sonhou que um sujeito de ceroulas a ameaçava com uma metralhadora. Símbolo fálico, desejo sexual enrustido... Tem tudo aí. Mas não. A interpretação dela foi bem mais direta. Long John é "ceroula" em inglês, e o apresentador era conhecido por ser particularmente ferino. O sujeito de roupas íntimas, então, era uma metáfora que o cérebro dela arranjou para o nome do sujeito; e a metralhadora, uma para o medo que ela sentia de ser agredida na entrevista. Só isso.
E tudo isso. "Podemos aprender sobre as emoções que nos guiam na vida real se prestarmos atenção nos sonhos", diz o psiquiatra J. Allan Hobson, de Harvard. O exercício aí é tentar decifrar as metáforas dos sonhos, encontrar quais elementos da sua vida estão por trás delas - uma tarefa profunda e pessoal em que nenhum dos dicionários de sonhos já feitos desde a invenção da escrita vai poder ajudar.
E nem sempre será fácil. A psicóloga americana Rosalind Cartwright, por exemplo, concluiu algo paradoxal com base em anos de estudos: que os rejeitados num relacionamento que mais sonham com o ex são os que se recuperam mais rápido do baque da separação. Isso casa bem com as pesquisas de Stickgold: talvez seja o cérebro maquinando formas de lidar com o rompimento, dando um jeito de aliviar a dor. Mas não dá para ter certeza, só especular. Ainda há certas coisas entre a vida real e os sonhos que estão além da ciência. Para começar, não dá nem para saber se você vai acordar daqui a pouco e descobrir que tudo isso foi um sonho. Mas ok. No fundo, dá na mesma."
Fonte: http://super.abril.com.br/ciencia/sonhos?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_super
Flor de lis, de lírio e lírico
Posted by Ale Safra on Quarta, 5 de agosto de 2015
Flor de lis, de lírio e lírico
(André Anlub - 6/1/13)
Chegando do silêncio veio como tempestade
e mordia suas ideias
tirava os laços dos futuros presentes
mostrava o onipresente
que ao botar pra fora os dentes
provava não ser um Oni enfim:
Nomeada como imperatriz de amores
que ganha de súbito
sua coroa, trono e sonho
se aproximando do súdito
com suas suntuosas flores.
Ouço você falar em público:
- o que seria mais certo - onde estaria o erro - qual a importância disso
A resposta vem com o ar fecundo
quebrando o coeso silencio
queimando mil brancos lenços
prevendo o fim dos futuros lamentos.
A resposta bateu de frente
com seu cheiro de alfazema
com seu humor de hiena
e interpretação eloquente.
Na tela do cinema da esquina
já se viu esse filme antigo
de um multicor lírico
com tons de pura boemia.
Sim, é poesia!
Faz crescer as flores
e nasce nas flores crescidas.
Hakuna Matata
Estamos prontos! Para viver o sonho, para transformar, para receber atletas e o mundo todo. Para colecionar momentos...
Posted by Rio 2016 on Quarta, 5 de agosto de 2015
Hakuna Matata
(André Anlub - 1/4/12)
Todos nós temos nossos gritos de guerra. Uns saem com veemência do âmago e atinge altas altitudes, outros são soturnos, mas nem por isso tem menos força; cada qual depende das pessoas e suas vicissitudes; a cobrança exacerbada e permanente que passamos na nossa vida.
Algumas portas que não se abrem e algumas estradas sem saída... fazem cada vez mais ser comum a convivência com tais gritos; quem nunca sentiu aquela imensa vontade gritar bem alto... a cada lágrima de amor que cai em insistência... cada punho cerrado de raiva por um calote que levamos... os inúmeros deboches estampados na cara da vida... mesmo sabendo que tudo é intrínseco desde a nossa nascença. Cada qual encara os problemas da sua maneira; o tropeço jamais deve merecer apreço; o inimigo jamais deve trazer perigo. Preto no branco, e se a coisa está preta, o branco prevalece na nossa bandeira.
Muquifo Imaginação Poética no Facebook: https://www.facebook.com/groups/imaginacaopoetica/
5 de agosto de 2015
Morreu a escritora e artista visual Ana Hatherly
Inspirado na Ana Hatherly:
Seu amor me implantou uma espécie de dormência,
Algo incômodo que carrego junto à carência.
