Dueto da tarde (CXVI)



Dueto da tarde (CXVI)

Quase nenhuma chance de alguma chance ser quase: todas querem tudo.
Tenta cercar pelos lados, mas não há lado em um círculo rotativo.
Sempre a mesma coisa é a mesma coisa sempre. Olhar e não ver porque acha que já viu é a mesma coisa.
Sempre tudo é diferente, mas o diferente quando é abundante e frequente, acaba tornando-se igual.
Então as chances brigam com as possibilidades, querendo a prioridade, querendo a maioridade já ao nascer.
A prioridade por sua vez não pode ser indiferente a tal luta, pois sua labuta é calcada naquilo que se mostra com urgência.
Vamos falar sério, ela diz. E não fala sério. Não parece sério dizer vamos falar sério e não falar.
Para piorar a contenda chega de repente o improvável, que provavelmente foi barrado em uma festa adolescente.
Não há ninguém para dizer você fica aqui, você fica lá. Todos querem ficar ali. E ficam.
Ninguém vê, mas está ali para ser visto: quase todas as chances de todas as chances tornarem-se fatos; basta tirarem os sapatos e após esse ato saírem dançando.
Liberdade é libertar-se. Leveza é não carregar pesos. Mas quem bate em paredes apenas bate em paredes.
De todas as chances e fatos, de todos os atos consumados – acertados, pedantes ou pendentes, a única coisa coerente é saber que a incoerência está com seus dias contados. 

Rogério Camargo e André Anlub
(6/4/15)

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