Dueto LXXXV

A cena da vida (6/10/12)

Relembro promessas vi-me em outras épocas remetido ao passado, meu caminhar já caminhado.
Esperei te achar, por detrás dos arbustos, arbustos de pele no cheiro de capim limão.
No núcleo de cada ideia há uma pequena, mas poderosa explosão. fico por aqui, calado, digo até amanhã. Seguro a mão do meu guia (sinal de aceitação). o que procuro? o que me falta? o que me farta? em que me incluo? Retorno no tempo, ao jovem velho que sou, com lapsos de clareza, com raptos de coragem, absoluta certeza na direção da cena que outrora centenas... cena da minha vida.
II
A condição “sine qua non”
Para sua existência é macabra; língua de serpente, asa de morcego e chifre de cabra; seu amor é cego... arrancou-lhe os olhos.
Nesse holocausto é só mais um fausto, fato verídico que poucos notam; na ponta da faca escorre uma gota podendo ser sangue, suor ou pranto.
III
A dialética do homem atual é transformar em filosofia coisas simples, óbvias e deixar de lado o que é de suma importância ser debatido. 
IV
A impunidade é como um patrono para a contravenção: apoia - encobre - estimula.
A lei com seu longo braço fica sem mão:
Impotente – descrente - nula.
V
A lua saiu com frio e tão pálida, pensamos que estivesse acamada. Veio a nós pelo mar com seu belo reflexo, tremendo, até chegar à praia...
E assim deu-se o beijo.
VI
A sedução existe em várias formas e a diplomática será sempre a mais fascinante.
VII
Abril em festa? Pela fresta infesta o olhar da inveja. Com a porta semiaberta ela observa, não há mais breja, não há igreja nem festa...
Queimou-se a floresta... abril banal.
VIII
Através do olho mágico da vida, vejo o amor que mais uma vez bate à porta do meu coração.
IX
Bromélias se encheram com as águas
E as mágoas se apagaram com as velas.
Um pássaro pousou na minha janela,
Deixou seu canto e prometeu primavera.
X
Em nosso caminhar...
Cada passo é sombra verdadeira,
Cada selva é clarão e clareira.
No azeite dos anjos,
Que desce pelos ombros.
XI
Cada um com a sua teimosia,
Só não vale a utópica teimosia
De querer corrigir um teimoso.
XII
Até mesmo os artistas porcalhões,
Não deixam jamais sua arte de lado.
Preferem lugares com clima úmido,
Para esculpirem melhor suas melecas.
XIII
A moradia na emoção
é o botão de liga/desliga
de uma alma incendiária.

Dueto LXXXV

Aquele corpo delineado – no sol suado – contornos per-feitos que ainda carrega no íntimo uma imensa inteligência,
Tomara, Deus queira, queira Deus não seja apenas ima-ginação de quem o deseja.
Com o psicológico inalterável e a certeza de vestir-se mulher maravilha, vive de bem com a vida e os olhares discre-tos alheios são apenas olhos bem-vindos.
Com os olhares indiscretos faz uma sopa e dá aos po-bres.
Aquele corpo delineado foi envelhecendo, perdendo as linhas certas, retas, mas ganhando ainda mais brilho.
A indiscrição dos olhares talvez não perceba. Não im-porta. A dona do corpo não se importa. Nunca foi catequista, e todas as suas conquistas deram-se pelo completo, irretocável, delineado e nada velho e acabado intelecto.
Quem a levou para a cama reclama créditos. Ela sim-plesmente desconsidera e espera que desconsiderar seja sufici-ente.
Quem a levou ao nirvana de nada reclama, pois sendo experiente procurou além da cama, a companheira, a respeitosa faceira que faz sexo interna e externamente.

Sexo complexo para quem não percebe, sexo reflexo para quem atravessa as espessas camadas da bruma e só vê o sol.

Rogério Camargo e André Anlub

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Um Eu qualquer

Parte XI