17 de fevereiro de 2020

Madrugada de 5 de junho de 2015


Firme e forte para cumprir tabela, ou fraco/forte para viver vivendo plenamente?
(Madrugada de 5 de junho de 2015)

É, é por pouco. Às vezes a vida nos beija, e com vontade. Tento todos os dias roubar esse beijo, fazer graça e soltar minha melhor cantada. Às vezes dá certo, outras vezes não. Já passei tempos sem falar muito com a vida, meio que “dê mal”, sabe?! Foram épocas que eu empurrava com a barriga, apenas vivia e já era o suficiente. Foram tempos duros, pesados, duraram quase uma década. Mas depois veio a forra. Aliás, antes mesmo desses “tempos” eu já me antecipei e vivi o suficiente para deixar a forra garantida. Nem necessitaria haver um Eu posterior... Mas houve e há. Penso que muita gente deve estar vivendo o que vivi nos sete ou oito anos que fui abduzido pela inconsequência e também inconsciência das coisas. Mas não vamos nos enganar... Muita gente é abduzida com consciência e com responsabilidade. Existe sim, e muitos. Viver levando a vida sem viver é muito comum e beira o imperceptível; é como estar no fundo do mar, ou da piscina, e não perceber que está molhado – pois já é natural de tão rotineira que é a coisa. Eu, por outro lado, fiz de tudo para ser percebido; principalmente por mim. Mas era o paradoxo: quanto mais eu me tornava óbvio, mais eu me distanciava do entendimento. Bem, isso já passou. Hoje tento fazer justamente o contrário, e o primeiro passo para tal é apenas saber que está feliz e bem. Pisando em solo lunar ou terrestre ou voando ou aterrissando ou aproveitando essa licença poética... sigo no sinal verde e atravesso no vermelho quando não há pedras em minha direção. Barganhar com a vida não funciona – já tentei muitas vezes –, a gente engana a todos ao redor (muitos enganam até a si próprios), mas enganar a vida é extremamente difícil: não no nosso mundo; não no nosso corpo; não com nossa consciência absoluta; não estando sã. Às vezes a vida nos beija, e é nessa hora que temos que aproveitar e ir à cópula – com carinho e vagarosamente – com jeito e sem alarde – com devoção e fé. Para sair da abdução tive que conhecer outros planetas e entender e achar meu caminho de volta. Comigo foi assim, não foi fácil nem difícil, e foi no tempo que tinha que ser. A meu ver cada caso é um caso, e cada um requer um entendimento diferente do momento; o mais importante é sempre o autoconhecimento, se conhecer... Caso contrário estará vivendo sua vida só para “cumprir tabela” ou estará vivendo uma vida paralela, onde já morreu e esqueceu-se de deitar.

André Anlub

16 de fevereiro de 2020

Das Loucuras (cheio de nove horas)


Das Loucuras (cheio de nove horas)

Apertou a mão,
Inverteu o lado de fato é gato e sapato...
Afogou o descaso
E no ocaso distribuiu a sopa aos indigentes.

A fogueira ainda queimava
Quando a tempestade se formava...
Desce água, desde sempre;
Sobe o tempo, desde o invento.
O formigueiro com seus ternos engomados
Em tempos eternos de mágoa.

No céu escuro as estrelas piscavam
E pareciam dizer algo;
É fato consumado de bocas consumidas por gula.
É a agulha que foi achada no palheiro,
Em meio ao nevoeiro;
Em meio ao fogo cruzado.

Olhos e cérebro fixos
Ganhavam confiança e inspiração,
À próxima viagem: saliente, ciente, mente focada – atilamento...
Trovadores e suas dores,
Seus blocos, suas canetas nas mãos.
Há tempos o veneno da lata;
Na lata a vermelhidão do passado.

Para o batente: escreve
E escreve o que vê o que fez o fato e o ato;
A vida em macro;
A vida bem ampla;
O mundo estanca;
E se arranca num zoom.

Cria – recria,
Crê – “podes crer” –,
Faz como quer.

Não é um qualquer,
Assim como um qualquer
Não é qualquer um.

André Anlub

9 de fevereiro de 2020

Baú de conjecturas



Baú de conjecturas

Eis a questão: abrir aquele baú de memórias,
Algumas boas, 
outras nem tanto, 
outras nem lembro:
(dizem que há lembranças do que não aconteceu).

Deixar a mente recordar – dar vazão na falta de razão,
Embarcar no trem das insanidades e paixões;
Aquelas que foram feitas nas noites sem dormir,
Nas falas sem sentido,
Nos botecos e afins.

