5 de dezembro de 2018

Cada novo dia


Cada novo dia

As vertentes da vida não espantam,
Descrevendo e despontando ao mesmo tempo
Inúmeros caminhos – diversas situações
- Algumas incógnitas e outras corriqueiras,
Mas assim bem desse jeito estará sempre bom...
(que assim seja).

Ficaram de expor aos enamorados o bendito endereço,
Aonde mora, em qual rua, cidade, país e planeta,
O endereço daquele que sabe tudo sobre as paixões.
Ah, tolos: acreditaram – acreditamos.

Sorriu aquela criança afobada
Correndo atrás de sua pipa,
Quando o vento parou e a pipa caiu;
No outro lado do globo também sorriu o adulto insano,
Com o vento soprando muito forte, cingindo sua vida,
Levando seu barco através do oceano 
E concluindo seu plano de finalizar o delírio.

Nas pontas dos raios do sol residem os diamantes,
São mistérios que tornam o viver mais venturoso;
Chegam à nossa alma desfazendo os esboços,
Iluminando soluções e colocando desenhos nos íntimos.

No brilho da lua há o domínio do soluto em um minuto,
Deixa a impressão de fleuma nas naturais brumas internas;
Afasta os temores do à toa, do naufrágio, 
Da morte e talvez até dos vivos.

No brilho do sol e da lua existe a lucidez de um menino,
De um ou dois meninos, de dois ou todos eles...
(o menino da pipa e os meninos de todos);
Mesclam com discernimento a loucura da alegria
Com a batalha de viver cada novo dia.

André Anlub®


4 de dezembro de 2018

Luto



Miúda, Van Gogh e Matisse (2008)

Meus cães são meus amores
Senhores, donos da situação
Não guardam rancores
Nunca me deixam na mão.

Vivem com a língua pra fora
Felizes, mendigando carinho...
Brincar? - Só se for agora...
Odeiam ficar sozinhos.

A Miúda peguei na estrada
Estava molhada e com frio
Com certeza foi abandonada
Por algum individuo sombrio.

Van Gogh adotei pelo GAPA
Grupo de Assistência e Proteção Animal
Eles cuidam de “meninos” abandonados
Fazem um trabalho bem legal.

Matisse é o rebento dos dois
Cresceu parrudo e saudável
Cão lindo e bondoso
E tem um humor instável

Assim sigo com os meus filhotes
Dando carinho, ração e amor...
Sou uma pessoa de extrema sorte
Por deles receber todo esse calor.

André Anlub

2 de dezembro de 2018

Lucíola Alencar



Lucíola Alencar

Em tempos idos:
Lucíola teve passado penoso,
De dia a dia rigoroso, aqui e acolá em diversos puteiros.
Sua mãe analfabeta e agricultora e seu pai pedreiro;
Faltava dinheiro, comida, estudo, faltava quase tudo...
Até que, de repente, o “tudo” veio:

Em tempos meios:
A gravidez de trigêmeos caiu como tempestade,
Aquela louca vontade de ser mãe 
– aquela sóbria visão de que precisava ser algo mais;
Largou a labuta de prostituta e entregou-se aos livros...
Venceu empecilhos, derrubou preconceitos.

Em tempos de hoje:
Mulher guerreira, mãe solteira, “ex-meretriz”,
Sessenta anos e três filhos criados:
Uma médica, um famoso escritor e um advogado.
Lucíola Alencar é dona de casa e de uma rendosa barraca na feira,
Agora com “eira” e com “beira”
É também dona do próprio nariz.

André Anlub®



29 de novembro de 2018

Magnificência da obra



Magnificência da obra

Um sujeito que só respeita o dinheiro! 
- Falem mal da mãe e do pai dele,
Mas não peguem suas moedas no cinzeiro.

Ah! Essa vida provisória...
Mesmo no abismo num cisco,
na simplória história,
deixa-me lisonjeado e extasiado
pela dada oportunidade
– aventura – vitória.

Insano subir e descer de escadas,
abrir e fechar de portas,
corriqueiras correntezas
no desvairo das incertezas, 
desaguam nas represas da esperança.

