17 de dezembro de 2014

Dueto da tarde [XV]

Depois que a sombra tomou conta da lua, fazendo-se menina também,
Desenhou um sorriso (lá e cá), e agora almeja ir além.
Depois que a lua mostrou à sombra que era ela e mais ninguém,
Desvendou os mistérios, trouxe a paz que apraz o “porém”.

Estavam as duas como sempre estão as duas quando o mar se acalma,
Ponto de luz cintilando no espelho, desvanecendo o receio de um futuro breu na alma.
Para a imagem de sol que guardava ainda na lembrança, ergueu as mãos, mostrou as palmas,
Sentiu o respeito, o respiro, o silencio, a saliência e o bendito dos peixes e de todas as finas floras e faunas.

Era um tempo gasto em se mirar nos espelho das águas mansas e reticentes,
Em ver o próprio rosto sorridente, ver felicidade e futuras pulcras nascentes
Onde reconhecer a sombra das coisas e a sombra das gentes.

Assim molda-se a vida, construindo as saídas pelos naturais caminhos
Que dão à sombra da lua modo e razão para amar seus desalinhos
E ela se dispensa; entra em cena e põe a mesa a energia dos astros vizinhos.

Rogério Camargo e André Anlub®
(17/12/14)



16 de dezembro de 2014

Dueto da tarde [XIV]

Sonhar alto faz parte do corpo, como uma extensão invisível acima das cabeças ousadas.
O voo que leva ao sonho, que traz do sonho, que é o sonho, é anatômico feito os braços abertos
Assim vai-se longe, no horizonte das linhas fluidas infinitas, sanguíneas, imaginárias e criativas.
Mesmo que longe seja logo ali, onde os olhos alcançam, ou logo aqui, onde o coração rege a orquestra
Versos permeiam em novas sinfonias, restos de sons tornam-se majestosas mulheres em esculturas vivas.
É viagem e é chegada ao mesmo vero intenso indispensável indefinível tempo
E assim, do nada, sonha-se com flores, flores e mais flores; não poderiam deixar de ser citadas, sonhadas, mas não colhidas; que fiquem em suas terras, em seus ventos, em suas moradas,
Que emprestem seu perfume para a embriaguez da compreensão semi-desperta de quem viajou na pura sensação de vida, 
Vida bucólica e melancólica, inspiração aos amantes, observadores e narcisistas, 
Fonte de fontes e céu definitivo para o voo alto que os pés no chão conduzem.
Vão os sujeitos poetas dormindo acordados em seus sonambulismos, vagueando em países distantes, longínquos universos e musas desconhecidas
Até que a morte não os separe de seu casamento consigo mesmos.

Rogério Camargo e André Anlub®
(16/12/14)

Sentimentos confusos

Caminhando no parque pensei em você
Entre a neve que cai e o vento frio que bate;

Na mente momentos que nunca vou esquecer
Pensava tão alto quanto um cão que late.

Seria o ódio e a saudade ou o amor e a vaidade?
- A confusão era tamanha que nem sei a verdade!

Colocou fogo nas cinzas que pensava extintas,
Como um pesadelo à toa...
Pegar um Kandinsky e borrá-lo de tinta.

Lembro-me das crianças que não chegamos a ter
E nos dias frios um com ao outro aquecer.

Das falácias que saiam da minha ébria boca,
Mesmo assim seu sorriso se fingindo de louca.

Mas chegando a casa e enfim aquecido
Descobri que a saudade é maior que a loucura;
E saber que apesar disso sou jamais esquecido,
Esperava-me deitada completamente nua.

André Anlub (4/11/11)


Wassily Kandinsky, nasceu em Moscovo no ano de 1866 no dia 16 de Dezembro. Era de nacionalidade russa, mas mais tarde viria a adquirir nacionalidade francesa. Foi essencialmente artista, principalmente de pintura e introduziu o movimento artístico da “pintura abstracta”. Inovou as artes plásticas, influenciando muitas outras, e quebrou a ideia de tudo o que era conhecido até à altura com os seus ideais. Para além de pintor foi também professor de artes visuais. Kandinsky faleceu em Neuilly-sur-Seine, França, no ano de 1944 a 13 de Dezembro, devido a uma arteriosclerose, não chegando a fazer os seus 79 anos.

