Dia Mundial da Água


Podado no Ceará

Voei de Juazeiro do Norte, de sortes, de nuvens,
Sol quente, um pouco de sede e muito já de saudade.
Deixei o olhar dos cães e os meus olhos úmidos para todos que tenho apreço...
Mas é breve, é coisa ligeira; já, já retorno depois de beijar o mar...
O tempo passa tão logo, tão “flash”, como os ponteiros do relógio,
Na pressa e na eternidade do tempo que sempre já foi.

Seguem avião e emoção, trocam-se óculos: escuros – de grau;
Vem bloquinho, vêm sonhos de realidades...
Ao meu lado na poltrona: ninguém! Lugar vazio é coisa rara nos tempos de hoje...
Vai ver foi brincadeira do destino, para aumentar o vazio – duplicar a saudade.

Fortaleza é Meireles, Aldeota... um dia declamando suas retas, suas tortas;
Poesia do Brasil que simboliza o simplório mais suntuoso e calmo,
Fantasia todas as mentes salgadas, doces e até as ensossas... por que não?
Frescor de naturais perfumes que transpiram os corpos em cores,
Os amores em mão e contramão.

As feirinhas: tão nossas, tão de todos; Origamis dos papiros em sonhos – cá e lá...
Bonsais encarnados são árvores que nascem de breus ou lumes... fazem-nos alados;
Dizem tudo na singeleza do podar, – fui podado no Ceará.

Agora é sentir a brisa e deixar o ciclo rolar; é soltar o barco no mar e acreditar;
É curar o arrepio, ser pertinente e vadio.
A sujeira é limpa e o borrão torna-se um belo desenho.
O arremate depende do escultor, a escultura não está completa;
O que virá, veremos; o que se foi, folia que liberta.
A justiça sempre é feita, de uma maneira ou de outra – ela é inquieta.

Agora torno-me mais eu e bato o martelo... cumpro minha missão,
E na submissão, que assaz “sub”, meço-me, aceito-me, e dá o que dá...
Mais uma vez fui podado (com muito gosto) no Ceará.

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