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17 de agosto de 2021

Começo do livro - 13/5/14

A espada é erguida em algum ponto do planeta;
Logo em seguida derrama-se a tinta da lança chamada caneta.

Dos martelos
(6/8/12)

Já voltei daquele passeio
Em terras loucas e quentes,
Com aquele absurdo vermelho
Que adorna por ser inerente
Às paixões corriqueiras.

Estou exausto
Feito cão em fim de passeio,
Com a língua pra fora
E o coração festeiro.

Eu em plena liberdade,
Tenho um letreiro na testa,
Escrito que o sexo é festa
E o amor finalidade.

Acho que sempre me alongo
Quando escrevo sobre esse tema.
Vou e venho no trapézio e na cena
Ao som de um zepelim e seu gongo.

Por livre e espontânea vontade
Exponho-me.
Ponho-me a entender o assombro
De que não há sempre certeza
Para toda a verdade.

Assim constroem-se castelos
Nos terrenos da avareza.
E o plebeu no destino,
Do nordestino ao sulista,
Dominará seu recinto,
Erguerá seu martelo.

Adversidades acontecem, muita luta e pouco caso, e sensações se perdem; O rabo abana o cachorro, o choro do velho solitário. Mas há de se ter esperança, (no coloquial - na criança) nas palavras que amadurecem.

“Bon Vivant”
(26/1/13)

Deitam-se nos leitos de letras
Sob o olhar de um grifo.
Osculam suas grafias,
Afrodite adotada.

Bem tratados, enfastiam,
Criadores que tudo criam.

Poucas são as causas que agarram,
Muitas são suas fantasias.
Se aquecendo no fogo de Nero
Ao som de hinos homéricos.

Ah, mil redes confortáveis,
Sentindo brisa doce na face,
Seguem confortados na vida
Ao tom de uma pressuposta amada.

Governados por algo,
No absoluto, por rosas.

Permeiam no céu com alvoroço,
Rodam pelo colosso de rodes.
Passeiam no manuscrito de Virgílio.

Ficaríamos a eternidade, ponderaríamos em múltiplos dialetos: em esperanto ou mimica, canto dos anjos, sinais de fumaça; em puras línguas e raças, dos baldios ou espertos, até além da imortalidade.
Mas salivas não seriam gastas à toa, expondo as qualidades extremas, da força da inteligência e o poder do ventre e da cria ecoando ao vento e ao sempre.
A voz que nunca é pendente, nesse momento presente, agarra a unhas e dentes, no direito de expor ao planeta o que das mulheres pertence.

Dos antolhos
(5/6/12)

Quero um apropriado escudo Celta,
Pois há lanças voando sem rumo,
Almejando ébrias mentes sem prumo,
Mas por acidente a mesma me acerta.

Quero o melhor dos virgens azeites,
Pois nas saladas só tem abobrinhas,
Na disparidade de várias cozinhas,
Todos adotam a mesma receita.

Quero ver e ler o que outros registram,
Sem antolhos nem cínica mordaça,
Sem caroço impelido na garganta,
Faz o engasgo que mata na empáfia.

Mas não só quero como também ofereço,
Meus singelos poemas com terno adereço.
E com pachorra e olhos modestos,
Vê-se admirável o que era obsoleto.


Ando com ideias antigas de modernizar meus conceitos.
No fundo, são adágios superados...
Há tempos que tenho a teimosia de querer ser atualizado.

Sempre vivo
(4/1/13)

Precisamos de dias mais longos,
Cheios de ar, aves; árvores por todos os cantos,
Cantos açucarando os pesares.

(Afagando os ouvidos)

Ouvi dos sinceros seus sins,
Som de detalhes...
De talhes simplórios,
Corpos notórios, 
Felicidade - gemidos.

Precisamos de larga boca
E nada oca a mente.
Mente aquele que no medo,
Em segredo,
No paladar do azedo, 
Expõe que não ama
E não segue passo à frente.

Por aqui, por ali,
O sol nasceu mais vivo;
Vi você de repente,
Menos breve e arredio
Arrepender-se contente.

5 de janeiro de 2020

Médicos cubanos




“BOTÕES ABRINDO EM FLORES” 2015

Escritor, poète maudit, autodidata nas artes • Imortal da Acad. de Artes, Ciências e Letras de Iguaba Grande • Coautor em 50 Livros • Art. plástico com obra no MAC (BA) • Menção Honrosa no 2°, 4° Conc. Literário Pague Menos e I Prêmio Literário Mar de Letras (Moçambique/Portugal/Brasil) • Participação Especial 2014, Talento Poético e Destaque Especial 2015 no projeto Poesias Encantadas • Medalha Personalidade 2013 (ArtPop) e Comenda Excelência 2014 (Braslider) • Membro da Acad. Luminescência Brasileira (SP), ALB (BA), (GO) e NALAL (PT) • Autor: “Poeteideser” 2009, trilogia poética: “Fulano da Silva, Sicrano Barbosa, Beltrano dos Santos” 2014 e “PuroOsSo” 2015.