15 de dezembro de 2014

Dueto da tarde [XIII]

Deixe do jeito que veio; aquela flecha no peito e a sensação de ar fresco;
O destino destina-se malucamente, mas sabe o que faz malucamente.
O arrebol, belo e deslumbrante, bateu em seu semblante e tornou-se mais vermelho
Aceitar as pequenas dádivas, remoer as pequenas mágoas, decidir aqui ou lá, ir adiante com o sol no semblante.
Nossa! são os dias sagrados; nossa! nada de errado na sua companhia.
O que veio do céu deixe do jeito que veio. O que veio da terra deixe do jeito que veio. Aquela flecha no peito é o ar que você respira,
É meu mundo no seu que gira e transforma-se numa folia, num novo preito.
Se é dádiva ou se é mágoa, os seus olhos acabarão me contando
E no final dos tempos restarão lembranças, versos e as horas, correndo velozmente em alinhamento, correndo sem pressa e julgamento
Para os braços do que veio do céu, para os braços do que veio da terra.

Rogério Camargo e André Anlub®
(15/12/14)

Dueto da tarde (XII)


Dueto da tarde (XII)

Andava sobre as águas ou sobre alguma coisa que as águas diziam ser,
Embrião de certo ancestral que vivia num tempo medieval, ou num que fazia jus a crer...
Tudo por ali se escoava porque águas escoam, se lhes é permitido
E no mesmo sentido a pureza norteia e desfaz o vil “umbigo” que a grandeza diz ter.
Ter, ter. Se a grandeza tem de fato não é o ato de dizer nem o de esconder ou de prometer que garante às águas o que as águas garantem, e seguem nada errantes, buscando o conforto no dom de ser parte de toda a concepção.
Andava sobre as águas como uma caravela sem velas, casco ou tripulantes
Era louco varrido – varrendo – variante, variável várias vezes de variedade em variedade.
Era um elemento químico, ou sólido, ou filme... quiçá fuligem, de mente de símio, mas absurdamente pensante.
Olhava para o que as águas diziam ser, olhava para si mesmo nas águas, olhava para o impossível de tudo.
Chegou à conclusão do absurdo que é ser louco, símio, embrião, variável, errante, navegante, e não saber de nada, pois já sendo água é tudo, e andando sobre si mesmo pode até (sem querer e de repente) ser um Deus.

Rogério Camargo e André Anlub®

(14/12/14)

14 de dezembro de 2014

Inocente e réu



Inocente e réu
(André Anlub - 21/12/10)

Andei por caminhos difíceis
(sombrios e íngremes)
Descobri a esperança e o renovar de cada andança
(caridades e crimes)
Peregrinando e observando no caminho
Pássaros que vão e vem
E seus gravetos nos bicos.
Lembro-me de outras épocas,
Ninhos de cantos e gemidos...
Vida de baixos e apogeus.
Ah! sinto saudade, sinto o perdão que outrora não conhecia. 
Aprendi durante esses anos vividos
A amar e saciar a quem me sacia.
Aprendi a doar-me mais e cobrar menos,
Ser moderno amando o eterno e ser bom aprendiz.
Aprendi a conter minha raiva, ter paciência,
Pisar em ovos e passar feliz.
Nesse caminho, sob a luz da lua, declamo mansinho os Versos teus... 
O vento mexe as margaridas
Campos de trigo - minha vida (baú de amigos).
Em outra vida devo ter sido rei, 
Talvez um nobre, 
Bobo da corte ou um plebeu.
(de nada importa!)
Na paisagem de tua janela, de frente ao lago, o pôr do sol.
E no crepúsculo, ouvindo os sapos, os violinos, clave de sol.
Sinto o toque divino no verde e no azul piscina do céu,
Vejo que ainda sou menino e sou desde pequeno
Inocente e réu.

A Terra - Tudo azul


A Terra - Tudo azul
(André Anlub - 7/1/11)

A terra é um coração - grandioso terreno
Aguardando sempre as sementes certas.
Sejam quais forem os frutos...
Todos contêm novas sementes.
Com a ajuda do beijo do banho
Das chuvas perfeitas, perfeitas águas,
Com o clima ameno do sentimento
Mais que um afetuoso momento.
Persevera a vida:
Linda, desejada e indecifrável.
Outra semente:
Germinada é outro “rebento”.
A natureza da sua jornada,
Quase tudo que se brota do (quase) nada:
Metamorfoses, nada se perde.
Da fotossíntese o ar mais puro
Cada um cuidando da sua terra.
A bola mais verde seria utopia?
Longínquo, mas é possível?
Somos seu rebanho,
Vivemos e comemos dos seus verdes pastos...
Um futuro imprevisível.

Acalmando a Alma XV

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.