DIANTE DAS CRISES

Augusto Boal conta deliciosamente, em “Histórias de Nuestra América”, o caso de uma velhinha que foi morar na favela porque o seu maior pavor na vida era o de ser obrigada a ir morar na favela. Conviver com a pobreza extrema apavorava a boa senhora. Então ela foi conviver com a pobreza extrema. Parece extremado, mas não deixa de ser positivamente didático. Enquanto se agarra na esperança de que “talvez não aconteça”, quando está para acontecer, o cidadão morre aos poucos. Feliz daquele que, diante de uma situação de crise, pondera: Bom, o que é que de pior pode acontecer e o que se pode fazer diante disso? Esta pessoa tem os pés no chão e, por conta disso, pode contar consigo mesma. Empurrar fantasiosamente com a barriga é ir morrendo aos poucos. A esperança é a última que morre e a primeira a matar. Muito mais útil a si mesmo é o indivíduo que encara as possibilidades mais agudas com as ferramentas que lhe garantem uma realidade palpável: seja qual for a circunstância ele  prevalecerá.

ROGÉRIO CAMARGO  

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