25 de agosto de 2020

Lendas verdadeiras

 

Lendas verdadeiras


Indo esperto, sendo longe, médio ou perto;

Frio tipo espeto, noite longa de outono.

O cheiro é evidente, o barulho estrondoso,

Faca nos dentes e o corpo solto e impetuoso.


Quem foi e voltou feliz, não se esquece...

O melhor dos melhores é somente reflexo;

Quem é saudoso às vezes se aborrece,

Pois imerge fundo no indiscreto sem nexo.


De certo modo torto anda-se reto

Com a mente dormindo e o ideológico ereto.

A vida é louca varrida, empurrando com a barriga,

Os pés num céu encoberto de uma tempestade vadia.


Tudo firme e fato; tudo filme e teatro;

Nada falso e forca; nada Fausto e diabo;

Nas lendárias escrituras – imaginárias rebeldias,

Perde-se o talento de Goethe, se ganha de jeito à poesia. 


André Anlub

22 de agosto de 2020

Árvore de Josué

 




Árvore de Josué
Isolado no deserto, na sombra da grande árvore de Josué
Escrevo alguns singelos rabiscos líricos
Com o pensamento em nossa casa, lá, distante
Em nossos cães correndo, deselegantes...
Vindo de encontro a você.

Por um instante a alma estacionada aqui se eleva
- Não há treva nem angústia
Sinto meu corpo acompanhando
Por dentro de memórias e histórias sublimes.

Sentindo o belo em todos e em tudo
Caminhando na chuva por cima de um arco-íris sem cor
Surdo para qualquer som absurdo
Um banho de chuva e de glória.

Estou no alto e vejo-me pequenino sentado
Estendo as mãos e solto um dilúvio de letras 
Elas se unem formando versos
Casam-se como bolas de neve
Banham minha carcaça, minha pele
Deixando-me ainda mais extasiado.

São dois de mim que se completam
Ilustrando para expor como me sinto
Porre de absinto de inspiração
Banho de chuva, seiva suave,
Que salva a todos – no tudo,
No corpo, no avejão.

André Anlub®


20 de agosto de 2020

excelente quiinta aos amigos

 


O mestre em yoga

Com a força de vontade

Ensinou-me o yin-yang.

Sei que tudo vai e volta

Na vida e na verdade

Como bumerangue.

Viver não é uma “suruba” em Aruba

Tampouco um “ménage” em Laje.

O mestre Yoda

Sem pretensão

Ensinou-me a força

Mas numa live

E por livre e espontânea pressão.


Lá vem você satisfazer,

Tirar-me o fôlego que faz ferver.

A sua nudez me persuade

E faz mais grave o meu querer.

Vejo-a no quarto e na rua, nua.

De olhos abertos, olhos fechados,

Vou à lua, ao centro da terra...

Alucinado.

Na retina o brilho da silhueta,

Na pele crua o doce arrepio.

Suas facetas impõem o medo,

Impõem domínio e expõem segredos.

Lá vem você – agora

Minha alma implora... E grita:

A casa é sua, a rua é sua, meu mundo é seu.

Pode vir.


André Anlub®



19 de agosto de 2020

Nuvens novas





A Mentira de pernas curtas, médias, longas, maratonista ou lerda, um dia se enfastia e acaba sendo alcançada.

Nuvens novas

Despontaram pela montanha: sonho, esperança, rebanho.
Olhos se encharcaram novamente: na boca seca os poemas saem fanhos;
As mãos alcançam o que outrora esteve atrás,
Afagam, resguardam – todavia – o que agora está à frente. 

Em demasia os novos elos da corrente: nascimentos, novas falas;
Almas virgens – desvirginadas; semente do afã que à mente abala.
Atuação impecável, no futuro o tempo passado – o tempo presente;
Força corriqueira que desce em paralelo: corredeira;
Forca traiçoeira que sobe feito fumaça ao norte: morte.

Pela janela nuvens de chuva se viam e serviam de cenário,
O chá bem quente, a febre rente e ardente, 
O cheiro do campo descansa: quase um calvário.
No pensamento sucinto, incondicionais certezas invadem:
Há nuvens novas; há versos em pássaros; há fleuma na flor que nasce.

André Anlub


5 de agosto de 2020

Das Loucuras (Xerpas e Denisovanos)



Das Loucuras (Xerpas e Denisovanos)

A animação chegou com vontade
A força de uma energia que pode ter vindo do espaço
Nervos de aço; sangue díspar; disparidade
Todos num só, mas com outro caminho traçado

Terras sem dono; donos que muitos desenterram
O tempo fez seu serviço com o compromisso da espera.
Ouroboros, bolos confusos da história...
Bora saber mais dos tempos de gloria.