Tarde de 14 de março de 2013 – “A cena da sina em cinco tempos” (fragmentos)

(Parte IV) – Agora é êxtase de lisonjeio e satisfação; pus a mão na arte, na autoridade de uma Academia; animo de energia – passo à frente – mira ativa. Fiquei maravilhado aos pés de Iguaba... E não me gabo, mas me deslumbro desse flerte; como diria Caê: “adoro ver-te...”. (Parte V) – No retorno, torno a teclar nessa tecla; abraço deuses, mestres e magos. Ponho-me à mercê da alegria e a vida me fecha em afagos. Novamente sobre outros Lagos, e largo sorriso ecoando. Saudade da casa e entornos, contornos de tempos mais calmos. Saudade dos bons e maus que com o sol fazem a lua; saudade da música sua, e a língua dançante dos cães. Quero a água gelada, as bocas recitando versos, novos escritos discretos e poças com estrelas nuas. (Dedico esse singelo escrito ao saudoso amigo, caríssimo confrade: Jacques Azicoff)

Manhã de 14 de abril de 2015 (com sabor de Bardo que brada na quebrada)

Vim novamente da escola da história; aquela sofrida – ou nem tanto. Passo e vejo a rasteira do capoeirista que entorta a pista ou somente meus olhos. Leio enquetes no céu sobre cores do tempo, sobre sofrimentos e felicidades, casos eternos perdidos em uma bolha chamada: “talvez”... E algo mais, ou algo assim – ou nem tanto. Sinto o cheiro de grama encharcada, de cavalo, daquele mato irrigado, daquela bosta de gado – estrume fresco. Pois bem, estou em casa, enfim (vou fazer café fresco, pão de centeio, queijo coalho e Muddy Waters no som bem alto). Acendi a lareira, o incenso, a ideia e vi o moleque Manoelzinho descendo a ladeira nesse frio congelante e inventivo... Menino, sem casaco, sem uma calça quente, sem gorro, sem dente, sem família; voa por cima do muro uma coberta de linho (tenho uma novinha que ganhei da minha avó), ele pega e se transforma em um casulo gigante – algo pré-histórico. Deu-me um nó na garganta e não consegui cantar! Resolvi fazer uma oração, calado (antigamente era mais fácil ser enfático, fantástico, fanático, fantasioso e sonhador). Nesse instante um dos santos da estante me olha com um olhar de quem quer dar um passeio; me fala mudo com olhos fixos, e, por fim, me cala em receio.
O pego... Levo ao outro cômodo e o acomodo em cima do parapeito da janela. Nesse momento o tempo abre, o sol brota tímido e as nuvens quase se transluzem – dando para ver a felicidade ao longe.

Tarde de 2 de setembro de 2014 (com um toque de ontem, de hoje e de sempre)

– Em um adendo: Acho que o hábito de estacionar nos grandes nomes do passado abafou os escritores atuais, principalmente os poetas e/ou os que têm uma escrita mais moderna, mais arrojada e marginal; não devemos deixar nada ser empecilho para uma produção artística em todos os âmbitos. A arte (assim como o dom) não pode ser sobrepujada por pessimismos ou modismos. Ela é além de qualquer coisa artificial, rasa e de cunho materialista. Escrever é parto, e a cada poesia gerada é um filho no mundo. Incentivar a literatura no seu ventre e a posteriori na sua nascente, tendo ajudado a chocar o “ovo” na concepção, é o tapa de luva de pelica na inatividade dos pincéis e das penas (no modo geral)... É o grande “touché” da arte. A qualidade sempre será mais divergente quando houver quantidade, as contradições, as discussões, as críticas, só fazem bem! A meu ver esse papo de “quantidade não é qualidade” é um pouco furado. Quanto mais se tem tenacidade, experiência e afinco em algo, mais o mesmo evolui. O ato de escrever muito, por si só, já é válido e paga o “ingresso”. Apoiar a literatura, sobretudo em um país com baixíssimo número de leitores, é primordial. Qualquer incentivo à leitura será sempre válido e qualquer manifestação artística, idem; temos que colocar a literatura de um modo muito mais significativo na vida das novas gerações. Comecei a escrever tarde, sempre penso como seria se eu já conhecesse a poesia na época que montava num cavalo e, na maioria das vezes, ia solitário até um açude, me balançava num balanço de corda e sentava num banco de madeira (ambos que fiz) para ponderar sobre a vida; quantas vezes flagrei-me na praia do Arpoador; ficava sentado na pedra, na areia ou na prancha admirando o sol ao longe e pensando poesia. A poesia já existia em mim, mas ainda não se manifestava. Na pré-adolescência, durante e pós, fez inúmeras amizades, percorria o Rio de Janeiro de camelo (bicicleta) para cima e para baixo, ia a diversas turmas de rua (Hilário, Constante, Leme, Figueiredo, Edmundo Lins, Ipanema, Arpex, Catete, Glória, Botafogo...) e turmas de surfistas para trocar ideias, fazendo assim amizade com várias mentes pensantes de histórias e ideologias diferentes.

Noite de 18 de abril de 2015 (com divinização da poesia – divisor de águas)

Na sombra dos medos nasceu o pé de luz (meu pé de cabra arrombador de Eus). E esse pé cresceu – se ergueu, ficou forte – criou porte, deu frutos, assim... Amadureceu a chave do mundo – a chave de tudo e futuro eternizado: chavão. Janelas se abrem; se abrem cortinas e vem o beijo do sol e vem penetrando o clarão (até coloquem palavras em minha boca... mas que nasçam poesias). Mistérios nas nuvens, e obtusos e abstrusos e absortos. Abriram-se dentro de um aberto brilho no imaginativo castelo os portões. As notícias melhoraram com o céu lavado, o infinito ficou mais perto; ouço aquela menina me chamar para um drink no escuro, ou no inferno, “a la Tarantino”. Visões de queijos e vinhos – paladares de bocas e intestinos, tudo faz sentido de alguma forma. Há um gigante ou há um anão entre o rei e o umbigo, decididamente isso é de fato uma norma. Já ouvi a menina exibindo cantando que nada a deprimia... E depois sumia. Talvez fosse para outra galáxia ou talvez tocasse violino para inspirar um milhão de alguém. Lá vem um inverno rigoroso... Vou colocar um casaco, deitar, ler e tirar um cochilo. Na luz da coragem o pé de luz cresce (além de contador de história, da necessidade de mentir, objetivos, escritos e glórias).

