Dueto XXIV


Em casa é um homem sério, reservado, sisudo beirando o mal-humorado. Na rua é um bobo-alegre, e ri tanto à toa que até engana que sua alma voa.

Dueto XXIV

Claramente a clareza buscava um pouco mais de luz ao esticar a mão e tocar o sol do meio-dia.
Toque quente, gentil e sutil, que transforma o vil na magia/energia da melodia
Em cujos acordes acorda o sonho e se deixa levar como um barco dócil aos ventos, como uma andorinha solta nos ventos,
Tão belo como o rascunho de um milagre e tão encaixado como o beijo da mãe natureza.
Claramente a clareza não queria apenas a si mesma quando buscava um pouco mais de luz para a iluminação que já tinha:
Queria imputar muita claridade ao breu, aposentar de vez a escuridão e, por fim, dizer “não” às tempestades negras.
Era um ideal como qualquer outro, mas era o ideal da clareza. E então seus olhos cegaram de ver
Com a mudança que não poderia haver, pois a escuridão sempre foi/é/será necessária. A falta dela não deixa a clareza viver.

André Anlub e Rogério Camargo

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