Vão-se as bússolas, somem os astros...
Letras entornam, espalham, alastram...
E os poetas são norteados pelos rastros.
Velho reinado do jovem Rei
O sorriso para as aves que chegam do infinito;
Novo abrigo para os que preferem vir pelo mar.
Osso para o cachorro ficar, brincar e esconder,
Caneta para escrever, vitimar e tirar cera do ouvido.
A nuvem escura chegou – nuvem prometida;
Traz chuva, traz vida, regando sedentos.
Cá estamos em casa nos embriagando de música;
Braços e pernas presos, agarrados aos instantes,
E “Mutantes” na vitrola dos hiantes amantes.
Nas mãos o punhado de flores colhidas,
Nos vasos o intenso cheiro puro da terra;
O aquário o clichê de peixes dourados,
Adorados por exporem a todos suas vidas.
Quadros amarelados, pelas paredes, espalhados,
Cansados da vida no mesmo cenário;
Atrás deles escondidas, alvas e frias lagartixas,
Devorando todos os insetos devidamente desavisados.
Está tudo certo – absolutamente sob controle:
A vida segue o norte que se deu e que se dá...
Num grande sacolejar, quase virando o barco,
Uns morrem, uns porres, uns nadam, uns nada e uns vivem de molho.
Chamuscaram a loucura no incêndio da alma,
Pois ela vive na externa, na espreita da cura;
Absurda é na artéria sem medo correndo vermelha
A paixão suntuosa e frenética, carnal, corriqueira.
Seu corpo no meu colo – pode ser agora?
Já traço; é o meu rolo...
Faço um bolo de amora para o lanche
E o lance é você trazer a Coca-Cola.
Vimos todos deixando de ser guiados por outros,
Vimos tolos pensando em falar a língua dos anjos;
Lapidamos a escultura da nossa personalidade,
Amparados, juntos e separados; cada qual no seu trono.
André Anlub®
(29/11/14)
28 de outubro de 2016
Declame para Drummond
Fernanda Torres- Necrológio dos desiludidos do amor
(Carlos Drummond de Andrade)
Caetano Veloso- Elegia 1938
(Carlos Drummond de Andrade)
"E agora, José?" Do Carlos Drummond, recitado por Paulo Autran
27 de outubro de 2016
A Casa
"O importante não é a casa onde moramos.
Mas onde, em nós, a casa mora."
- Mia Couto
Às vezes constroem-se imponentes casas de madeira,
Às vezes impotentes castelos de areia.
Falando em outras épocas:
Não houve regras nem mesmices,
Nem de outros, quaisquer palpites,
Nunca deixei; (fui menino traquinas).
Até hoje em dia quando me apontam o dedo,
Aponto um lápis.
Na puerícia fui um príncipe - fui plebeu,
Fui o princípio das brincadeiras – fui o fim, pois também fui o rei.
Por essa razão ou outra, talvez,
Não existe agora, nesse tempo,
De um insatisfeito, nem um ínfimo resquício.
Vivia o hospício bem-vindo de um artista,
Vivia o “agora” sem a vil bola fora,
Que condiz com qualquer aprendiz.
Na parede da minha casa,
Descascada, carcomida,
Em linhas frenéticas de giz,
Comecei os primários esboços:
Linhas traçadas nas paredes
Do sóbrio Pollock de um metro e trinta.
O piso era velho, de taco,
E no meu quarto o desenho de um tabuleiro de xadrez.
Em frente à casa uma mangueira,
E uma mangueira para regar e tomar meu banho.
Um balanço sobre a roseira e os belos girassóis de Van Gogh...
Mas isso só em sonho.
Fui feliz naquela casa e nas outras que surgiram,
Pus meu toque ao adornar, pus a música e trouxe amigos.
Deixei o pássaro cantar, o verde crescer e o cachorro latir,
Deixei o chinelo sujo de barro na porta
E guardei a lembrança da minha mãe sorrindo.
André Anlub®
Mas onde, em nós, a casa mora."
- Mia Couto
Às vezes constroem-se imponentes casas de madeira,
Às vezes impotentes castelos de areia.
Falando em outras épocas:
Não houve regras nem mesmices,
Nem de outros, quaisquer palpites,
Nunca deixei; (fui menino traquinas).
Até hoje em dia quando me apontam o dedo,
Aponto um lápis.
Na puerícia fui um príncipe - fui plebeu,
Fui o princípio das brincadeiras – fui o fim, pois também fui o rei.
Por essa razão ou outra, talvez,
Não existe agora, nesse tempo,
De um insatisfeito, nem um ínfimo resquício.
Vivia o hospício bem-vindo de um artista,
Vivia o “agora” sem a vil bola fora,
Que condiz com qualquer aprendiz.
Na parede da minha casa,
Descascada, carcomida,
Em linhas frenéticas de giz,
Comecei os primários esboços:
Linhas traçadas nas paredes
Do sóbrio Pollock de um metro e trinta.