Amor fantasiosamente assombroso – casto colosso,
Que me pisa impetuosamente com pés quilométricos
E me acende o sorriso mais um par de vezes.
- André Anlub
"Morreu a escritora e artista visual Ana Hatherly, nascida no Porto em 1929, Ana Hatherly teve um percurso transversal no cinema, artes plásticas e prosa. O seu nome está inscrito na vanguarda da poesia."
A poesia entra em luto!
Saiba mais: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-ana-hatherly-a-pintora-da-palavra-1704158
Esta Gente / Essa Gente
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente
NENHUMA!
A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente
Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"
manhã de 5 de agosto de 2015
Aquele tal abismo: não sei se me encara, pois há um venda em nossos olhos.
(manhã de 5 de agosto de 2015)
Foge daqui, dali, e vai fugir do próximo planeta que descobrirem. A opção não é pular do penhasco, tampouco tentar voar sobre ele (em pessoa física); talvez um salto de base jumping; a opção “fugir” está ligada, o botão colado com supercola e funcionando em duzentos e vinte volts. E agora, será que há um meio de não fugir da questão? mesmo em casa, deitado na cama, bebendo suco de limão e assistindo um show de reggae, a questão me persegue. Ela vasculha minhas gavetas e deixa recado; ela abre meus armários e deixa recado; vai nos meus potes de tinta, no rolo do papel higiênico, vai na caixinha de remédios, se infiltra nas minhas imagens dos santos, nos meus perfumes e rascunhos de rabiscos. Está em tudo e todos. Fico assustado de pensar na vida que segue; não que esteja ruim, tampouco eu esteja infeliz, é que crio universos paralelos, mundos possíveis e passiveis de outros finais. Tudo dependendo de uma ou outra escolha importante que (não) tomei no passado. Meu corpo em metáfora emoldurou-se com um toque de filantropia; minha alma em pura denotação pintou suas bordas com um toque de nostalgia; assim foi-se o dia, e todo dia assim é assim é que vai. Num linguajar sacolejado por música, que me acompanha onde quer que eu vá, vivo e vive-se o momento como singular, como uma chuva rara que cai acalmando o calor, matando a sede e convidando-me ao mais verde vivente. Foge daqui, mas não foge de mim. Deixe seu cheiro seu rastro sua história e sua garantia de volta (caso queira); não seja breve nem longo, seja apenas o conforto para nós dois. Pense em mim, sim; mas não faça disso uma obrigação. A dosagem certa para cada sensação é chegar à beira do abismo do absurdo, mas não pular; brinque com ele, zombe dele, tomem um chá... Mas nem mais um passo à frente, pois extrapolar sentimentos é quase um se matar.
André Anlub
Há de se ter vida
Posted by Por um Rio Capital da Poesia on Quinta, 9 de julho de 2015
Há de se ter vida
(André Anlub - 23/4/12)
Ele chora, está com medo,
Com frio as lágrimas gelam.
No refugio do campo de trigo
Senta e sente o vento soprar.
Ele já foi louco, já foi vertigem,
Caçador de próprias luas,
Poeta de penas e plumas,
Exibia na cicatriz o segredo.
No momento procura abrigo
(velhos mitos perseguidos)
Sem valer de coragem ou esforço,
Sem tirar a faca de seu dorso.
Há de se ter força no amor que persiste,
Ao levantar-se refaz o caminho.
Vê a ave que alcança seu ninho
Mesmo a mesma estando ferida.
4 de agosto de 2015
Post Vitam
Só leva 30 Segundos para Entender Por Que as Pessoas estão se Apaixonando por esse Vídeo
Posted by Rodolfo Camargo on Quarta, 4 de março de 2015
Nas horas vagas os vaga-lumes iluminam o caminho,
Vagam de fininho em direção ao descanso.
Eu, manso, me misturo ao bando; acendo uma ideia na cabeça
e antes que eu esqueça voo de marcha à ré.