E dizem por aí que há resposta para tudo,
O absurdo do burro e achar que é a cenoura que quer enganá-lo.
Cada asno no seu cercado; cada bugio no seu galho
E o homem achando que é o dono do pedaço.

Quanta ironia nos cerca quando se joga a pedra
Pois não faz onda no congelado lago.
Por entre casas velhas e novos edifícios
Teimamos e focamos no ego medíocre
Que nos afasta do achado e aproxima do estrago.

“Nem margarida nasceu” – nasceu foi o imbróglio.
E assim passam-se os dias, em idas, uvas, vinhos, vinhas...
Única alquimia necessária, dentre tantas dispensáveis,
Procurando chifre em cabeça de unicórnio...
Talvez em Marte encontraremos a resposta...
Mas tem que estar bem explicadinha. 

André Anlub®
(2/8/20)



29 de julho de 2020

Ouro de tolo (Parte II)



Ouro de tolo (Parte II)

Ouro valioso, rico enriquecido, diamante da noite/dia endiabrado,
Constrói-se um abrigo inimigo de brilhantes errantes e fúteis.
Mundo sórdido de fel, cruel, vil;
Colherada de antídotos e janelas fechadas ao sol mais belo.

Íris, anel, elo, perdão e ar; 
Enxerga a riqueza no breu dos olhos cerrados. 

É amplo o mistério, é mísero o conteúdo da cachola;
Faz-se um mundo imaginário de ostentações e glórias.

Na paz, na tez: espelhos do medo de tudo que se é.

É fechado e discreto o inverno: nuvens negras e tempestades 
(dentro de si próprio);
É trancado e resignado o verão: sol quente queimando a alma
(desesperando o ódio).

Tem que se deixar ir, deixar o corpo livre ao vento;
O gole de absinto do amor – fluir, e finalmente ruir falsos intentos.

Ouro valioso é a vida: goles de eternidade na água rara bendita;
Abrigo é coração alheio: calor da paixão, dois/todos mundos divididos/inteiros.

(Até mesmo os artistas porcalhões, não deixam jamais sua arte de lado, preferem lugares com clima úmido para esculpirem melhor suas melecas).

André Anlub

27 de julho de 2020

Outras línguas


Outras línguas

Os prot
egidos pe
lo mun
do dos poet
as de estre
las, em ala
medas de calaf
rios, noturn
os, matut
tinos, vesper
tinos... diant
e das bel
as lu
as, dos
bel
os mar
es e lin
dos ri
os...
só, e tão somen
te pod
em est
ar cant
ando pel
a boc
a dos inúme
ros amant
es de afet
os extremis
tas que transm
utam em simp
lórias pa
ixões, lín
guas e pal
avras... e esp
alham-
se nes
sa imensi
dão do mun
do das vari
ações de co
res, cant
os e co
rações.

André Anlub®


26 de julho de 2020

Das Loucuras (cogito, ergo sum)



Das Loucuras (cogito, ergo sum)

Vai devagar, de vagar em vagar, sem pisar na grama...
Porque a mente e a rosa não são mentirosas.
Vogo, envergo, vejo e vivo em excelência
Quando tu estacionas teu pensar vago
Na vagabunda vaga da minha essência.

Vai bem ligeiro, pelo meio-fio...
Mas cuidado com os bueiros.
Nesse bem-me-quer lisonjeiro,
“Um qualquer” ao mensageiro.

Voam rotinas,
Aproveitando o entre e sai do parco dinheiro no bolso;
Decola o pressuposto,
No acalorar da fé no verdadeiro... 
Seria o décimo terceiro?

Na irregularidade da areia, vara, vira-lata, varia...
A arapuca de ver seu rosto – pareidolia.

Na perfeição do dia, ama e odeia, adia, anuência...
A rebeldia de me achar incluso – prepotência.

Nossa bolha se quebra, e, de-quebra, borbulho...
Meu mundo se funde ao seu, “se fundeu – fundilho”.
Me redimo em uma nova redoma...
Sempre cabe mais um quando se usa “Rexona”.

Nossa bolha se emenda e nosso espaço em um só.
Posso achar-me um bocó... pois autoflagelo é ferramenta.

Finalizo a conversa e inicio o caminho...
Sinto-me tão sozinho – avesso do vice-versa.

André Anlub


Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.