Manhã de 20 de abril de 2015 (com o pé na estrada, no estado e no estribo)

Já de praxe: meu maracujá gelado e a impressão de algo largo longo lerdo no ar. Ser leigo nas conclusões não é algo estranho? não, nem tanto! Cobiço sempre os pingos nos “is”, e até levo desaforo para casa (mas sabendo e admitindo que esteja levando). Sou inteiramente parcial e gosto de ter conceitos sobre tudo... Mas sabendo que os mesmos podem mudar, admitindo e procurando acertar (caso esteja errado). “Isso” ou o “aquilo” são coisas corriqueiras; mas nada é corriqueiro quando se vive o momento. Há algo no ar: talvez seja somente ar mesmo; talvez seja poluição; talvez seja um cheiro doce que ficou na memória; talvez cheiro de comunhão, velas acesas... Esses “trens” (jeito Mineiro, saudade de MG). (vou comer um queijo com doce de leite e goiabada, beber uma cachaça e volto). Há algo no ar: não é algo comum, extra comum, é algo turvo, fora de foco que necessita arremate... Mas sem martírio! Fiz juramento de arrumá-lo, deixa-lo tinindo (seja lá o que for). Em dado momento a brisa invade a sala e sinto o odor de flor de lírio (voltei de bucho cheio e com duas talagadas de cachaça na cachola). Joguei a moeda ao alto, escolhi “cara”; e foi assim: bateu no chão, rodou, rodou, rodou... Andou um pouco e caiu no vão da pedra. Peguei a lanterna e fui ver ao menos o que havia dado; e foi assim: bateu a luz nela e nada! Agora é algo comum que me tira a atenção e vai à contramão do desejo; agora é pão sem queijo, sexo sem beijo e desconstrução da ação. Fui pegar um imã, uma corda e acabar com o imbróglio... Resgatei a moeda, mas no ínterim do resgate – viagem – volta –, ela rodopiou na linha... Jamais saberei o que deu. Então, se não sei se perdi ou ganhei: é empate.

Tarde de 20 de Abril de 2015 (com ação, doação, dor e adoração)

Vem à dor de cabeça, mesmo que imaginária. Vêm os placebos da leitura, escrita e ficar solitário. A versão da história há tempos foi deturpada, pois nunca se faz nada que não traga um avesso apraz. Nada é capaz de entreter intermitentemente os eu próprio capataz; loucura, e é mesmo. (hoje pensei em ir doar sangue). O avesso agora se fez travesso e belo, repartindo o bolo em ¼ de desequilíbrio. Complexo colorido de combinações perfeitas aos olhos perplexos e mentes entreabertas; mentes de calibres sutis, situações de insinuações sinuosas e citações hostis (tirei a noite para ler Foucault, mas faltou fetiche e o fantoche para findar tal festa). Vem à dor na perna, mesmo que real. Após a corrida vespertina em um suor mais forte, em um sol mais forte, um pique mais forte de um corpo mais fraco. É abril, mas poderia ser sonho; é um mês escancaradamente gordo (novamente a sensação que tenho mais do que preciso/mereço). Os bordões estavam prontos e os bordéis idem: tais “ai” e “hum” e “ha” num vai e vem intenso de dar inveja ao pêndulo do relógio antigo da sala. É mês que escancara; vou dar a cara à tapa e pronto para quaisquer jornadas. (tirei a noite para ler Ana C., vai faltar você. Já cedo faltou enredo, há medo sem meio no querer).

Noite de 20 de Abril de 2015 (com poética e orgulho das conquistas)

Iniciava-se: há ditadores querendo salgar a carne do churrasco. Isso é inadmissível!
Fiz aniversário no começo do ano; não tinha bolo, mas tinha bala! E da boa, e bem doce. Não sou mais um consumidor assíduo de doces, só os mais “light”. A criação atualmente é meu carboidrato, minha glicose, minha paçoquinha, meu doce de leite com suco de amora (vou comer torrada com ricota de leite de búfala e, de sobremesa, trufa de chocolate). Agora vi na televisão: mulher deu a luz a cinco crianças; agora olhei para o céu e cinco estrelas se destacaram. Medianamente o meridiano escolhe uma ponta; espontaneamente o espontâneo fica indeciso. É muito siso para um inciso nessa pouca boca; é muito oca para se construir uma oca e ocupar todo espaço preciso (vou tocar Blues pesado na minha gaita de boca e pegar pesado no semblante de louco). Farei aniversário no começo do ano que vem. Talvez tenha bolo, talvez tenha bala! E, de boa: nada de doce. 