Post Vitam
(André Anlub - 28/3/13)
É intrusão essa voz na minha cabeça
Repetindo por horas e horas
Em diferentes idiomas.
São crianças, mulheres,
Homens e idosos.
Vozes roucas – vozes loucas
Sussurros e gritos.
Às vezes emudecem,
Mas em curto tempo voltam.
Vozes eufóricas que dizem coisas desconexas...
Falavam de amor,
De entrega;
Falavam de salvação,
Companheirismo,
Tudo que pra mim já estava enterrado.
Criticavam-me – bajulavam-me,
Jogavam rosas e depois pedras.
Por fim, desisti!
Aceitei as vozes e seus conselhos,
Deixei cair minhas máscaras.
Saí do meu ostracismo egoísta,
Fui me arriscar com mais afinco,
Viver mais intensamente
E fincar minha bandeira branca
Em terreno inimigo.
Post vitam...
Caminhando na praia
Com meu bloco de notas,
Rabiscando pensamentos,
Seguindo sentimentos,
Encontrei uma antiga paixão.
Aquela que marca como marcador de gado,
Deixando uma cicatriz impossível de esquecer.
Ela disse estar com saudade
E ter toda a liberdade para um novo começo.
Meu coração já enferrujado
Fez-se novo, jovial,
Fez-se outro...
Heavy metal.
A recomendação do meu ego
Era não se alongar na conversa.
Mas não havia mais máscaras,
Nem amarras, nem pregos,
Tampouco cruz ou pressa.
Procurei dois coqueiros,
Amarrei minha rede,
Saciei minha sede
E me permiti ser feliz...
(mais uma vez).
tarde de 4 de agosto de 2015
De longe o homem é apenas um ponto; de perto tão-somente continua sendo.
(tarde de 4 de agosto de 2015)
Sempre se sabe a real perspectiva do nada óbvio; finge-se às vezes não saber para continuar a ter graça tal coisa. Aquela mesma televisão grita novamente, mesmo a mesma estando desligada. A ilusão é clara e cala a coisa chula, imputa culpa nos culpados, desfaz o culto dos escutados, encurta aquilo e o faz voltar a ser isso; e é tudo isso, apenas tudo, para ver se cola. O que resta a todos é a sobra do futuro, é a esperança de Harley-Davidson na autoestrada; é a escultura da jornada pelas mãos de alguém como Niemeyer, talvez rodar nas mãos de Rodin... sabe-se lá! O dia nasceu velho, de barba por fazer e cabelos brancos que logo logo pintou de amarelo. À noite na espera, o maracujá gelado e o frio que aos poucos e cabreiro vai entrando pela janela, mas não esfria o ar viciado. É um mais um, na conjugação maluca que não aceita dar em dois. O mundo é isso ai, está claro, mas tenta-se transformar até as somas mais prosaicas e básicas em uma fórmula de Bhaskara. Apesar de muita gente tê-la de cor. Sempre se sabe o imaginário que virá à tona. É só parar por uns minutos e analisar os fatos. Mesmo no raso, mesmo no simples, mesmo o banal se repete em eco e navega dando a volta no tempo e se repetindo no amanhã. É fácil ser advinha, pois já se sabe as cores que irão colorir as próximas páginas. Pode haver mudança nos tons; pode haver um contorno mais grosso, ou fino, mas o desenho é um só. De longe, ao longe, a impressão de entrar na própria imagem; como um espelho de frente a outro, como olhar-se no espelho sabendo exatamente como é. Inicialmente veem-se os ossos em um contorno mágico – florescência –, e eles devolverão o olhar e serão prestímanos insanos; cada osso, dos grandes, médios aos pequenos, irá esbugalhar seus olhos até ressecá-los sedentos... Ira se dar então o além... verá seu interior, seu cerne; irá ver as cores que circulam e passeiam, se comunicam, se fundem em dégradés alucinatórios e estonteantes, como uma viagem segurando a mão de Alice. Sempre se sabe a real perspectiva; mas quase nunca temos a plena consciência disso.
