Dados endiabrados



Dados endiabrados

Em um dado momento a luz despontou em seus olhos, e tudo ficou ainda mais claro.
Meus pensamentos tão distantes destoaram do que sentia ao seu lado – tão raro e tão claro –, mas tornam-se inválidos não havendo a imperiosa presença da reciprocidade, que é semeada, mas não é cultiva. 

Mentiras brotam como erva daninha e assolam o que se espera, o que se nega.

Em outro dado momento vejo o fulgor de um futuro com a faca nos dentes; vejo antigos doentes fazendo de outro momento o maduro. O tempo que se presta, o tempo que se nega, sempre traz a esperança embebeda de ignorância, mas o sábio que amadurece, saboreia o amanhã com esperança. Vão-se tempos inócuos sem os óculos indo a esmo... Vem novo endereço na mesma rua do contentamento. Com ardor no peito, meus anseios não cabem mais em seus desejos, subo a rua acompanhado pela lua, esperando você repousar toda nua.

Em novo dado momento jogo os dados ao vento. Na mesa verde vejo o carteado como o cadeado travesso do nosso tempo. Faço uma torre bem alta com minhas últimas fichas e entrego-me ao acaso e ao tormento.

Rodrigo Marques De Melo Gomes e André Anlub
(27/7/15)

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