Manhã de 24 de abril de 2015 (com um pouco de Absolut e água com gás)

“Êta, porreta, qual é”! Deixo para trás o rompante e no montante e na montanha vejo essa manhã sedenta, tamanha, de inspiração. Manhã avermelhando ao longe... Cereal, frutas, café – sustentação –, o branco da parede e quadros coloridos, aqui. Vou dar minha corrida e ganhar pensamentos; ganhar sonhos e novidades; vou dar minha pitada de irrealidade e abarcar fingindo ser um monge (não escondo a simpatia pelo Budismo; e nem deveria, e nunca assim farei). À revelia estão em quilo/peso à crença contraditória, algumas oratórias sem noção; há momentos em que não me queixo, e o quebra-cabeça se deixa e se encaixa... Na maioria dos momentos não. Prefiro sempre a adequação de ter uma/duas/três escolhas (fiz escola nisso) e fazer o que acho sensato, justo e honesto: sem ordem – desordem – prevaricação (não escondo a simpatia pela pessoa simples, direta, objetiva, sincera e nada gananciosa). “Êta, disposição”, é bom acordar para vida depois de acordar da cama e depois de anos estagnado; não vou mais reacender tal (nenhum) carma (não foi para fazer trocadilho, gente. Juro!). Já vivi na lama; já vivi no limo; já vivi no limbo; já vivi sem gama e “me virei” na vida sem colorido – sem poesia – sem improviso, com garrafas e ideias vazias (ou a caminho)... Sem fim, sem confetes e sem ninho. Na obsessão pela saída achei a poesia. Hoje a amo sem a necessidade da recíproca.

Madrugada de 25 de abril de 2015 (com um que de Bovarismo e um quão de Marx)

Não se diz ganancioso, apenas não se contenta com pouco; só não percebeu ainda que também não se contenta com muito. Uma corda: já baixou a noite, deitado e cansado vejo pela janela as estrelas sorrindo no céu; faz um frio atípico que pode futuramente principiar um temporal (tem sido a poesia que me invade e, em alarde e envaidecido, sigo saciado na sua maestria). Já fiz minha leitura noturna, escovei os dentes e bochechei o enxaguante bucal. Vou até a cozinha e abro o freezer deixando sair aquele bafo de fumaça gélido e gostoso, pego um copo comprido e coloco gelo até a borda e na porta pego a garrafa de vodca (resfriada/intensa – branca/alva – coloidal/viscosa – irresistível/fatal). As asas querem voo, me incomodam, querem que eu volte à leitura ou pegue a caneta. Mas com o copo na mão e o líquido na cabeça: estou de muleta. Um acordo: fiz um acordo certa vez, um pacto com um dos meus medos e com o mais forte deles. Nosso encontro foi em sonho: eu solitário no mar com ondas gigantes – é impossível estar sozinho quando se tem ondas gigantes, mas eu estava –, nada de terra em volta, nada de ilha nem sequer um barco. O medo voava enquanto soltava uma forte chuva sobre mim e soprava um vento muito frio e extremamente forte, no estilo terral, que fazia nas ondulações pequenas chuvas ao contrário. Era um cenário “Hitccokiano”, só um pouco pior, que parecia durar uma eternidade; eu gritava a ele para deixar-me livre, para expor a verdade, para não me enrolar mais... Ele concordou e eu então acordei (pássaros que vem e que passam também são os pássaros que ficam). Quando o tempo passa em branco é como estar alegre na jaula o Corvo; se acomodando no contrassenso de ser castrado da liberdade do voo. Um acorde: pego minha faca importada, minha faca de guerra, sento na varanda ao relento e começo a amolar – é um bom passatempo. A madrugada grita em silêncio, os cães das casas vizinhas e os daqui fecharam suas bocas sorridentes e babonas. Agora falta pouco, falta o parco: um mar, uma vara de pescar, uma lua cheia, inspiração e um barco.

Tarde de 26 de abril de 2015 (com esse bagulho que é o barulho)

O silêncio pega pelo pé; por isso sempre estou em companhia da música; tomei gosto por expor o que ouço ao escrever... É um toque, é um tique, é uma marca. Agora escuto “Poles Apart” do Pink Floyd, e com ela rabisco algumas ideias. O barulho, no ar, solto, solta minha alma. Mas tem que ser um bom barulho – o meu barulho –, e não precisa ser alto.
Se não houver música volto-me ao barulho dos pássaros ou das ondas ou dos latidos ou dos gemidos ou da leitura que imerge no silêncio de todos os sons. Sou flexível aos sons naturais e sou extremamente austero aos sons do homem; chego a ser o chato que beira o caricato; chego a ser um pouco incoerente, pois sou o moderno de fones no ouvido que saem de um aparelho minúsculo com mais de duas mil músicas de outro século. Mentira! Há sons novos no repertório... Bem poucos, mas há. – Saindo do assunto: esse bagulho que faz um “barulho” bizarro que voa sem direção e aterrissa sem hora marcada; que toca no coração e na alma e (muitos dizem) na inspiração; que acende e queima em um cigarro ou em um cachimbo, sem ou com ritmo... E faz estrago, ou não – dá barato, ou não –, custa caro, ou não – pode custar vidas e causar mortes, ou não –, mas sempre cria muita polêmica e discussão.  Mas é outro assunto, para outro dia, outra estação. – Voltando ao assunto: peguei carona na leitura alheia que bateu na veia e tirou à teia e atiçou a aranha a fazer outra, futuramente. Os versos me saem famintos e querem mergulhar no branco da folha ou na tela alva do computador, quiçá na orelha da amada, arrepiando a nuca e os braços, ou simplesmente ser falada ao vazio do ar. Esqueço que os meus versos querem navegar (mas metaforicamente) – pelo menos os meus; todos os meus escritos, versos e até desenhos voam (mas metaforicamente²), pois na verdade saem em um veleiro, em um barco atraente (mas metaforicamente³); às vezes pega um mar de calmaria marmórea, sem brisa, sem onda, só aves que soltam sons baixíssimos e passam famintos dando mergulhos certeiros. Saem com aquele peixinho no bico e o sorriso implícito. Mas outras vezes é um mar agitado, assombroso, terrível, com uma bela ilha ao fundo e um sol acanhado que aguardam a chegada das letras. Ando lendo muito (além do corriqueiro) e nesse período estou devorando: “Confesso que vivi”, também o livro de uma amiga e Ana Hatherly... Fora as leituras digitais e de notícias. Acho que engessei um pouco a mão (apesar de estar há meses mergulhado em duetos com um grande poeta e amigo) e “desengessei” meu tempo comigo: estou orando mais (do meu jeito insano) e tentando aumentar minha constância na meditação; há tempos mudei de maneira drástica minha alimentação, focando o natural e comendo peixe e frutos do mar seis dias da semana; tem um ano e meio que venho correndo todos os dias (para ter direito a um dia de folga), sem escolher dias ou criar normas e horários, apenas o próprio tempo da corrida. O silêncio agora será quebrado pelo fim de tarde que chega e meu mergulho na piscina, uma cerveja sem álcool e um bom filme. Vamos atualizar os minutos, vamos fazer diminuta essa noite que chega rasgando – despedaçando meu tempo que foi devidamente aproveitado nesse domingo acabado, nesse sol que se foi... Amanhã já é nova semana e nova incidência da inspiração.

