Nua em pelo, no pulo e num palco


Nua em pelo, no pulo e num palco

Nadando no gélido lago foi encontrada
feliz e pelada
com os pelos arrepiados
seus belos cabelos negros cacheados
e como seria imaginável
cantarolando aquela lacônica balada.
“...you can’t always get what you want...”

- Olhos esbugalhados, olhar simplório.
Perfil de romântica rebelde
com a sensação de estar nada errado.
Seria assim que eu a descreveria
e é assim que ela é.

Entre os dias que se passaram em sua vida
estão de um lado algumas horas que se petrificaram
na sensação de não seguir um vil modelo.
Na outra ponta da história, não menos importante
fica o momento do “replay”, do “Déjà vu”, do oposto de um pesadelo.

Quase sem querer
de repente por estar mais magra
a aliança caiu no ralo.
(num estalo a lágrima sem jeito a seguiu)
O próspero havia recebido conserto
e a velha flecha no seu peito
enferrujou e ruiu.

Os olhos agora mais secos caçam felicidade
e a sombra não mais se encontra por aí, vagando...
meramente sumiu.

A alma quer plateia, zelo
nada de estar sozinha.
Ela quer que outros olhos curtam seu curto vestido decotado
o sorriso do rosto com duas covinhas
e todos, mas todos, os seus pelos eriçados.

André Anlub®
(28/11/13)

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