Nos varais


Nos varais

Nos varais o ardente dos verões,
Carros passam no asfalto emanando calor.
Pobres pés descalços vão estender roupas,
Loucos com seus vieses, variações e viagens.

Varais com varas de bambu - apoiam-se...
Chegam a confundir os olhos ligeiros,
Quem estaria apoiando quem?

Varais das Valérias e Veras,
De coloridos poéticos,
Eternidades efêmeras,
Momentâneos de eras.

Nos varais frígidos dos invernos,
Casacos acenam com o vento,
Na corda bamba do tempo,
Nos confins dessa esfera.

Pendura e perdura

Verás os varais pelo planeta afora
Alguns dependuram difusas histórias
Toalhas sujas, lençóis manchados
Burcas, fardas, camisolas...

Verás secarem farrapos
Roupas de seda e algodão egípcio
Algumas despontam sacrifícios
Pintam os adornos nubentes.

Verás os varais internos
Que penduram o ódio retido
Enxuto, infecundo, rachado
Como as rugas do envelhecimento.

Também verás os que penduram amores...
De diversos calibres e cores
Sem importância do enxuto ou ensopado
Vale o corpo que aqueceu algum dia.

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