Lembrar-se de amizades esculpidas com pressa e formão cego;
De esculachos em rixas fartas;
De escaladas em rochas altas...
Lembrar-se de ter esperado a nave com os Aliens me buscar.

Agora nós dois:

Passamos por dificuldades e terrorismos,
Andamos e nem sempre sorrimos.
Houve o momento de reflexão – a alma sentia dor;
Corpos enfastiaram,
Ideias se soltaram
E, comumente, se desligavam;
Tudo não estava mais (ou nunca esteve)
Talvez, assim, pra nós: bem, bom.

Nos controlamos – põe-se freios,
Iluminações, mesmices,
Vagamos turbinados dentro do turbilhão 
(talvez seja aquele litro de uísque).

No céu, na época,
Pequenas estrelas prateadas e felizes,
Vibravam e cegavam nossas vistas – então notávamos o nosso amor.

Lembranças, lambanças,
Festas, sexos,
Escudos, elmos e esmos...
O sorriso de lado no ambiente azedo
E o deboche no coldre do medo.

Laconicamente o lembrete: o jogo é incoerente – mesmo ganhando se perde.
Mas ninguém ganha! 
– nem mesmo quem acha que vence,
Pois para ganhar é preciso não jogar.

E ninguém quer ser um covarde jogado na lama,
Que fica e faz alarde,
Que já vai tarde,
Que já veio cedo.

Agora só eu:

Fechei o baú,
Mas tudo já estava na mente (onde sempre esteve),
O que havia era medo de encarar o fantasma
De ter despido o engano
E ter a certeza que ainda o amo.

André Anlub




6 de fevereiro de 2020

Resgate (7/3/10)






Resgate (7/3/10)

Resgato minha vida a cada letra que escrevo:
bela nostalgia, pretensa poesia; um coração e seu adereço.
Mergulho em sonhos, romantismo, cárcere;
Abstenho-me, choro, obedeço.

Na ponta da língua estão os amores,
No resto da boca, as paixões.
Conjugo verbos de pura magia,
Agarro as orgias e largo orações.

Transmito uma calma por onde transito,
Nas palavras que escrevo confio no meu taco;
Admito, no entanto, que gosto desse conflito;
Grito: não, à melancolia; seja bem-vindo, ao Baco.

No final das horas escrevi várias linhas,
Levantei castelos de imaginação,
Concedi ao inferno a minha presença
E ao firmamento entreguei minhas mãos.

André Anlub®


3 de fevereiro de 2020

O psicopata de si próprio é tão amargo quanto o mundo que o cerca.


O psicopata de si próprio é tão amargo quanto o mundo que o cerca.
(tarde de 21 de junho de 2015)

Eis aqui o sabichão, o homem da hora, o dono não só do pedaço, mas da coisa inteira; detentor de grande imaginação ele pensa ser dono, ou pelo menos conhecer, toda a sua completude. Não sabe que é nada além de um minúsculo, ínfimo e insignificante ponto nessa rua, dentro desse bairro, dentro da cidade... e por ai vai... Mas para não ser prolixo: ele é um naco de necas dentro do universo dentro de universos. O ser além do que é si próprio, enxergando um chifre na cabeça do unicórnio, sente-se maior que o mundo, melhor que o mundo, é dono de tudo e todos. Mas o dia fatídico chega, a manhã que nunca deveria ter ocorrido, e ele abre o visível e precioso espaço vazio, o oco, o eco, o eca, que já iria ser aberto algum dia (com ele morto), e coloca um pequeno cérebro dentro, um resquício de alguma coisa, aquele caroço de feijão ou semente de milho que sai ao defecar... Agora ele pega no tranco – então acaba a presunção e a navalha corta toda sua vida, todos os seus sonhos – seu vil e fétido ego –; corta seus pulsos e prepara a forca; agora ele descobre quem realmente é, e o pior: ainda está vivo! A sangria é enorme, tiro de quarenta e cinco em garrafão de cinco litros de vinho... O fluxo é farto, intermitente, mal cheiroso, de coloração baldia e horrível; a sensação de remorso é um osso duro de roer, é um pito de cigarro de quinta (Hollywood sem filtro), é um aperto bem apertado no peito (um nó cego); e tão forte, tão absurdamente forte, que ele morre aos poucos (aos porcos) por dentro, em uma tortura calma e silente; como um ácido com limão e vodca correndo sem pressa pelas veias, sorrindo e cantando Stairway to heaven, indo de encontro ao seu encéfalo. Agora ele fenece, e se liberta, e torna-se algo: o morto. 

