23 de janeiro de 2020

Dos anátemas




Dos anátemas

Roubou alento de quem é mais anêmico
E pouco antes do mesmo fenecer 
Pisou, cuspiu e sorriu.

Entre sonhos ali e ali, envelheceu senil...

Achincalhou a falta ou a existência da fé alheia
E quem caiu na sua teia, o destino foi sucumbir.
A condição “sine qua non” para sua existência é macabra
Chifre de cabra, língua de serpente e asa de morcego
Seu amor é cego... Arrancou-lhe os olhos com um pé de cabra...
Derrubando o amor, o corpo, a alma, o ego.

Entre pesadelos aqui e ali, sobreviveu ao mundo. 

Nesse holocausto foi só mais um fausto,
Um molambo, sem pé nem cabeça, um “sujismundo”.

Fato verídico que poucos notam
A nota de 2 reais existe, e ponto...
Na ponta da faca escorre uma gota
Podendo ser sangue, suor ou pranto.

André Anlub®

21 de janeiro de 2020

Como era bom o meu Francês!



Das Loucuras (sexo, drogas e jazz)

“- Menage? 
- Não, obrigado...
De duas pessoas desapontadas comigo já bastam os meus pais”

Passei pano para uma menina que me desapontou
Hoje eu já iria preferir passar um café...
Talvez, quem sabe, por obséquio, chamar para um rolé
Mostrar quem fui e, agora, quem sou.

Sabia que a vida fluía, e o fluído descia à vontade
Sabotando vontades; quiçá um guisado de poesias ralas.  
O sonho alimentava a ansiedade, vontade de azul, mar, liberdade...
Expus meu espirito ao lado de outro e preparei minhas falas.

Quanto vale o meu orgulho empanado?
O amor quebra as barreiras, faz sua sombra e anda ao lado.
Os cabelos brancos chegaram, mas nem sinal de apatia
Foi tia, amiga; é avó, amiga... e quem diria...
Nem pensa naquele lance de “do pó ao pó”.

Mas a mim voltamos,
Minguado, às vezes; feliz, quase sempre
Algum leite derramado, bem lá do passado
Que não quero passar nos próximos anos.

Cercado por natureza e sempre com dúvidas e certezas
Sem escrever à toa; sem bagunçar a esmo
Em variantes variadas – mas bem-vindas 
Cheguei às alturas nunca antes vistas...
Não fazendo mais vista grossa para mim mesmo.

Em tradições e contradições
Empreguei minhas forças e arregacei as mangas
Subi num pé de manga e fiz orações

As loucuras e sacanagens guardei num canto da garagem
Está lá, dando bobeira...
Em uma caixa escrito “me esqueça”...
E como sei que obedeço à beça
Sempre vou lá para tirar a poeira.

André Anlub®
(21/1/20)

18 de janeiro de 2020

Buraco da agulha



À noite brinca com o frio,
De dia a libido é o calor;
Mão e antemão, inércia e ação.
Bela – imponente – resistente
Como uma enorme rocha...
(assim é você)
A maçante aflição deve ser viver na solidão...
(não há quem possa)

Buraco da agulha

Passou pelo pequeno buraco da agulha
como um raro e sensato camelo franzino. 
Deixou ao relento seu ego sozinho
e jogou num bom vento os versos nas ruas.

É no amor, e não há impossível
no verossímil da batalha à vitória.
Fez de fulgentes momentos, o invisível
e na equação da paixão, a auréola simplória.

Sim, eu conheço, sei bem dessas fábulas
sei qual o seu curso, bons e maus imprevistos.
Falam de alguns vícios, falam de absurdos
não provaram na língua o que dizem amargas.

Qual o passo difuso em logradouros de deuses?
O que fez um sol confuso no louro da Nêmesis?

E agora um velho e sábio seguia adiante
e passou novamente pelo buraco da agulha.
Ficou na agrura, pois não era um camelo
ao se olhar no espelho viu somente um gigante.


