Dueto da tarde (X)

A velha ponte entre sonhar e ter sonhado, entre acordar e continuar sonhando
Deixando-me entusiasmado por dar cria ao inspirado fato que move meu coração.
Gosto de pensar que ela sabe de onde me trouxe e sabe para onde me leva,
Pois a travessia pode até ser árdua; mas água, pão, lápis, pincel e o bloquinho eu levo para uma eventual contramão.
O mapa eu deixo para as pontes como esta. O mapa vem-me das pontes como esta.
Sinto-me realizado, não quero conhecer o futuro, o porvir; quero embriagar-me de novidades, olhar sempre com olhos de novo, de “aqui”.
A velha ponte que atravesso todos os dias também renova o olhar do “aqui”, é o seu colírio e o seu oftalmologista; 
é também meu dentista que cuida/clareia/incendeia e congela o meu poético “sorrir”.

Rogério Camargo e André Anlub®
(12/12/14)


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