Madrugada de 27 de abril de 2015 (com uma enorme saudade do amanhã)

Sempre me flagro longe, pensando na minha velhice, na minha careca reluzente e no meu coração ainda batendo e amando, pescando em águas calmas e fartas de peixes e poesias; é recorrente. Penso no meu futuro barco simples, azul turquesa, nas águas de uma cidade do nordeste. Um barco com aquela tradição de um nome feminino escrito em letras simples e sóbrias nas laterais da embarcação... Há um tempo eu colocaria alguma pintora que gosto, que simbolizou algo em mim: Tarsila ou Djanira ou Haydéa ou Malfati ou Lia Mittarakis... 
Mas hoje em dia mudei, e o mais provável é que seja o nome de uma das escritoras que também me marcaram, nas leituras e/ou nas respectivas histórias: Emily Dickinson ou Sylvia Plath ou Ana C. ou Carolina de Jesus ou Virginia Woolf ou Beauvoir... Ai, ai, ai, as mulheres... De repente seria melhor escolher uma deusa de alguma mitologia. Mas não! Ficarei mesmo com as escritoras que são/foram/serão deusas reais e eternas. – Em sempre: (Ainda mergulho de cabeça em uma paixão; mas checo a profundidade e a temperatura da água, coloco touca, tapa ouvidos e vou). Estico a mão para o céu e peço força captando alguma energia silenciosa. Na varanda, na minha cadeira, os cães deitados ao meu lado e um ar gélido, um céu limpo e os insetos em minha volta me observam. Estico os pés e apoio na minha escultura, “O tronco”, dou uma talagada no suco gelado de maracujá. O gelo aqui derrete em segundos, é um milagre sair da cozinha, sentar em uma cadeira e ainda vê-los boiando no copo (exagero). Meu corpo estala e já pede cama, meus olhos cansados, ardentes e coçando me convidam ao sono. Vou-me ao repouso, repousar o corpo, a mente, o bloquinho e a catarse que adoro, pois me persegue nos momentos mais curiosos, mais gráceis, carrancudos e inesperados. – Em nunca: agora estou satisfeito, debaixo de uma coberta fina o ventilador me banhando em ventos com o silêncio que a noite presenteia. Não há o que temer quando se tem como companheiro uma garrafa de saquê. É um paradoxo, pois se foge da luta encarando a fera. A verdade é que não está mais ali quem segura o quarto copo. Ele já se foi embriagado, alto em voo sem bússola sem tempo, o corpo físico presente, o espiritual enfermo – sem intento e localização nos mapas. Mas o corpo que fica ainda tem força, tem luta tem truta e maneja uma faca de caça e um punhal. É um perigo, arriscadíssimo, perigo descomunal; lembrou-me: “É a tal”.

Manhã de 12 de setembro de 2013 (com poética, dialética aritmética e dislexia)

É a tal: por favor, aguardem contato, anunciaram a chegada na hora; cheira forte e choca os olhos, queima a pele e dá até barato. A caça do homem no largo lago (um peixe e a saudade no prato) é a lágrima que chega mansinha no sorriso da boca na esquina. Fez louca a agonia do peito e a merecida alegria no tato. Fez da arte gato e sapato, do seu jeito só nesse feito. Alguém pergunta o que sugerem pra hoje: o cardápio está em letras gregas. Vejo estátuas sem todo o braço, ouço o voo de moscas varejeiras. Vem bom humor e o pavor de perdê-lo, o problema é mais que emblemático; vem matemático e fica cabreiro; vem o cosseno, o seno e o quadrado. E no porta-retratos a verdade, a neurose que não faz sentido; indo à toa, à tona e a esmo, não é o mesmo que felicidade.

Manhã de 29 de abril de 2015 (com um quê de barba feita)

