Dueto da tarde (CV)

Não é gordura, é excesso de música...
Posted by Cifras on Terça, 4 de novembro de 2014


Dueto da tarde (CV)

Chegou pontualmente na hora junto à aurora a pólvora que apavora.
Com ela os canhões que Navarone não invejaria, que Anthony Quinn jamais destruiria.
O sombrio é pontual e às vezes solitário; no alto, no calvário, sempre tem companhia.
Olha o mundo de cima, o mundo que o esmaga diariamente e não mente, está ali para isso mesmo.
Uma nuvem negra chega repentina, como a fumaça do charuto do mendigo da esquina.
Ribomba, estronda, faz a ronda, solta a bomba: lá vem o que todo mundo aguarda de guarda fechada.
Na rebeldia do assombro e na paz da nevoada vieram às sombras as luzes do fim do túnel, do fim do tudo e do fio da meada,
Lá onde os nós se desatam de nós e ficamos sós com a pós-amarração,
Lá onde o sim diz não ao não e chega à conclusão de não querer mais ser um vassalo.
Olhar para cima, olhar em volta, olhar para baixo e, finalmente, olhar para dentro.
A morte chega atrasada e na contramão, sempre atualizada e aguerrida por ter a certeza que todos em vida a encontrarão.
É a pólvora que apavora. Todos sabem e ninguém está preparado. É a única certeza, e chega sempre como surpresa.
Os canhões se calam e deixam a fala ao charuto que não se apaga; o Antônio e seu antônimo ficam atônitos;
Antônia é a tônica e faz a crônica de um encontro/desencontro interminável como a vida vivendo a si mesma.

Rogério Camargo e André Anlub
(26/3/15)

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Tempo de recomeço

Um Eu qualquer