Bom domingo!

“Pouquíssimas pessoas podem dar-se ao luxo de ser pobres” (George Bernard Shaw). Tradução: pouquíssimas pessoas estão inteiramente em paz, tranquilas, isentas de conflitos por estarem à margem da roda de consumos. Porque ser pobre não é nada mais do que isso: não ter condições de adquirir o que as vitrines da fantasia oferecem, no sistema de compra-e-venda de prazeres. Pouquíssimas pessoas não se recalcam ao ver que os outros podem e elas não. Pouquíssimas não se rotulam de “inferiores” ou de injustiçadas pela sociedade que as marginaliza. Parte delas pode até ter uma atitude proativa em relação a isso, tornando-se batalhadoras. “Fique rico ou morra tentando”, diz o rapper tomado por filósofo. Isso até que tem o seu valor. Não pelo objetivo perseguido, que é fraudulento, mas pela força pessoal que desenvolve. A maioria, no entanto, se deixa cair na vala comum dos “fracassados”. Quando fracassado, na verdade, é este sistema que separa as criaturas entre vencedores (os que podem comprar) e perdedores (os que não têm dinheiro). Pouquíssimas pessoas ficam em paz no segundo grupo pela simples razão de que são raros os que entendem realmente o grande logro que há nesta oferta de benesses artificiais e que por inteiro, sem sobras nem carências, adaptam-se ao que a vida lhes deu e, porque a vida lhes deu, é de fato delas.

Rogério Camargo
· Porto Alegre ·

(via Facebook)

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