A animação acorda junto! Coisa rara atualmente, mas sempre muito bem-vinda.
Abri meu jornal eletrônico, o qual assino, e li sobre política. 
É, politica. Aquela coisa que muitos odeiam, alguns participam e muitos não entendem. Todas as vezes que faço uma postagem com algum cunho político me arrependo! 
Acho que realmente fica complicado quando se fala o que as pessoas não querem ouvir (até mesmo quando se está do lado delas). Vou me ater em escrever meus singelos rabiscos e continuar me expondo politicamente somente no meu voto e no boteco da esquina onde bato meu ponto, jogo gamão e derramo meus copos. Lavo o rosto e vejo aquela cara de ontem, meu cabelo está carecendo de um corte curto, é mais prático e o calor abranda. Escovo meus dentes, lavo novamente o rosto, faço meus alongamentos e vou-me ao banheiro de fora, da área dos fundos. Lá já tem um livro me esperando e o meu trono que adoro. Agora vamos falar em poesia, em algo romântico que me toca, me desmancha e me conserta, me dobra e desdobra, me faz feliz e moleque. Já estou pintado de guerra, já ouço tambores e ao fundo a água cai de um céu pardo e enterra meu otimismo. A espada é das Cruzadas – a roupa de soldado negro – botas de couro bem grosso – olhar de quem já morreu de véspera. Dilacerei meus fantasmas em praça pública ao som de Björk, a luz de holofotes com canapés diversos e uma vodca da boa. Era uma manhã como a de hoje, quarta feira; era Maomé indo à montanha e Maria indo à feira; um carro avança um sinal, outro estaciona erroneamente em vaga de deficiente; uma criança cai muito doente e de repente cai meu astral. Fui caminhar e me deparei com um belo castelo de cor púrpura, com um capacho enorme na porta escrito: “Essa casa é sua”. 

Tarde de 29 de abril de 2015 (com um “tico” de “pronto, falei!”)

Veio um cheiro de sopa, aquela que a avó fazia nos tempos de criança... Geralmente quando eu adoecia. De repente é psicológico: o cérebro me pregando uma peça.
A solidão atualmente é momentânea – é tempestade – que passa rápido e me dá até gosto – até gosto – pois refresca. Aprendi a lidar com a solidão não sendo solitário, pois às vezes a escrita pede reclusão e às vezes a leitura o isolamento; há tempos havia muita companhia, mas também um vazio importante a ser preenchido e isso me tornava só e sempre disperso. Achei à escrita, achei o meu Norte. Hoje tenho poucas, mas importantes e essenciais companhias: escrita, companheira, cães e alguns amigos, e sinto-me completo... Acho que amadureci nas carências, pois hoje em dia me conheço melhor; conheço meus defeitos e os assumo sem medo e piedade (é no assumir que se dá o primeiro passo para a correção). Desfoco as certezas (pois já estão certas, o que há de se mexer?) medito e foco absoluto nas incertezas; desconstruo o que me faz mal, pois tudo que faz mal pode e deve ser desmontado e não destruído. Se você destrói algo, acaba deixando destroços que podem vir a atrapalhar no seu caminhar, fazendo-o tropeçar e, por conseguinte, ter que remover do caminho (fazendo novamente um elo com aquilo). Em poética: Sinto sempre que há o toque da aquarela, há o tom certo para cada olhar, fazendo de cada olha a paisagem de gosto. Vidas ambíguas acontecem e não é a falta de tinta, pois nada deve mergulhar ininterruptamente no colorido e/ou no preto e branco. Até porque um e outro são cores. Vidas de umbigos também aparecem, e temos que saber lidar/liquidar/adestrar o ego. O ego é uma das armas mais perigosas existentes no mundo, até mais que o dinheiro. Ele se camufla, se mascara, se maquia, transmuta, diminui e cresce conforme sua penúria de existência, ostentação, parasitagem e sugação/destruição. Quem domina o ego tem total domínio da imagem, das vitórias e derrotas, dos sentimentos crus e da convivência salutar perante a sociedade. É algo que foge do diálogo raso, de fofocas e intrigas, de manipulações e insolências. O modo mais rápido, fácil e democrático que encontrei para domesticar meu ego foi no autoconhecimento, na meditação e no espelho eterno que crio diante de mim.

5 de fevereiro de 2019

Do blog da Sandra Santos


7 POETAS SUICIDAS

"A seleção poética tentará apontar os temas alusivos à esperança, paixão, amor, alegria, felicidade, transformação, sensualidade, força e coragem. Como o verso de Florbela Espanca escolhido para o título supõe, o lado luminoso, forte e fértil dos sete autores será focalizado. Embora a expressão  poetas-suicídios  não possa cooperar com a intenção basilar desta seleção, seu uso transmite o peso simbólico que emana da relação umbilical entre poesia, morte e vida.

Em ordem cronológica de nascimento, poetas escolhidos são: Alfonsina Storni (Argentina), Teresa Wilms Montt (Chile), Florbela Espanca (Portugal), Anne Sexton e Sylvia Plath (Estados Unidos), Pizarnik (Argentina) e Ana Cristina Cesar ( Brasil). 

Traduções dos poemas de FE, AS, SP e ACC por Sandra Santos"



***

ALFONSINA STORNI (Argentina, 1892-1932)


NUDE SOUL

Eu sou uma alma nua nestes versos,
Alma nua que angustiada e sozinha
Deixa suas pétalas espalhadas.

Alma que pode ser uma papoula
O que pode ser um lírio, um violeta
Uma rocha, uma selva e uma onda.

Alma que como o vento vagueia inquieta
E ruge quando está nos mares
E durma docemente em uma fenda.

Alma que adora em seus altares,
Deuses que não descem para cegá-la;
Alma que não conhece valladares.

Alma que era fácil de dominar
Com apenas um coração que quebrou
Pois em seu sangue morno, regue-o.

Alma que quando está na primavera
Ele diz ao inverno que está demorando: volte,
Deixe cair sua neve no prado.

Alma que quando neva se dissolve
Em tristeza, clamando por rosas
Com essa primavera nos envolve.

Alma que às vezes libera borboletas
No campo aberto, sem definir a distância,
E diz-lhe libad sobre as coisas.

Alma que tem que morrer de uma fragrância,
De um suspiro, de um verso em que é solicitado,
Sem perder, poder, sua elegância.