Mesmo que o tempo seja curto,
que o circuito entre em curto,
a vida é um admirável absurdo
na incansável eternidade da andança.

Deixe o mistério ser sua sombra,
verso amigo, pleno e sobra.

Ninguém nunca saberá tudo,
tampouco um pouco que seja,
sobre a magnificência da obra.

André Anlub

28 de novembro de 2018

Enlace das almas



Enlace das almas

Deu início aquela conversa; 
Deu o ensejo com a fuça de lua cheia;
No bule o café bem fresco,
Na mesa o bolo, a maça e a ameixa.

Na troca de vocábulos transpõem-se os obstáculos,
Surge um oráculo inócuo no enleve dos versos leves;
O dia rasgando com o sol no arrebate da torra,
A noite fica sem jeito e deseja que escuridão se entregue.

Nada daquilo é fracasso se o ocaso se vestir de amarelo,
Largar um breu quase eterno, e com isso também foi o tédio...
Há de parar com os remédios e vestir uma sunga e calçar um chinelo.

Para todos a areia está fofa, o mar bem calmo e a brisa a contento;
O inesperado não é tão enigma, pois temos a insígnia de um nobre guerreiro.

O cabelo castanho vai ficando branco; o branco dos olhos, vermelho.
O ano já está quase acabando, e depois de um espirro já é novamente janeiro.

Vem uma luz no final do túnel, arrasando a desesperança,
Criando a salutar aliança de aceitar o escuro, mas ver a clareza.
Dizem ser indelicadeza – mas assim a vida tem mais futuro;
Dizem que estão em cima do muro – mas o muro é puramente adereço.

Deu-se o fim da conversa
Com um sorriso em todas as faces.
No bule o café ainda quente,
Na mesa um nada sutil vazio...
E nas almas os enlaces.

André Anlub®

27 de novembro de 2018

Bucólico Eu


Bucólico Eu

Um bardo e suas moças, suas musas,
São suas asas em êxtase – motor propulsor;
Buscam paixões arquitetadas, minudências focadas,
Na alma, no corpo e no papel...
No entanto e no intuito elas extravasam nuvens, 
Voam assim: avivadas e soberbas, plumas,
Buscando a veemência – a coerência, ao léu.

“Buarqueando” - Como não falar de Chico?
- Se a moradia na emoção é o botão de liga/desliga de uma alma incendiária.
E por falar em musas...
São obsoletas?
São absolutas?
Algumas reais:
“A Marieta manda um beijo para os seus...”.

Agora, veio-me a mente “Cecília” (nome da minha mãe);
Mas vivem muitas na permuta aos olhos do poeta;
Tornam-se paixões, canções, tentames, rabiscos infames,
Fragmentos do meu bucólico Eu. (que nunca se completa).

André Anlub®

Bom dia, amigos. Recebi essa suntuosa surpresa e fiquei extasiado! Quando surgirem palavras à altura dessa honra, venho deixá-las aqui. No mais, agradeço muito o carinho da Editora Becalete e toda a equipe, meu nobre parceiro Luciano e todos os amigos poetas e amantes da poesia. Agora vou paquerar um pouco mais esse certificado.

26 de novembro de 2018

Danças religiosas


Nas danças religiosas
Com charutos, tambores
Concentração, louvores
Ou nada disso
Com balés de fé
Pés ligeiros
Na Praça da Sé
Ou onde quiser
Sem compromisso
Em fevereiro
Ou o ano inteiro
Saudade se arrasta
Sincronia de beleza
Casta cumplicidade
Adorando a mãe-natureza
Seja como for e vier
Paro e ensaio o sorriso
Sem competitividade
Sem ser submisso
Visto a vasta felicidade
E sigo e sigo e sigo
Pois meu pescoço e pulsos
São fartos
Para seus beijos, abraços
E dez escapulários
Ou quaisquer outros artefatos. 
E sigo e sigo e sigo
Pé a pé
Com você e minha fé.

André Anlub®

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.