Dueto da tarde (XVI)

Olhos de lince que alcançam “no lance” a paixão que passa em relance...
Instante mágico de saber e não saber, de ter certeza e afogar-se em dúvidas
E a plenitude absoluta, inspiração e labuta (que engorda e faz crescer).
Não há desculpas para não ter visto: aos olhos de penetração aguda nada escapa.
Não se trata de ser caça, nem caçador; não é preciso haver dor ou desgraça,
Também não é preciso intoxicar-se de felicidade, enlouquecer de coisa boa vista/vivida.
Há a disponibilidade da escolha, mas há de se ter equilíbrio e o brio de enxergar sempre a boa renovação.
O lince caça, a fome consome, mas o olhar de matar também é o olhar da vida tida,
A ansiedade da continuidade, a herança de tempo idos e a necessidade de se concretizar o amanhã,
Quando isso é aquilo apenas em pensamento projetado e aquilo é isso apenas em ilusão cultivada.
Essa “coisa” é o ciclo do natural; assim como mergulhamos nos sonhos com a incumbência de torná-los reais (ou não),
Ela vem e ela vai, porque é dela ir e vir, como é do lince olhar, ter fome, atacar.

Rogério Camargo e André Anlub®
(18/12/14)


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