15 de janeiro de 2022

releituras de mim




 Flor de lis, de lírio e lírico do Preto e da Branca (releituras de mim)


Garanto minha salubre e frágil presença no pensamento mais estranho que remete apressadamente ao pesadelo da minha pele plena pintada de branco. Minha flor bela, não escute os embebedados de alma, mendigos-uísques demagogos a Go Go. Ouve a cantoria, pássaros aos montes de entortar pescoços e acariciar ouvidos... São os esboços – diamantes – da nossa selvageria de amantes. Enxergo nada cego, envergo e expresso essa minha entrega em reflexos de uma pulcra lâmina cega. E de maneira sutil, tão viva e severamente tão simples, chego, sonho, cedo e transcendo ao corte seguinte.  A doação que faz mistura – nossas cruas carnes nuas – fez contraste no arraste – na queima que é de praxe – do protocolo em leitura.  Ah, minha branquinha, flor branquinha... Me aceite eternamente seu. Bebemos nas águas puras e impuras, mas com o coração nada errante e os olhos hiantes. E diante de tudo, em estado trepidante de paixão, peço-lhe que pegue o banco e a caipirinha e venha sentar-se ao meu lado e olhar a lua... (desnuda – noite – minha). 

Chegando do silêncio veio como tempestade e mordiscava minhas ideias... Lá vem ela! Essa bela, irritante e insistente luz que entra pela janela e me convida para sair e viver. Raul de Souza com seu trombone que tromba de modo majestoso e marcante, tocando, relaxando e deixando o corpo voando sem destino... Estou agora sereno para narrar o ocorrido: tirava os laços dos futuros presentes, mostrava o onipresente que ao botar pra fora os dentes, provava não ser um sonho, enfim. Ela, a Flor (não é Maria Flor, que pena. Mas está valendo)... Nomeada como imperatriz de amores que ganha de súbito sua coroa, trono e sonho se aproximando do súdito com suas suntuosas flores. Ouço-a falar em público: o que seria mais certo – onde estaria o erro – qual a importância disso? A resposta vem com o ar fecundo, quebrando o coeso silencio, queimando mil brancos lenços e prevendo o fim dos futuros lamentos; a resposta bateu de frente com seu cheiro de alfazema, com seu humor de hiena e sua adorável e inigualável interpretação eloquente. Na tela do cinema da esquina já se viu esse filme antigo de um multicor lírico com tons de pura boemia.  Sim, é poesia! faz crescer as flores e nasce nas flores crescidas. 

André Anlub






10 de janeiro de 2022

Das Loucuras (mecanismo de anticitera)


Das Loucuras (mecanismo de anticitera)


Busco na essência os amores em qualquer molde

O que pode ser feito é deixar o tempo esculpir.

Resgatando do acaso a aura da vida no tudo pode,

E afrouxando, enfim, o melhor do melhor que há em mim.


Entenda-se que meu “circo dos horrores” é mera distração,

Alucinação sóbria que crio para dar graça ao percurso,

Pois sou um pós-louco, intenso intruso

Que disfarço naquilo que me desfaço e refaço na ocasião:

Chutado na mobilete, comer salmão com o urso,

Linhas escritas, sons de trompete, mão e contramão.


Contudo, no fundo – e nem tão fundo assim –, me intensifico...

Plagio o “dia do fico” e também “digo alô ao inimigo, encontro um abrigo”,

Mas faço tudo com respeito e louvor.


É justo que se viva nessa saia justa, não é mesmo?

E a esmo, tampouco me escondo de mim mesmo

Quando o maior dos objetivos é decifrar-me sem rancor.


Por completo e aos poucos, de um modo e de outro, realizo-me.

E se por acaso faltar aparar as arestas afiadas e caricatas,

Deixo feliz que elas mesmas, numa vida próxima, infernizem-se.


Por fim, na colina, avisto o profeta que tem como meta trazer boa nova...

A mesma de sempre, porém é novidade aos que agora pensam diferente.

A vida segue num ki-suco de uva; a morte uiva, e aos que secam – uma ova! 

Todo esse absurdo na mais perfeita ordem à mente ilimitada e abrangente.


André Anlub®



















6 de janeiro de 2022

Das Loucuras (die versagung) (vídeo: niver 51 anos)

 


Das Loucuras (die versagung)

Nessa terra do sempre fiz meu pomar florido,
Vendo e prevendo seu rosto risonho;
Nesse caso olha-me com carinho e ironia,
Renovo a compaixão a cada novo dia.

Pinto, escrevo e canto o desejo
Em bons e breves sonhos e lampejos...
Jogo mil sementes distintas;
Vario vadio nas músicas, papeis e tintas.

Há de se tornar verdadeiro;
Há de me diferenciar dos fantoches...
É terra do sempre, terra do nunca;
É terra do seu céu e chão, sem pretensão ou deboche.

Amor ambíguo às vezes é sólido, é só, é vivo, é morto;
Um “s.o.s” para essa ardor implacável que impacta ao não;
Estigma na alma, na calma, na aura, no conforto...
Memórias de cartas ainda não escritas, incineradas de antemão.

Vasto projeto de uma união protegida, mas assolada,
Focada em telefonemas que nunca foram desligados na cara.
Tudo é líquido e liquida nossa linguagem quase em linguafone...
A fome de estar junto junta com a falsa fama e a verdadeira tara.

