23 de junho de 2020
Excelente noite a todos
Reconhecimento, por Jorge Amado
Texto escrito por Jorge Amado, amigo de Marighella e seu companheiro na bancada comunista da Assembléia Nacional Constituinte e na Câmara dos Deputados entre 1946 e 1948.
Lido por Fernando Santana em 10 de dezembro de 1979 – Dia Universal dos Direitos do Homem – por ocasião do sepultamento dos restos mortais de Marighella no cemitério das Quintas, em Salvador
“Chegas de longa caminhada a este teu chão natal, território de tua infância e adolescência.
Vens de um silêncio de dez anos, de um tempo vazio, quando houve espaço e eco apenas para a mentira e a negação.
Quando te vestiram de lama e sangue, quando pretenderam te marcar com o estigma da infâmia, quando pretenderam enterrar na maldição tua memória e teu nome.
Para que jamais se soubesse da verdade de tua gesta, da grandeza de tua saga, do humanismo que comandou tua vida e tua morte.
Trancaram as portas e as janelas para que ninguém percebesse tua sombra erguida, nem ouvisse tua voz, teu grito de protesto.
Para que não frutificasses, não pudesses ser alento e esperança.
Escreveram a história pelo avesso para que ninguém soubesse que eras pão e não erva daninha, que eras vozeiro de reivindicações e não pragas, que eras poeta do povo e não algoz.
Cobriram-te de infâmia para que tua presença se apagasse para sempre, nunca mais fosse lembrada, desfeita em lama.
Esquartejaram tua memória, salgaram teu nome em praça pública, foste proibido em teu país e entre os teus.
Dez anos inteiros, ferozes, de calúnia e ódio, na tentativa de extinguir tua verdade, para que ninguém pudesse te enxergar.
De nada adiantou tanta vileza, não passou de tentativa vã e malograda, pois aqui estás inteiro e límpido.
Atravessaste a interminável noite da mentira e do medo, da desrazão e da infâmia, e desembarcas na aurora da Bahia, trazido por mãos de amor e de amizade.
Aqui estás e todos te reconhecem como foste e serás para sempre: incorruptível brasileiro, um moço baiano de riso jovial e coração ardente.
Aqui estás entre teus amigos e entre os que são tua carne e teu sangue. Vieram te receber e conversar contigo, ouvir tua voz e sentir teu coração.
Tua luta foi contra a fome e a miséria, sonhavas com a fartura e a alegria, amavas a vida, o ser humano, a liberdade.
Aqui estás, plantado em teu chão e frutificarás. Não tiveste tempo para ter medo, venceste o tempo do medo e do desespero.
Antonio de Castro Alves, teu irmão de sonho, te adivinhou num verso: “era o porvir em frente do passado”.
Estás em tua casa, Carlos; tua memória restaurada, límpida e pura, feita de verdade e amor.
Aqui chegaste pela mão do povo. Mais vivo que nunca, Carlos”.
Das Loucuras (panspermia cósmica permeia o cômico)
Das Loucuras (panspermia cósmica permeia o cômico)
E a sementinha caiu, fazendo nascer algo novo
Iludindo deuses, desses com eira e beira.
E um povo rumo ao desconhecido que há dentro do ovo...
Encara um abismo tapado pela areia que passou pela peneira.
Ocupado ocupando no espaço um lugar
O pé descalço agora calçado dentro de um interestelar sapato.
Tudo - é obvio - é obscuramente efêmero e vulgar...
E por milhões de anos o que permeará de fato?
Essa investigação é visível, e necessita ser feita,
De modo claro e concreto; pelo expert mais adequado.
A palavra-chave é focar sempre no assunto que se rejeita
Deixando o “para onde vamos” um poco de lado.
Houve uma troca de comando,
Criadores, criados, crianças, criaturas...
Assumindo a certeza de estarmos avançando
Largando a frágil avareza; agarrando a firme estrutura.
Deixa-se de lado a filosofia desse papiro,
Pois pira-se ao lê-lo; pois paira-se em pira acessa.
Ao léu abandonaram, aos que caçam, o último suspiro...
Favor falar com a realeza somente o há pressa.
Fala serena com a sirene sempre ligada,
Num som ensurdecedor de palavras desconexas.