O piso era velho, de taco,
E no meu quarto o desenho de um tabuleiro de xadrez.
Em frente à casa uma mangueira,
E uma mangueira para regar e tomar meu banho.
Um balanço sobre a roseira e os belos girassóis de Van Gogh...
Mas isso só em sonho.
Fui feliz naquela casa e nas outras que surgiram,
Pus meu toque ao adornar, pus a música e trouxe amigos.
Deixei o pássaro cantar, o verde crescer e o cachorro latir,
Deixei o chinelo sujo de barro na porta
E guardei a lembrança da minha mãe sorrindo.
André Anlub®
26 de outubro de 2016
Nova vida
Nova Vida
Veio forte batendo de frente, cadenciando o coração...
Aceito então! Com os devidos encargos.
As ações estão evidentes, transparentes e pensadas;
As emoções vêm dispostas, bem-vindas e em explosão.
Erros passados são páginas viradas;
Erros novos são novas desconstruções.
Estaciona, faz a casa e alimenta de cor os dias;
Massageia com mãos de Fada, sublimemente, sublinha a mente.
Evidente: o cuidado se faz presente com seu frêmito,
No aspecto do recíproco, do respeito, do respiro.
Leve e esplêndido como pluma que só sobe,
Em frenética calefação, em ação e em rodopio.
Acertos novos são páginas adornadas, reescritas,
Na ponta do lápis que desenha e escreve nova vida.
André Anlub
(26/10/16)
25 de outubro de 2016
Marcando touca
Marcando touca
E aquela folha se solta, se livra, se vai com o breve vento,
Se vai com o tempo como a lágrima esquecida no rosto...
Resseca, desaparece, e é esquecida, pois é consequência,
E já foi... num sopro.
O fim aparece e se disfarça de sombra,
Torna-se parte da vida, da caminhada,
Do respiro, do sono, da alegria e da raiva,
E a leva...
E o fim é assim, como um trem errado que se embarca,
Não percebendo o erro ou que não há mais nada a ser feito,
E já foi... num frêmito.
Numa tarde quente de verão,
O Fim decidiu ter um novo começo:
Largou sua labuta, seu fardo,
Sua maleta cheia de agonias e acasos;
Largou suas metas, suas retas que mais pareciam curvas,
Suas negritudes e suas alvuras...
E uma folha que já estava se tornando pó,
Reconstituiu-se,
Tornou novamente folha seca,
Levantando voo do chão,
Como se voltando no tempo,
Regressou à árvore e encaixou-se no galho,
Ficou amarelada, alaranjada, esverdeada,
A seiva percorrendo seu corpo,
Como sangue novo
E tornou-se novamente moça...
O solo junto com a vida (marcando touca),
Perderam seu adubo.
André Anlub®
(5/8/14)
Aquém e além de alguém
Aquém e além de alguém
Além do mais a vida avolumou ainda bem mais,
Cartas nutridas de paixão, letras borradas com lágrimas.
A saudade cantava como uma cantora de jazz.
No mais de um faz-de-conta, fez de conta uma paz;
Num céu espaçoso, a tempestade que chega...
Azul celeste jocoso de um novo amor que apraz.
Horizonte criado, fantasiado à mercê que se perca no seu;
O sorriso, o Sol na frieza e a promessa de uma Lua que aqueça.
O sonho acaba; os lábios fechados; os dentes imergem no breu;
O mundo aguarda; o jazz que se cala; as cartas queimadas na mesa.
André Anlub
(25/10/16)
24 de outubro de 2016
Indo ao brio
Indo ao brio
Pousa para dar pé, pausa para um café;
Asa em construção – voo em atuação;
Ao distante a verve chamando, pois...
Incitante é a vida entoando:
Ela está insatisfeita (sem motivo),
Vive questionando o próprio talento,
Diz que é como um cágado...
Está lenta:
- não consigo agora chegar, ou, talvez, me virar no improviso.
Pausa para ter fé, pousa para outro café;
Pena, papel, ideia e silêncio...
Deixou bem longe a peleja, a amnésia,
A ausência de novo pensamento...
A inércia.
Alçando voo desbancando o frio, cruza o vale e o rio,
Voa com os sãos falcões peregrinos, aves de rapina,
Sente quão facões na espinha, rasgando a carne e a alma...
A inspiração que lhe ataca,
Afaga, assanha... e, na manha, a eleva ao brio.
André Anlub®
(6/8/14)
Assinar:
Postagens (Atom)
Biografia quase completa

Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)
Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas
Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)
• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)
Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha
Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas
Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)
Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte
André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.
Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.
-
Filha e esposa de Edir Macedo dando, aula de desapego:
-
Poemas de Manoel de Barros Via: Templo Cultural Delfos SEU MARGENS Seu Zezinho-margens-plácidas, célebre fazedor de discursos patr...
-
Ontem tarde esqueci seu nome... Mas hoje cedo me lembrei de que isso não faz/fazia/fará a menor diferença. As melhores opções nem sempre s...












