Magnificência da obra

Magnificência da obra

Ah! Essa vida provisória...
Mesmo no abismo num cisco,
na simplória história,
deixa-me lisonjeado e extasiado
pela dada oportunidade
– aventura – vitória.
Insano subir e descer de escadas,
abrir e fechar de portas,
corriqueiras correntezas
no desvairo das incertezas, 
desaguam nas represas da esperança.
Mesmo que o tempo seja curto,
que o circuito entre em curto,
a vida é um admirável absurdo
na incansável eternidade da andança.
Deixe o mistério ser sua sombra,
verso amigo, pleno e sobra.
Ninguém nunca saberá tudo,
tampouco um pouco que seja,
sobre a magnificência da obra.

Divagando I

Encontra-se num orbe longínquo, meu ego prófugo e inútil, degredado pela poesia, encalçado pela humildade, pois sendo maior de idade, bateu em retirada ferido e cansado da vida.
Há amores

Há amor doce com gosto de mel,
há o infinito, com tom de céu.
Tem o que não se vê, pois o lume é forte,
tem o que está perdido, sem sul nem norte.
Há amor como o mar - selvagem - bonito...
Há outro impossível, que soa a um mito.
Amor que não é romeiro, mas vive na fé;
não move a montanha, mas a atravessa a pé.
E nesses amores, há o seu e o meu,
que não é profano tampouco sagrado,
que não é de agrado ser o mais perfeito,
nem quer ser eleito o amor do ano
e embaixo dos panos é sempre alado,
pois enamorado, é mais que verdadeiro.

Divagando II e III

Na geografia do teu corpo, passo o mais ardente compasso; a cada traço uma fronteira ultrapasso. Ao findar o que faço, limpo toda a sua tez e faço tudo outra vez.

Tragam vozes e resmas, tragam versos e temas, porque meu amor pela praia passeia.
Na orelha carrega uma açucena, emoção é plena. O coração tá sereno e o olhar tá sereia.


Notei teus olhos 

Notei teus olhos com tal brilho em diamantes,
notei o instante que me engasga infindável.
Corri por terras mais inóspitas e distantes,
e na procura achei-te inteira, sorridente e amável.

Fiz da essência fartas cores cintilando,
e adorei-te pelo dia, mês e ano.
Agora um raio que faz fenda no meu peito,
fez fogo e medo de um jeito imensurável.

Noto teus olhos que não fulgem como antes,
noto o tempo que te agradas como passa.
Fazes morada na tua zona de conforto,
fazes confronto do amor que explode em mágoa.

Divagando IV

É com você meu excesso! Cada rima faz a lima que esculpe, cada lume é o grito na ideia. A sina e a saudade tomam a forma que apetece. O “blá, blá, blá” de normas e métricas, já tarde falece.


Poema futuro

Um homem joga o seu jogo mais brilhante,
se for conciso é um tom preciso e crucial.
Sendo o mais temido caçador, poeta e amante,
que com unha faz tatuagem da alcunha de imortal.

Até o momento ninguém aqui teve tanta sorte,
o clima sempre bom e o vento às vezes forte.
O solo produtivo e ao longe os tambores,
rufam os amores de um hoje acontecido:
E vão saudades e ficam sonhos
- E vão estranhos num tempo amigo.

A lua saiu com frio e tão pálida,
pensamos que estivesse acamada.
Veio a nós pelo mar, tremendo,
até chegar à praia...
E assim deu-se o beijo.
A lua olha por todos os lados,
Chora por quaisquer dores,
Explica a atual loucura de não mais existir o pecado e nascer cada vez mais pecadores.

Divagando V

A moradia na emoção é o botão de liga/desliga de uma alma incendiária.

Devaneios desvalidos

Os meus sonhos são bucólicos pleonasmos,
são os estágios dos amores em nuances.
Nas andanças são os passos nas estradas,
nas “errâncias” são meus corpos que levantam.

Minha quimera é mais real do que desejo,
um realejo que impregna meus ouvidos.
O mais ácido que se finge sutileza
é a beleza camuflada de inimigo.

Quando acordo para a atroz realidade
e a saudade quer saltar forte do meu peito,
faço um corte com a navalha da vontade...
Te procuro - me entrego - te desejo.

E, enfim, nua nos meus braços, delirante,
dou-te o mel, e o mais belo diamante,
dou-te a vida, dignidade, dou-te tudo...
Submerso - submisso - submundo.

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