Quatro rabiscos para ler no banheiro:
I
Imoral
Dos fascínios de uma única pura sorte,
Entrando em uma farta imensidão.
Preparando-me para o seu ego absoluto:
- estou chegando maior que o mundo
E menor que a palma de sua mão.
Quero ser dono da sua alma, do seu coração;
Um pouco do absurdo de nunca ter tido uma vida pura.
Da pureza que lhe é rara
E na redundância de minhas palavras,
Friso-as bem, antes que emudeço.
Suga tudo que é de bom de tudo
E do seu próprio sangue, mesmo que ralo:
- Assim que é falha, assim que é fogo
Pois assim na palha, tudo é um jogo.
(incendiou a sua casta)
Caminhada perdida e alma penada,
Feliz, de encontro ao avesso.
Nunca há derrota, pois de certo a merece.
Em todos os seus pecados, padece.
(Imoral, impura, inquieta, imortal)
Uma vida de lama se perpetua,
No desdém que sua chama queima,
Colecionando paixões às escuras...
(nomes não interessam a ninguém)
A religião é descartável?
Ou um deus só para chamar de pai?
Órfão já na barriga magra,
Aquela raiva que sempre lhe trai.
II
Poema futuro
Um homem joga o seu jogo mais brilhante,
Se for conciso é um tom preciso e crucial.
Sendo o mais temido caçador (poeta e amante)
Que com unha faz tatuagem da alcunha de imortal.
Até o momento ninguém aqui teve tanta sorte,
O clima sempre bom e o vento às vezes forte.
O solo produtivo e ao longe os tambores
Rufam os amores de um hoje acontecido:
- e vão saudades e ficam sonhos
- e vão estranhos num tempo amigo.
A lua saiu com frio e tão pálida,
Pensamos que estivesse acamada.
Veio a nós pelo mar e tremendo
Até chegar à praia...
E assim deu-se o beijo.
A lua olha por todos os lados,
Chora por quaisquer dores,
Explica a atual loucura de não mais existir o pecado
E nascer cada vez mais pecadores.
III
Concubino erudito
Já foi de encontro,
Com as duas mãos aos ombros,
Ensaiando um inolvidável beijo,
Demonstrando assim ser o mais original.
Antes adormecido Vesúvio.
Conquistador caro
De curtas palavras afetuosas;
Minucioso no andar e no faro,
Pretensão volúvel.
E o mal...
Serpente que persevera,
Sempre há tempo que abunda.
O veneno que fica à pampa
Na sombra e na sobra
Do mais novo ovo de cobra.
Desequilíbrio patológico
Espalhando suas crias
Nas cidades, nos bairros,
Nas ruas e vias.
E o bem...
Conquistador irrestrito,
Viu-se na acerba enrascada,
Preso ao amor puro e adequado,
Afogado em águas rasas...
Tornou-se de gosto
Um concubino erudito.
IV
Concubino erudito (revanche)
Chegou manso,
Com aquele papo de ouro:
- conquista, envolve e absorve.
Se não deu, dá um tempo e tenta de novo,
Naquele clima fresco:
- aquele vinho bom, lareira acesa,
Sentimento em “blow”.
Se já há resposta, atividade!
Com responsabilidade faça de jeito
E de bom-tom.
Vejo o futuro:
- a mulher grávida caminhando na praia,
Saia rodada e imensa vontade
De estar numa festa cálida.
(pagã)
Para quebrar a leitura
Aumento essa poesia fútil,
Dispensável, absurda,
Cega, surda e muda,
Com esse parágrafo inútil.
Volto ao conquistador barato,
Réu com popular palavreado...
Engomado, com a boca que dança
Ao som da goma de mascar.
O ser mascarado,
De louco disfarçado,
Fazendo crueldade.
Escreve livros invisíveis:
- irrisórios (de matar)
- sem fim (há de acabar)
E até mesmo sem finalidade.
Por fim surgem infinitos demônios
Sem nomes nem rostos,
Sem breves e longos amores,
Surgem para lhe buscar.
Agora vemos as dores
Que somem, longe,
E deixam os motores
Que impulsionam o viver.
É só mais um dia
(vida e coração)
Visão apaixonada,
Do fluxo, sangria,
E adoração.
Não há mais a dizer,
Só abra os olhos
E permaneça amando.