André Anlub
Do ego
Será que a gente está usando o celular do jeito certo? O que é certo? O que é errado? Vamos falar sobre isso? Celular, #UsarBemPegaBem
Posted by Vivo on Quarta, 22 de julho de 2015
Do ego
(André Anlub - 30/5/12)
Ele segue altivo, vitorioso e de bela aparência,
Segue muito bom naquilo que gosta e faz;
No seu andar desfila, brilha e transmite paz.
- Mas tudo isso não deixa de ser o que ele pensa.
De superego inflado
Permuta por mais uma dose de ar,
Procura estar onde abonam tapinhas nas costas,
Ignora algumas perguntas, mas sabe as respostas.
- Mas tudo isso continua sendo o que ele pensa
Elogios e afagos (sem dietas) vão lhe alimentar;
No pódio ele quer sempre os três primeiros lugares.
E nos altares...
(ainda almeja ficar mais elevado).
Ego não tem encanto nem quando é verdadeiro,
Resta a agudeza de se achar beleza e um ser superior;
Tudo se mescla com as empáfias e indelicadezas
E mostra um mendigo buscando ser um pouco amado.
(...) e mesmo depois de tudo isso,
A vida continua sendo o que ele pensa.
3 de agosto de 2015
O peso da vida nas costas não dificulta o voo
Sentada à mesa ao jantar, perfeita na metáfora dos gestos; pegando o suco, molhando os lábios, encanto abrupto nos calores honestos. Sei dessa vida o meu vagar, sinto-me amar e vou dizer: tenho prazer nos excessos, dos seus ardentes hinos, sendo inteiramente felina nas horizontais de prazer.
1 - Ernest Hemingway // 2 - João Ubaldo Ribeiro // 3 - Fernando Pessoa// 4 - Zélia Gattai// 5-Jorge Amado// 6 -Carlos Drummond// 7 -Machado de Assis// 8-Virgínia Woolf// 9 - Cruz e Souza// 10 - Cecília Meireles// 11 - Clarice Lispector
(André Anlub - 1/10/14)
"O importante não é a casa onde moramos.
Mas onde, em nós, a casa mora." - Mia Couto
Às vezes constroem-se imponentes casas de madeira,
Às vezes impotentes castelos de areia.
Falando em outras épocas:
Não houve regras nem mesmices,
Nem de outros, quaisquer palpites,
Nunca deixei; (fui menino traquinas).
Até hoje em dia quando me apontam o dedo,
Aponto um lápis.
Na puerícia fui um príncipe - fui plebeu,
Fui o princípio das brincadeiras – fui o fim, pois também fui o rei.
Por essa razão ou outra, talvez,
Não existe agora, nesse tempo,
De um insatisfeito, nem um ínfimo resquício.
Vivia o hospício bem-vindo de um artista,
Vivia o “agora” sem a vil bola fora,
Que condiz com qualquer aprendiz.
Na parede da minha casa,
Descascada, carcomida,
Em linhas frenéticas de giz,
Comecei os primários esboços:
Linhas traçadas nas paredes
Do sóbrio Pollock de um metro e trinta.
O piso era velho, de taco,
E no meu quarto o desenho
De um tabuleiro de xadrez.
Em frente à casa uma mangueira,
E uma mangueira para regar e tomar meu banho.
Um balanço sobre a roseira
E os belos girassóis de Van Gogh...
Mas isso só em sonho.
Fui feliz naquela casa e nas outras que surgiram,
Pus meu toque ao adornar,
Pus a música e trouxe amigos.
Deixei o pássaro cantar,
O verde crescer e o cachorro latir.
Deixei o chinelo sujo de barro na porta
E guardei a lembrança da minha mãe sorrindo.
*Poema selecionado entre 80, ficando em 11° passando para terceira fase do concurso de poesias Autores S/A
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Biografia quase completa

Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)
Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas
Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)
• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)
Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha
Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas
Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)
Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte
André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.
Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.
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Filha e esposa de Edir Macedo dando, aula de desapego:
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Poemas de Manoel de Barros Via: Templo Cultural Delfos SEU MARGENS Seu Zezinho-margens-plácidas, célebre fazedor de discursos patr...
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Ontem tarde esqueci seu nome... Mas hoje cedo me lembrei de que isso não faz/fazia/fará a menor diferença. As melhores opções nem sempre s...