André Anlub®

16 de janeiro de 2020

Das Loucuras (transparente como a telha da varanda)



Das Loucuras (transparente como a telha da varanda)

Vendo no espelho o cocuruto reluzente,
Iluminado pelo sol que vem agora,
Através da telha larga e transparente
Vejo que ausente é a telha em minha cachola. 

Sinto-me uma hiena sorridente,
Num mundo louco que só quer que você adoeça...
Não salgue o meu ser – antes que me lembre;
Não adoce meu café – antes que me esqueça.

Pela absolvição dos meus pecados
Sairei em busca do que desconheço por agora.
Deixarei sinal de fumaça e bilhete como recados;
Levarei sal de frutas, kiwi e torta de amora.

Queria algo mais ilustrado na minha alma,
Tipo um misto de Kandinsky e Jackson Pollock.
Por enquanto sou um desbotado preto e branco,
Como a fumaça do cigarro numa aurora.

Sou livro aberto nesse poço cheio d’água
Onde o mundo afogou-se em suas guerras.
Tentei salvá-lo, mas lembrei de não ter guelras...
Chorei mil rios dentro de uma mesma mágoa.

André Anlub®
(16/1/20)


15 de janeiro de 2020

Das Loucuras (obeso à beça, o bicho abraça)


Das Loucuras (obeso à beça, o bicho abraça)

É, o inusitado adveio na veia
Como a plateia havia esperado...
Tirando o canto dos pássaros
E colocando a voz que não fala.

Para o bom entendedor, meia palavra é pala...
E assim, no porta-malas,
Vai o corpo todo furado do Jimmy Hoffa
Ao som de Clark Terry e Tineke Postma.

Alguns acharam se tratar de loucura,
Mas o tratamento e a cura sairiam caro.
Aos olhos dos caros nobres o que não é espelho é espúria,
E vivem infelizes com a falsa pureza de tentar ser o raro.

Mas, num dia frio de inverno
Descobriram que os castos também careciam ser tratados...
E assim estenderam o tapete vermelho rumo ao inferno,
E houve vinho, vestimentas, joias e muito mau-olhado.

Caminharam vestindo suas mantas e máscaras obscuras...
Tão brancas que venderiam sabão Omo adoidado.
A comida farta no prato, a cruz no peito e o pleito ensaiado,
Gritavam satisfeitos marchando em suas ruas.

Mas, o anunciado veio numa noite quente de verão:
Chega de festa, de servos, basta de injustiça...
Aquele homem com o cravo nos pés e mãos não viveu em vão;
E almas ruins foram caladas; e almas boas viram notícias.

André Anlub®
(15/1/20)



Das Loucuras (ansioso por natureza, por transmissão, por, por...)





Das Loucuras (ansioso por natureza, por transmissão, por, por...)

Desconfio que a falta de confiança anda muito em voga
Volta e meia pego-me com o pensamento no nada.
Há o molambo da esquina; há o molambo de toga...
Tudo é grátis quando se fala em cavar a própria cova.

Positivamente pensa-se na nada utópica resiliência,
Dentro de uma saliência entre a dependência e o ser autônomo.
Há a linha tênue que separa a tênia do estomago
No âmago da fábula obscura de uma inventada adolescência.

Quando tudo que se foi ontem torna-se uma lembrança saudosista,
O minuto passado sempre é folia sem proveito.
Mesmo fazendo do agora uma libertinagem mista,
Amanhã o derramado leite se tornará um degradado leito.

A janela da alma se abre e então os famélicos são avistados...
Todos, eu disse todos, eram invisíveis até outro dia.
Estão lá catando sobra, pedindo socorro, rumo aos descasos...
Às vezes há um ruído como se fosse um discurso à revelia.

Falam do futuro, das eternas esperas;
Falam da primavera, nesse mundo que é duro.
Ansiedades são luxos no refluxo inconstante de viver nulo...
Vale querer algo mais no enfrentar das feras...

Mesmo sabendo que sonhos não lhe são permitidos,
Quando há consciência do momento vivido.
A imaginação floresce no asfalto seco da mente
E assim vão-se os dias do sadio no mundo doente.

