manhã de 24 de julho de 2015



Papai está indo colocar a ração dos guris peludos. Mas o que será que isso quer dizer?
(manhã de 24 de julho de 2015)

É o começo da sincronia, da chama que vem do chão e sobe lentamente pelos pés, calcanhares, pernas, quadril e chega ao peito queimando, ardendo, apertando em demasia até o estouro final que ecoa ao cérebro. São fogos de artificio lançados de um poço fundo e saindo em mil cores naquela noite de dores, deixando tudo iluminado e belo. E a veemência? Está por toda a parte, nas asas batendo de um anjo caído, nos olhos vermelhos de um dragão que bebe a água de um rio e logo em seguida cospe um fogo sem fim. E o surreal da realidade com venda nos olhos atravessa aquela avenida movimentada em passos loucos de lentos, andando de lado e de marcha à ré. O liquido escorre de todos, o sangue nunca foi pouco; a avareza esconde tesouros que são achados tão facilmente aos de alma pura. A notória loucura das palavras faladas, a real estatura do gigante anão que vive em outra dimensão, um mundo paralelo, um elo perdido senão o elo de sempre nas mentes confusas. É o final da sincronia, ela está em sincronia então não há mais nada a ser feito. Deixam os relógios atrasarem, o arroz queimar, o ar rarefeito e os trejeitos do cavalheiro nu; para que tudo se comece novamente, para que os dentes cariados sejam tratados e as rugas nos olhos nos mostrem vivência. É o fim, é o começo, é a memória do que se esquece em cada amanhecer. Abro a manhã e vejo tudo novamente; o cenário não está de outra forma... Eu é que vejo com outros olhos; com olhos curiosos, duvidosos e nada eloquentes. 

André Anlub

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