E daí, se as letras estão abandonadas...
Fora e dentro do contexto tudo se encontra às avessas.
André Anlub®
(23/6/20)
22 de junho de 2020
Das Loucuras (Adrasteia que era mulher de verdade)
Das Loucuras (Adrasteia que era mulher de verdade)
Ah Deus...
Rumo aos céus, vou seguindo...
Ouvindo The Cure, Lullaby,
E o canto do rosto molhado,
Lembrei-me do nosso amor persistindo
Na época perdida em seus lábios.
Cabelos castanhos, olhos escuros desenhados,
Sorriso de lado que tiravam o ar do recinto.
Traçavam no ritmo nossos momentos bons,
Mesmo o tempo não existindo...
Afeto puro que cintilava – indo e vindo...
Aniquilando as fúrias, lamúrias, negros tons.
Ah adeus...
Mergulhei na inércia – negligencia...
No Arpoador quatro pés na areia,
E a besteira de quebrar o silêncio...
Fiz pouco, pois fui louco bebendo demência.
Palavras à toa ao vento – mil besteiras...
Que toavam na pechincha da paz sem preço.
Determinação, sinceridade, inteligência,
Verdade, intensidade, respeito, excelência.
Ardeu...
A facada sem cura no dorso...
Fez-me de colosso à criança no berço.
Numa tarde de março, até hoje sei que mereço,
E digo até mais: foi pouco!
Hoje afoguei-me no afótico profundo,
Junto ao orgulho sobrou a indiferença.
Hoje, destituí a carcaça e enterrei o meu mundo,
E isso, sem causar-me qualquer surpresa,
Mexeu com minha óptica, murchou-me vagabundo.
André Anlub®
(24/11/18)
20 de junho de 2020
Houve um tempo
Houve um tempo
Um homem saiu para procuras utópicas
longe de pessoas estigmatizadas
Com tatuagens internas do interesse e da cobiça;
Focou os fulanos que não apontam dedos,
vivem livres de julgamentos
(amores, famílias, conhecidos – pérfidos);
vivem presos a coisas próprias (autoconhecimento).
Houve um tempo que a vida era quente,
Saborosa, bem passada, ou no ponto, ou al dente.
A vida abraçava o fulano, ofertando beijos,
E nesses beijos o vendava;
Ao invés do breu, ele assistia a um filme,
Sentia o vento, saboreava vinho,
Vida com ritmo, alegria entorpecente.
Fulano se conhecia muito bem...
Defeitos – qualidades; força – fraqueza.
Foi um homem como muitos outros,
Apenas não desistiu, não entregou o jogo.
Cresceu, mas continuou criança,
Seguiu na andança além dos delinquentes.
Fulano gostava dos paradoxos da vida,
Das antíteses do ser, do estar, do viver;
Gladiava-se com algumas sombrias sombras
Festejava com algumas brancas brumas.
Houve um tempo e esse tempo se foi.
Há o hoje com pintura, com moldura,
Com belo verniz e cores vivas.
Tela pendurada na muralha,
Com solidez...
Pois no presente há a arte armada até os dentes.
Mas e a verdade?
André Anlub
19 de junho de 2020
A Perda da Fé
A Perda da Fé
A visão mais turva, suja
Deixa que eu mesmo piso na uva
Sei que irá curar o desalento
Muito mais fácil deixar cair, dos olhos, uma chuva
Cansei de levantar, para o céu, as mãos
Engasgo com o medo, ébrio e hipocondria
Supre a dor com o comprimento de um comprimido comprido
Levanta e não cai de joelhos ao chão
Dizem que um Deus te ama
O resto do mundo não
Todos os elos dessa corrente
Foram tomados pela ferrugem
Águas só me molham, aos outros, ungem
Palavras incertas, ditos incoerentes
Com os nossos cabelos ao vento
Que acabam levando a vida
Uma partida fez-se momento
Para um lugar bom será sempre bem vinda
Como sabemos dos nossos erros
Como fingimos indiferença
Como negamos todos os zelos
Como sofremos com nossas crenças
Dedão nas orelhas, mãos espalmadas e línguas a mostra
Armado o circo, chamamos os santos
Com olhos cegos, soltem seus prantos
Eu perdi a fé, quero uma forra.
