E vamos nessa...


E o menino ergueu o braço de punho cerrado, franziu o cenho e bradou: vejo afinação nas palavras, dentro de um egocentrismo evidente e de uma postura elitista na defesa do status quo e de seus privilégios adquiridos ou herdados; junto a isso soma-se um zero de empatia com o descaso explícito pela desigualdade social e o maniqueísmo de má-fé típico de um falso e vil bom moço – bom fosso (quiçá se adéque ao caso).

¡Por supuesto!

Por debaixo da seda você me seda; brinca de ser a pura, e eu, em apuros, me cedo. Pego a caneta, ergo o pincel, com a face para o céu faço careta. Não sou tímido, tampouco mal-agradecido, pois tenho noção dos ocorridos. Herdo uma paixão de pretensão – tudo tenho e tenho sede demais –, e isso é (muito) bom! Me sinto aprovado e fundo mergulho, digo ser eficaz. Com enorme orgulho sou muito bem quisto, no misto da arte com a paz. Sei que a mentira tem pernas curtas, ou médias, ou longas, é maratonista ou lerda, mas um dia se enfastia e acaba sendo alcançada. Sei também que às vezes surge um dia sem cor, para fazer sorrir os que tem o deleite de colorir os momentos. Solidão: só lido com a saudade, só lhe dou atenção... aqui estou eu, sonhando, com os olhos embaçados e embasados nos dela. Vogo, envergo, vejo, vivo em excelência quando você estaciona seu pensar vago na vagabunda vaga da minha essência. É de um extremo interessante: o bobo palhaço e o ranzinza bobo palhaço. Vi cavalos apertando o passo em direção ao ocaso a cada caso de o Sol dar “boa noite”. Pelos meus olhos pude ver além do tempo. Com areia da praia construí castelos mágicos, com portas de palitos de sorvete e com a ideia de que seriam eternos. Pelo menos até a próxima ida à praia. Engenheiro e artesão de tudo que vai esvair-se em poucos minutos. Assim seguiu o vento retirando os grãos; assim seguiu-se a água com a maré cheia e destruindo toda uma obra; assim veio os meninos mais velhos fazendo um campo de futebol e destruindo os castelos. Vi marcas de novidade em todos os castelos destruídos. Vi um futuro promissor e mais concreto, mais seguro e respeitado. Sinto muito quando um passado passa e me deixa uma razão para ser mais forte, porém com raiva – perda e olhares cerrados. A crueldade da criança sem seu doce e a doçura da criança sem ser ao menos mais criança. Nas mãos dos anjos os dados, quase sempre viciados. Nas mãos dos demônios os tabuleiros, quase sempre inalterados. Demônios estendem uma enorme mesa às cartas; Anjos estudam as cartas e as marcam com a mente; demônios roubam por serem demônios e errados; anjos acertam e fazem o bem por terem sempre seus motivos. Sem sombra segue o mal voando ao lado de todos. Anjos criam suas sombras com as mãos... Aves, elefantes, coelhos e tudo que a sombra pode trazer. O ideal é a gente se frustrar só para fugir da rotina! O amor navega à deriva sem remos, velas, sinais de fumaça, por sobre a aquarela da conturbada e valiosa maré da vida.

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