Hora ou outra...

E vem...
Os olhos mirando o bloquinho,
Sou zanho, sou zen, sozinho.
Quebrou-se o silêncio,
No barulho do meu copo.
O gelo frenético batendo,
No fino e fanho vidro,
Ao ser mexido pelo dedo.
E vem o convite à escrita...
-- x --
Ontem nem sinal de uma ideia
Mesmo com choro e com vela
Com água que encharcou a janela
Respingou nas minhas pálidas folhas.
-- x --
Os meus sonhos são bucólicos pleonasmos
são os estágios dos amores em nuances
nas andanças são os passos nas estradas
nas errâncias são meus corpos que levantam.
-- x --
O mar me ganha assim:
de jeito, de repente, de encanto.
E mesmo eu envelhecendo
e aos poucos ficando mais longe
o amor e o respeito só aumentam.
É o mesmo que acontece
em relação a vida.
-- x --
O medo pinta o corpo da cor que lhe convém
trata a chama com desdém.
Não deixa mais se aprofundar na fábula
Sobra o raso e alimenta a mágoa.
-- x --
O mestre em yoga
Com a força de vontade ensinou-me o yin-yang;
Agora sei que tudo vai e volta,
Na vida e na verdade (como um bumerangue).
Viver não é uma “suruba” em Aruba,
Tampouco um “ménage” em Laje.
O mestre Yoda sem pretensão
Ensinou-me a força,
Por livre e espontânea vontade.
-- x --
O meu dó
de ver sua ré
sem mi mi mi
de lua a sol
de cá e lá
fala por si
sem fã, sem fá.
-- x --
O orvalho brinca de tobogã,
Em uma enorme folha de taioba.
Sei, sei que ainda necessitava de mais música,
Música boa, aquela apreciada pelos pássaros,
Que dançam valsa com o vento.
-- x --
O poeta foi assaltado
Por duas letras “A”
Que saltaram de sua folha
Repentinamente,
E era dia de semana
Em plena Copacabana.
Levaram-lhe a inspiração
Lembrou-se das casas com luz e pessoas sem ler
Lembrou-se das mentes criativas censuradas pela lei
O poeta tocou a face e enxugou o pranto
Sabendo que tem muito mais da mesma...
Passou agora a distribuí-la.
-- x --
O próspero havia recebido conserto
e a velha flecha no seu peito
enferrujou e ruiu.
Os olhos caçam felicidade, agora mais secos
e a sombra não mais se encontra por aí, vagando...
Meramente sumiu.
-- x --
O sol está sempre penteado, perfumado, bem vestido...
Também muito cortês e fotogênico, sempre amigo.
Ao se pôr, diz: “Jusqu'à demain, bonne nuit!”
-- x --
O tempo é sua Nêmesis
Levante
Percorra
Vá a qualquer direção
Saindo do ostracismo
Saindo do falso abrigo
Imersão no lirismo
Admitindo a paixão.
-- x --
O tempo passou e passa
semente que germinou e germina;
som das boas ondas.
Vi e vejo as ondas de beleza, simples como a natureza.
A vida segue sentinela,
olhando por onde anda e onde pisa.
Na minha essência... Isso é de praxe.
-- x --
O tempo se esgota, é a gota d’água
que desagua na grota e no vento
pois invento a lorota da mágoa
por não encontrar meu contentamento.
-- x --
Olho no olho
dente por dente
É coerente
os opostos se atraem.
Na beira do abismo
um passo à frente
mergulho fundo
só o amor constrói.
-- x --
Olho-te e já não vejo só o teu rosto...
Vejo uma aquarela de intermináveis possibilidades.

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