André Anlub®
(15/1/20)



12 de janeiro de 2020

ótima noite


Encontra-se num orbe longínquo
Meu ego prófugo e inútil;
degredado pela poesia,
encalçado pela humildade,
pois sendo maior de idade,
bateu em retirada ferido e cansado da vida.

Na geografia do teu corpo,
Passo o mais ardente compasso;
A cada traço uma fronteira ultrapasso...
Ao findar o que faço,
Limpo toda a sua tez
E faço tudo outra vez.

Tragam vozes e resmas,
Tragam versos e temas,
Porque meu amor pela praia passeia.
Na orelha carrega uma açucena - emoção é plena...
O coração tá sereno e o olhar tá sereia.

É com você meu excesso!
Cada rima faz a lima que esculpe,
cada lume é o grito na ideia.
A sina e a saudade tomam a forma que te apetece...
O “blá, blá, blá” de normas e métricas, já tarde falece.

Tem carma que não é carma,
É licença poética do destino.

André Anlub



11 de janeiro de 2020

Curriculum Poético



Curriculum Poético

Começo pelo modo mais fácil
Entrego o meu ser por inteiro
Espero uma solução instável
Busco o dito amor verdadeiro

Nunca fui exigente demais
Também não sou perfeccionista
Visto a camisa da paz
Não vivo a vida seguindo uma lista

Não traio e não suporto traição
Atraio para mim uma forte energia
Dispenso qualquer tipo de apresentação
No sexo faço a dois a minha orgia

Amo a natureza em geral
O mar, sol, lua o sul e o norte
Penso que recíproca é uma coisa normal
Não temo, nem subestimo a morte

Dinheiro para mim não é tudo
Contudo, tê-lo não faz mal a ninguém
Grandeza muitas vezes é absurdo
Humildade sempre receberá nota cem

Não sou nenhum vegetariano
Amo um bom filé mignon
Faço aniversário todo ano
Não minto minha idade em vão

Não me importo com cor, religião ou time
Sou uma pessoa fácil de conviver
Não me chateio se falam que meu verso não rima
Mas fico triste se a pessoa não ler

André Anlub
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Gripe Sulina ou Suína

Agora vem a gripe suína
Já houve a espanhola
Mosquito da dengue
O vírus Ébola

Para uns, um modismo
Outros, coisa séria
Uns culpam o otimismo
Outros, a miséria

Empurram com a barriga
Cheios de entusiasmo
Cheios de lombriga
Vazias pelo marasmo

É culpa do país
Dos governantes
Por ai sempre se diz
Avisa aos navegantes

André Anlub
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Várias Cores Formam Você

Seus cabelos pretos brilham
Sua pele branca reflete
Seus olhos castanhos enobrecem
Sua boca rosa, veludo
Um narizinho pontudo

Um queixo, lindo, um beijo
E um pescoço macio
Visível corpo sadio
Me fez gostar mais de você.

Suas mãos macias, maças.
Escrevem cartas de amor
Que dizem coisas bonitas
Muitas vezes escritas
em um momento de dor

Me toca, faz um carinho
Nunca me esqueça sozinho
Sua sombra no meu caminho
Uma abelha pousa na flor

E nessa flor não tem espinho
nunca estou abandonado
Ligeiramente apavorado
como um filhote no ninho

André Anlub
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HOSPÍCIO

Salientaram no hospício
Ninguém iria comer
Injeções na testa
Mais que um sacrifício

Uma doutrina errada
Condições terríveis
Faces amarguradas
Pessoas mais que sensíveis

Não tinham valor algum
Exclusos da sociedade
Pessoas novas e de idade
Somavam um mais um

Indigentes, obscenos
Cenas do dia a dia
Pretos, brancos, morenos
Sujeitos a revelia

Desprezados pela verdadeira família
Inúteis sem poder reciclar
Cães expulso da matilha
Sem ter mais em quem amamentar

Aos montes iam se definhando
Em um frenético vai e vem
Homens mortos andando
Passos calmos pro além.

André Anlub (23/7/09)


Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.