Na poesia nascente

Vez ou outra há um milagre só pra tal pessoa; 
Não há registro, palavra, pintura, período, motivo ou à toa; 
Não há contorno ou qualquer som que ecoa.
Os olhares e bocas insanas em agonia
Sequer saberão o que realmente houve, e se houve...
Não importa a vil lamúria
Dos olhos rebeldes da cobiça.

Na poesia nascente (15/4/14)

Aquele menino sabido e dono dele e você,
Destemido e escrevendo é capaz de inventar; 
Tornar-se-á mais um rugido - gemido - sussurrar 
Que vai além do planeta, pois é tudo no bom de escrever.

Aquela luz lá no alto, voracidade do pensamento,
Fez de instrumento a aurora que irá ao fim da noite nascer.
É assim a pegada que marca cada momento,
Dedo que sangra no espinho e sozinho cicatriza no tempo.

Esse moleque:
Fez no sonho um gigante e sonhou em ser amado
Amou como um amante que honra seu tempo acordado.

E o ponteiro vai descendo, vai subindo em pé e deitado...
Cabelos brancos ao vento, e só o eco faz som de menino.
E o mistério jamais quebrado que quebra o enigma do dia seguinte,
Fala aos ouvidos ouvintes, fala aos ouvidos largados:

- Virão até mim navegantes, virão prostitutas e beatas,
Trazendo ciências exatas e poemas escritos no escuro.
- Todo o absurdo do mundo estará no bolso encurtado,
Queimando por dentro e por fora um corpo jamais sepultado.

Aquele velho sabido que entregou sua ideia ao próximo,
Deixou cicatrizado no ócio bela tatuagem veemente.
Sorriu com todos os dentes agitando a mão como quem vai
E lá na luz com seu pai se fez forte na poesia nascente.

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