Alma que não sabe nada e tudo nega
E negando o bem, o bem propício
Porque é negar quanto mais é dado,

Alma que geralmente existe como prazer
Sinta as almas, despreze a pegada,
E sinta uma carícia na mão.

Alma que está sempre insatisfeita com ela
Enquanto os ventos vagam, corra e vire;
Alma que sangra e incessantemente delirante
Por ser o navio em marcha da estrela.


***

 TERESA WILMS MONTT (Chile, 1893-1921)


AUTO DEFINIÇÃO

Eu sou Teresa Wilms Montt
e apesar de eu ter nascido cem anos antes de você,
Minha vida não foi tão diferente da sua.
Eu também tive o privilégio de ser mulher.
É difícil ser mulher neste mundo.
Você sabe melhor que ninguém.
Eu vivi intensamente a cada respiração e a cada momento da minha vida.
Eu destilei mulher
Eles tentaram me reprimir, mas não conseguiram comigo.
Quando eles viraram as costas para mim, eu dei o meu rosto.
Quando eles me deixaram em paz, eu dei companhia.
Quando eles queriam me matar, eu dei a vida.
Quando eles queriam me trancar, eu procurei por liberdade.
Quando eles me amavam sem amor, eu dava mais amor.
Quando eles tentaram me calar, eu gritei.
Quando eles me bateram, eu respondi.
Fui crucificado, morto e enterrado
para minha família e sociedade.
Eu nasci cem anos antes de você
no entanto, vejo você como eu.
Sou Teresa Wilms Montt
e eu não sou adequado para jovens senhoras.  


***

FLORBELA ESPANCA  (Portugal, 1894-1930)


AMOR!

Eu quero amar, amar sem esperança!
Aqui ... ali ... amor só por amar
Mais para isto e para o outro e para todo o povo ...
Amor! Amor! E não amar ninguém!

Lembra? Esqueça? Indiferente!
Ligar ou desligar? Está errado? É bem?
Quem disse que você pode amar alguém
Durante toda a vida é porque ele mente!

Há uma primavera em cada vida:
É necessário cantar dessa maneira,
Porque se Deus nos desse uma voz, era para cantar!

E se um dia eu for pó, cinza e nada
Que minha noite seja um amanhecer
Que ele sabe como me perder ... para me encontrar ...


***

ANNE SEXTON (EUA, 1928-1974)


QUANDO UM HOMEM ENTRA EM UMA MULHER

Quando um homem
entra em uma mulher
como as ondas batendo na costa,
uma e outra vez,
e a mulher abre a boca de prazer
e seus dentes brilham
como o alfabeto,
Logos aparece ordenhando uma estrela,
e homem
dentro da mulher
dê um nó,
para que nunca mais
separe novamente
e a mulher
sobe uma flor
e engolir seu pecíolo
e logotipos aparece
e longo seus rios.

Este homem,
esta mulher
com seu duplo desejo
eles tentaram atravessar
pela cortina de Deus
e eles fizeram isso por um período
embora deus
em sua perversidade
Desate o nó.


***

SYLVIA PLATH (EUA, 1932-1963)


EU SOU VERTICAL

Mas eu preferiria ser horizontal.
Eu não sou a árvore com minha raiz no chão
Chupando minerais e amor materno
Então, todo mês de março poderia brilhar em cada folha,
Nem eu sou a beleza de um pedreiro
Atraindo uma grande parte pintada de Ahs,
Não sabendo que em breve poderá estar disfarçado.
Comparado a mim, uma árvore é imortal
E uma corola não muito alta, mas mais incrível,
E eu quero essa longevidade e essa bravura.

Hoje à noite, na luz infinitesimal das estrelas,
As árvores e as flores continuam a espalhar seus cheiros doces.
Eu cobri-los, mas nenhum deles reconheceu.
Às vezes eu penso que quando estou dormindo
Eu devo certamente parecer com eles -
Noções evanescentes.
Estar na cama soa mais natural para mim.
Então o céu e eu temos uma conversa
E isso será útil quando eu finalmente dormir:
Então as árvores devem me tocar uma vez, e as flores terão tempo para mim.


***

ALEJANDRA PIZARNIK (Argentina, 1936-1972)


FILHA DO VENTO

Vieram. 
Invada o sangue. 
Eles cheiram a penas, 
querem, 
choram. 
Mas você alimenta o medo 
e a solidão 
como dois pequenos animais 
perdidos no deserto.

Eles vieram 
para atear fogo à idade do sono. 
Um adeus é a sua vida. 
Mas você se abraça 
como a cobra louca do movimento 
que só se encontra 
porque não há ninguém.

Você chora sob o choro, 
você abre o peito de seus desejos 
e você é mais rico que a noite.

Mas faz tanta solidão 
que as palavras cometem suicídio.


***

ANA CRISTINA CESAR (Brasil, 1952-1983)


Eu tenho uma folha branca
e limpo esperando por mim:
convite silencioso

Eu tenho uma cama branca
e limpo esperando por mim:
convite silencioso

Eu tenho uma vida branca
e limpo esperando por mim.



Das Loucuras (bakku-shan)

Era um teste, ou um trote, um tatu sem toca, só podia ser;
A vida indo estava belíssima, com um rebolado fenomenal;
Natural um assobio, um gesto cínico, mas evoluímos...
Era um blefe, bife de carne de soja, caviar é uma ova, vamos ver.

A vida vindo com outra cara: 
Chupou limão galego depois da feijoada
A vida fez da minha alma, à vida, submissa.
A via fez da minha escrita, no oceano um obsceno pingo d’água.
A vida viva e a nova cara:
Tomou suco de beterraba com limonada suíça.