André Anlub®
17 de junho de 2020
Das Loucuras (elemento 115)
Das Loucuras (elemento 115)
Nem saberia por onde começar...
A tarde caia, um belo vermelho no cimo da montanha;
Em cima dele a emoção tamanha,
Esse tempo presente, louco e passageiro, o faz se entregar.
Naturalmente poeta,
Os olhos espertos não mentem – realmente;
Tudo conforme os conformes, é a meta...
Veste seu uniforme de astronauta resiliente.
Sobe em muros; grita alto
Tenta contato com algo lá longe, no espaço.
Flutua como menino de aço
Um Superman do asfalto.
Azul cobalto, sua cor;
A percepção do encalço...
Calça suas bolsas e sai sem pudor
Em busco de ser algo a mais em seus passos...
A estrada é em círculos – caixa dentro de caixa...
Os anéis são antigos; o rosário é refúgio.
Reza ao contrário, do fim ao início
E no ciclo, tudo enfim se encaixa.
Aprende a amar, e é a mais dolorosa das lições:
O cenário é criado pelo dono da peça.
Enquanto os deuses riem lá, com seus botões,
Ele segue dia após dia – se segura e se dispersa.
André Anlub®
(17/6/20)
Amores ambíguos
Amores ambíguos
São sólidos e são sós, “s.o.s” para esses amores implacáveis que impactam;
Tatuagens na alma, na cama e na aura: memórias de cartas queimadas...
Vastos projetos devastados e telefonemas desligados na cara.
São líquidos e liquidam, nossa linguagem em linguafone: fome, fama e tara.
Amor que circula – cicuta –, e é minha sombra, me assombra no tudo e nada...
Alma lavada, corpo no esgoto, meu pensamento em seus olhos... E lá estão.
Castelo violeta
Irmão do céu, de pé em cima de uma alta nuvem;
Seus olhos aguçados, acuados, discretos em suas ferrugens,
Visualizam tudo de errado e quase tudo de certo...
Mais nesses próximos parágrafos:
A tentação é ar puro, é astuta e presente em todo o ambiente;
As pernas fortes das corridas invejadas pela alma fraca pelo tempo.
Um castelo é erguido com o seu aguerrido espírito;
Pulcro, imponente, mas cheio de tormentos e de inventivas mentes.
No porão há um covil escondido cheio de lobos dentro;
Famintos, sedentos, sonâmbulos e carentes de apreço.
Árvores nada raras se agitam e se ajeitam com os vendavais;
Nos varais as roupas se ensopam com a chuva fina que cai.
Barrancos descem pelas montanhas como a manta dos deuses...
Há poder; há alianças; há independência e – a ser pago – preço.
Por dentro do corpo lacunas se abrem implorando explicações convincentes;
Ações voluntárias, inadequações insolúveis – multiplique tudo mil vezes.
No mais, não é aceitável ter um modo de vida que nos têm,
Por muito menos e por muito mais – ao menos –, descarrilhamos mil trens.
Cavalos livres descem a montanha em uma bela manhã de dezembro,
É o caminho livre, cheiroso e extenso, é o livre arbítrio para o castelo violeta.
André Anlub
12 de junho de 2020
Armageddon II
Armageddon II
Caçadores de cobiças e amores perdidos
Senhores dos seus projetos de ações duvidosas
Jardineiro na ufania das flores de cera de ouvido
Decifram a nostalgia de ocorrências rigorosas.
Lenhadores brutamontes com os seus machados cegos
Filhos de escravas negras com índios
São brancos com seus olhos claros de guerra
Sem ego, mas com a ganância de buscar o infinito.
Se a chuva de meteoros chegar em má hora
E quatro cavaleiros lhe derem guarida
Com parcimônia de quem cultiva uma passiflora
Empunha a espada, dá meia volta e procura saída.
Vivendo em um singelo passado do agora
Azul que faz fronteira com um feio absurdo
Os vieses que ecoam aos ouvidos de muitos
Aquecem como o nome de Nossa Senhora.
André Anlub®
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Biografia quase completa

Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)
Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas
Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)
• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)
Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha
Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas
Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)
Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte
André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.
Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.