André Anlub


27 de janeiro de 2020

Excelente semana aos amigos


É moçada...
A Mentira de pernas curtas, médias, longas, 
Maratonista ou vagarosa, 
Um dia se cansa da prosa
E acaba sendo alcançada.

Líquido sagrado de Baco

Rigoroso esse tempo bom na tela do céu azul,
Enorme pingo quente dourado, 
Mas amargurado ele caminha sem norte (também sem sul).

Só esperou o cair da noite e foi-se frenético abraçar a boemia:
Nas mesas bambas dos piores bares sentiu-se bem, satisfeito,
Era aquilo ali (Alá, a luz, além) que ele queria.

Com as paredes descascadas e encardidas, 
Banheiros de intolerável cheiro ruim;
A meia luz...
A farra no garrafão de vinho barato que esvazia:
Todo feio se faz tolerável;
O detestável é a alegoria da vida.

Com três palitos de dente se faz um xadrez psicológico,
De deixar Freud confuso e Confúcio fã de Pink Floyd.

O que eu faria em uma atmosfera assim? 
Além do porre corriqueiro:
De janeiro e meu aniversário;
De ver estranhos saindo do armário;
De tudo que é falso tornar-se verdadeiro.
O que eu faria?

Largaria o último copo e voltaria ao primeiro,
Desde onde a mente vai demudando,
O tom de voz aumenta, palavrão atroz vira salmo,
E enterra-se qualquer tormenta.

O que eu faria?
Vou voando – bem calmo ao terreno estrangeiro.
A insanidade das horas perdidas no líquido sagrado de Baco:
Com uma mão vai afundando o barco
E com a outra fornece o salva-vidas.


André Anlub®


23 de janeiro de 2020

Dos anátemas




Dos anátemas

Roubou alento de quem é mais anêmico
E pouco antes do mesmo fenecer 
Pisou, cuspiu e sorriu.

Entre sonhos ali e ali, envelheceu senil...

Achincalhou a falta ou a existência da fé alheia
E quem caiu na sua teia, o destino foi sucumbir.
A condição “sine qua non” para sua existência é macabra
Chifre de cabra, língua de serpente e asa de morcego
Seu amor é cego... Arrancou-lhe os olhos com um pé de cabra...
Derrubando o amor, o corpo, a alma, o ego.

Entre pesadelos aqui e ali, sobreviveu ao mundo. 

Nesse holocausto foi só mais um fausto,
Um molambo, sem pé nem cabeça, um “sujismundo”.

Fato verídico que poucos notam
A nota de 2 reais existe, e ponto...
Na ponta da faca escorre uma gota
Podendo ser sangue, suor ou pranto.

André Anlub®

21 de janeiro de 2020

Como era bom o meu Francês!



Das Loucuras (sexo, drogas e jazz)

“- Menage? 
- Não, obrigado...
De duas pessoas desapontadas comigo já bastam os meus pais”

Passei pano para uma menina que me desapontou
Hoje eu já iria preferir passar um café...
Talvez, quem sabe, por obséquio, chamar para um rolé
Mostrar quem fui e, agora, quem sou.

Sabia que a vida fluía, e o fluído descia à vontade
Sabotando vontades; quiçá um guisado de poesias ralas.  
O sonho alimentava a ansiedade, vontade de azul, mar, liberdade...
Expus meu espirito ao lado de outro e preparei minhas falas.

Quanto vale o meu orgulho empanado?
O amor quebra as barreiras, faz sua sombra e anda ao lado.
Os cabelos brancos chegaram, mas nem sinal de apatia
Foi tia, amiga; é avó, amiga... e quem diria...
Nem pensa naquele lance de “do pó ao pó”.

Mas a mim voltamos,
Minguado, às vezes; feliz, quase sempre
Algum leite derramado, bem lá do passado
Que não quero passar nos próximos anos.

Cercado por natureza e sempre com dúvidas e certezas
Sem escrever à toa; sem bagunçar a esmo
Em variantes variadas – mas bem-vindas 
Cheguei às alturas nunca antes vistas...
Não fazendo mais vista grossa para mim mesmo.

Em tradições e contradições
Empreguei minhas forças e arregacei as mangas
Subi num pé de manga e fiz orações

As loucuras e sacanagens guardei num canto da garagem
Está lá, dando bobeira...
Em uma caixa escrito “me esqueça”...
E como sei que obedeço à beça
Sempre vou lá para tirar a poeira.

André Anlub®
(21/1/20)

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.