Há fanáticos montados em suas motos enaltecendo as estradas;
Há homens de toga – desses falo sem qualquer intensidade.

Vejo futuros incertos com rojões, lágrimas e plenos juramentos.
Vejo você pintando o cabelo, e nesse espelho eu perco o jogo.
A escuridão me encalça, e realça o meu “mudar de argumento”;
Sem perceber a ressalva, entrei no poema do “Círculo de Fogo”.

A vida de costas é simples, sigo seguindo, atrás e só observo;
A vida de frente é o verso, o reverso e o grito da síntese do infinito.

André Anlub


4 de fevereiro de 2019

Sopro


Sopro

Fica tão óbvio, mas por que não falar de amor?
Ópio que entorpece o que se lembra, o que se esquece
Faz do momento um próprio vício
Fica tão certo quanto à foice e o martelo:
Limpa a selva e crava o prego na construção da casa
Por fim um fogo queima tudo e todos
Na maldição do tempo, deixando cinzas ao vento.

O ontem que já foi - correu cabreiro ligeiro
Como já foi o que o ontem alimentou.

Hoje resta o ranço da fanhosa fome de hoje
Fica tão hoje o desejo de repetir o que passou
"Si paisible" a criança desce o escorrega
Calhando segura em segundos – sua alegria.

Homens correm as vidas, as que não tiveram;
Correm, não vivem e às vezes enricam, choram
Nunca alcançam suas auras, o sopro que já se foi
Seguem deprimidos, em comprimidos infelizes
Nem notam que jazem correndo, na utopia vazia

André Anlub

Ferve de fevereiro


Poeta é liberdade, Ícaro que deu certo, 
sem normalidade, sem torto e sem reto;
equidistante do mundo mora no cerne da alma

e com doação e calma conquista os sinceros.

Ferve de fevereiro

Aquele céu azul turquesa em desvario me olhou sem fim, 
Aquele pérfido desvio que abrolhou em mim;
Tal tiro de festim que acerta minhas árduas cobiças,
Meus veios, meus velhos/novos embustes e premissas.

Sou andarilho com zelo de outrora malandro sagaz,
Sou saga, lenda, mito ou talvez nem e nada disso;
Abdico da necessidade de expor o que fui ou sou; já expondo;
Paparico a dona rica do amigo, bom, antigo, verde e grená alambique.

Dito-lhe ao pé do ouvido:
“verde-bílis com preto, verde-bílis com branco, 
verde-bílis com verde-nilo, seu primo distante.”
- Li isso em algum lugar; 
Acho que poderíamos repintar e avivar os quatro cantos.

O céu agora nublado e um assanhado sanhaço cantando,
Como um tablado branco e você dançando seus passos;
Foram descentes decentes, goela abaixo, quatro copos “quentes”:
(quatro pingas, quatro santos, quatro amigos, quarenta e quatro anos);
Peça imaginária, som e luminária, alma incendiária e (pra rimar)...
Ela – metade marcante da minha faixa etária.

André Anlub

Dueto da tarde (LV)

É um homem fiel com sua alegria, por esse motivo não faz acordo com dias ruins, nem vez ou outra.
Não abre concessões para não gostar das concessões abertas. Não faz trato com o Demo para não se tornar sócio dele.
É gente comum que comumente mente para se enquadrar em quadros que tapam os estragos nas paredes.
É um homem que passa reto pelas curvas, que se aborrece com o aborrecimento, que não chove com a chuva nem com o guarda-chuva.
Segue alegre sem derrapar nos de repentes; todavia segue toda vida a via que o leva levemente na corrente de bem – de zen – de gente.
É humano, afinal. Não podia fazer nada que os humanos não fazem, afinal. Mesmo que a maior parte deles estranhe o que um deles faça diferente, no final.
Sente-se bem, e prioriza isso! Senta-se à beira do lago com sua vara de pescar, seu sanduiche de atum, sua consciência leve como a brisa que o beija... se deixa.
Não prega a igualdade nem defende seu direito: vive seu direito e deixa o esquerdo viver como quiser.
Afinal, ele está no claro, no escuro ou em cima do muro? Não importa, pois dizem as boas línguas que foi ele quem fez o muro (mas com uma imensa porta).
A porta é generosa: quem entrar entra, quem não quer fica de fora e ela sempre ali, com ele sempre ali – pois ele é ela, como ele é o muro.
Agora um peixe morde sua isca; no mesmo instante que no outro lago, do outro lado do muro, um outro peixe almoça, e enche sua barriga.
É um pescador. Sua pesca é sua alegria. Sua alegria é sua pesca. Há peixe de toda espécie nesta pescaria.

Rogério Camargo e André Anlub
(4/2/15)

3 de fevereiro de 2019

Corsário sem rumo


Já está na área... Vamos delirar liricamente
Não postarei nenhum rabisco que publiquei nessa Antologia!
Então, que fique claro, o poema abaixo não faz parte do livro 
(para não estragar a surpresa) :)

Corsário sem rumo

No seu sorriso mais doce
Dá-me o sonhar acordado
Nau agridoce ancorada
No porto seguro de um réu.

O cerne mais íntimo partilhado
Como alado cavalo ao vento
Coice pra longe o tormento
Traz na crina o loiro do mel.

Mil flores a pulsar na razão
Vil dor e jamais compunção
Cem cores permeiam na libido 
Sem rumo nem rum no tonel.

Pirata na dádiva do amor
Com a bússola do autêntico anseio
Nem proa, nem popa, nem meio
Voando em direção ao seu céu.

André Anlub®

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.