Os tais anos ainda não vividos

Capa da edição digital de abril de National Geographic Brasil. Guerra à ciência. Tibete. Coluna de Trajano. Lagos. Telescópio Hubble. Disponível no iba clube (iba.com.br), AppStore e GooglePlay.
Posted by National Geographic Brasil on Sexta, 27 de março de 2015


Os tais anos ainda não vividos
(André Anlub - 21/4/14)

Faça com seus brinquedos de montar
Aquele casarão da sua imaginação.

Coloque janelas aos montes,
Para nos dias escuros a luz chegar farta
E em dias frios o sol entrar com afinco.

Coloque enfeites nas paredes
E para consumir o tempo
Coloque quadros dos mais confusos.

Vieram nuvens gordas e ondas gigantes
Trazendo o receio e uma água mais fria.
Vieram estranhos trazendo bebidas
E com o sol escaldante
Acenderam a euforia.

Não os tema!
São apenas estranhos de boas intenções.
Alguns são pescadores de sereias
Que fazem vigília no cais;
E no caos do silencio das redondezas
Somente o choro baixinho
Dos inconformados.

Assim forma-se a tal “bola de neve”,
Já que o tempo é guerreiro
E alimenta o imaginário.

Assim se leva no jeito de jeito,
O que se faz de gosto
Na grama ainda mais verde.

Foi-se o corpo à mercê de mil ventos
Em asas longas de longas sombras
E penas douradas de puro ouro.

Passou ao lado do falcão peregrino,
Deixando seu som,
Sua beleza e pudor.

Acabou com a lamúria da vizinhança,
Transformando todos em agitados meninos.

Dorme agora...
O casarão iluminado pela luz da lua
Que entra pela janela da vida.

Sonha agora...
Mergulhando no silêncio da madrugada,
Alimentando-se da saudade cultivada
E também dos anos ainda não vividos.

Estou muito compenetrado
Nas minhas distrações,
A tal modo que me flagrei
Dançando sem música 
E assim segui até o final do disco.

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