Manhã de 27 de outubro de 2015



Manhã de 27 de outubro de 2015
Em tempo, vão-se os papéis, drivers, pen drivers, nuvens e véus... mas ficam os enredos.

Da minha boca sai dublagem, mesmo calada é dublagem; sai dublagem feito fuligem da minha seca boca. Inerte, costurada, sonífera, boca que sai poesia e fala às avessas, aos maltrapilhos e aos ‘becados’ de fraque e relógios de ouro. Línguas estranhas, saídas frenéticas, a ansiedade torna o indivíduo impaciente e até mesmo antissocial e egoísta; há de se não ter vergonha de assumir o problema, buscar tratamento e assim melhorar o convívio com o próximo. Mas a língua continuará por lá, em ‘stand by’ aguardando o tiro de largada. Os lenços estão limpos, novamente brancos, com nossas iniciais bem no cantinho. Comi uvas, cenoura crua e picada, atum delata e pepinos frescos, milhos, tomates cerejas... sujei meu divino divã imaginário... mas já limpei; contei meus segredos segregados... mas já espanei; já suguei todo sangue dos malvados... mas ainda não regurgitei. Palavras já ditas e frases feitas vindas de um louco menino. Algo do meu feitio pode ser feito, feio e fechado, arquivado em meio aos mistérios, fino no meio fio. Ponho-me a explorar o Cosmos, algo assim: desconhecido. É estranho, é ambíguo... é verdadeiro, sadio verdureiro e bem antigo... coisas de feiras livres. Saudade das feiras livres, do pescado, das frutas frescas e da xepa com hora certa... Amo o Brasil, beijo-o e flerto com suas mulheres, suas praias, maresias, suas poesias, favelas e botecos; apesar de muitas vezes concordar com os complexados vira-latas que bradam contra o Brasil – até achar que eles podem estar sendo sinceros – acho que o que dizem pode soar um misto de oportunismo, auto vanglorização, ingratidão e evidente menosprezo com o lugar onde nasceu. É aquela história de comer aipo: foi provado cientificamente que a energia gasta na mastigação é menor que a energia que o aipo lhe dá. Da minha boca não só sai dublagem... na fala se gasta energia... então, ao menor sinal de insatisfação tento melhorar a coisa, tento opinar para uma evolução, pois sei que apontar dedos de nada adianta. Super simples, acho que escrevi algo assim, a boca no transverso e no travesso e em anexo, o verbo; bebo e verto, inverto o abeto, embebo, indexo e enlouqueço... planto a árvore e grito com a voz rouca sem fim, o mesmo lamento em asas de um anjo jovem. O que foi feito foi nada feio (aliás, foi belo). As ruas limpas, os rios descem rapidamente sob o sol quente e brilhante. Era assim, é assim e acho que será assim no futuro próximo e também no bem longe. Todo dia a noite me beija quente e me desafia – fico feliz; toda noite o dia me grita doce e baixo que me espera para limpar a baba do beijo da noite. Se isso será sempre assim, arrumadinho? Não sei dizer! Morcegos amigos, asas negras, orelhas compridas, olhar certeiro na cegueira bem vista. O interlocutor se perdeu, gaguejou, borrou as calças e desencantou... aquela fala pormenor até queria ser entendida, ai de mim – por bem, por mal, ai de ti... e quem fica? Só fica bem na praia da Boa Vista (em Paraty). 

André Anlub

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