Amor que circula – cicuta –, que se escuta do céu ao chão;
E é minha sombra que me assombra no tudo e no nada...
Alma lavada, corpo quase no esgoto – emboscada.
Meu pensamento em seus olhos... E lá estão.

André Anlub®
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Video:

Meu aniversário de 51 anos

29 de dezembro de 2021

 


Quem caça um poema?


Já nem sei por onde anda

No gole, na gola, na manga

Nem sei de onde veio

Do ventre, da saia, do seio.


Sei que em bares é citado

amado e temido.

Sei que fica exposto aos olhos

e dos olhos sorve o pranto.


Das mãos às vezes é santo.

Dizem que é dissabor e contentamento

No seu corpo tem amor

no coração, lamento


Dizem a má e a boa língua

Que é terra, mar e vento.


André Anlub®

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PAPEL EM BRANCO


Ela sempre com seu jeito me comove

Eu, aflito... 

O coração explode na calma

Emoção do amor ao extremo

Repito e sinto...

Chicotadas nas nádegas da alma.


Universo de intensa reflexão

Penso nela dia a dia, pernoites

Falando sozinho, rolando no chão

Uma loucura que me rasga o corpo

Um vazio nessa grande obsessão.


Fixo olhar no telefone que é mudo

Variando com meu relógio, inimigo

Só queria seu suor, ser amigo

Despedaço minha razão de viver.


A nobreza que há tempos me deixou

Irrelevante é saúde e paz

Amor próprio não considero existente

A tristeza sou eu mesmo quem faz.


Às vezes não sei porque me engano

Essa pessoa não existe pra mim

Se me flagelo é só em pensamentos

Se me desgraço só na mente me arranho.


Vou lhe dizer porque isso ocorre

Quem me socorria já está no seu fim

Inspiração, quem foi que disse que não morre

Já está sucumbida e enterrada no jardim.


André Anlub

25 de dezembro de 2021

Despedida VIII




Despedida VIII

Sábado de sol,
De sola de sapato sendo gasta
Pelos amigos que passam e se vão
Ao longo da rua.

Sábado de poesia, de escrita;
Acordei escrevendo, depois li um pouco...
Agora escrevo novamente.

Voltando algumas horas no tempo:

Essa noite fez um frio de inverno,
Acordei na madrugada em posição fetal
E com uma estalactite no nariz.
“Eta ferro”, me meti no frio da Serra;
Frio que me serra os ossos,
E quase, mas quase, gela meu sangue...
Foi por um triz.

Voltando ao tempo atual:

Almoço pronto,
Deixo meu “boa tarde”
Ao moço que passa
(mais solas sendo gastas).
Barulho de maquita cortando algo,
Complementa o som que ouço aqui...
Qual música?
Hoje deixarei à imaginação de quem lê.

Indo adiante no tempo:

Em casa com os cães,
Meu peixe pronto,
O mesmo som de agora,
Sol queimando a cachola,
Ao tédio meu afronto.

Preciso só imaginar e já sinto o cheiro de café,
Aquele fresco – novo – aquele meu;
Misturando-se ao perfume L’occitan que estou usando.
Vejo o céu limpo, ouço os cães distantes
E os cães aqui também latem.
Preciso só imaginar e já sinto o beijo...

Ah,
O som é Joni Mitchell,
Do disco Blue.

Despedida XII
(corpo e café – torrados e moídos)

Hoje me sinto dentro da melodia
“Rio quarenta graus”;
Mas quarenta... só se for na sombra.

A aura parece que quer deixar a carcaça
E se perder na atmosfera.
O sossego berra, a quietude é onipresente...
Mas “péra”...
Ouço o tilintar dos dentes,
Como se fossem lâminas de aço.
Saboreio a pera,
E o sumo resseca meus lábios.

Meu lema para sair da lama
É sorvete de lima-limão
E um chá verde gelado.
Estão bebendo cafés quando esfriam,
Vi gente saindo pela rua, pelado.

Agora a aura quer ficar no corpo,
Um bom banho gelado.
Ao alto as audaciosas asas de Ícaro,
Há tempos derretidas...
Agora aparecem em nuvens, desenhadas.

Vejo o futuro, não vejo sempre muito boa coisa;
Há decepção, sempre há;
Há ressurreição, tem que haver.
Há de aparecer alguma ligeira solução,
Nas poesias sinceras despontadas.

Sai da melodia, penetrei no sigilo
Já são bem mais de meio dia;
Entrei entre as almofadas
E sorri para a nostalgia.

André Anlub








 

No colo quente de Ísis

 



No colo quente de Ísis


A aurora dourada que brilha,

Enorme força que guia

Canalizando energia

Da bondade íntegra e constante.

Sem quaisquer variantes

E opiniões infligir:

Vestindo o pingente de um santo,

Com fé encorpando o gigante,

Com a pontaria de David.


Falha quem pensa que o bem

É frágil – pequeno – inseguro;

Que teme o invisível e obscuro.

Falácias de um João ninguém.


O mal é poder anacrônico,

Foi comício de um ser risível;

É improvável em almas capazes,

Insustentável e inadmissível.


Aspiramos ao poder intocável,

Colosso, incorruptível - no osso, na mente, na pele,

É aço que a ferrugem não atinge.


Vive ainda mais além que a verdade,

Liberdade que constrói o arco-íris.

É a hora de olhar no olho de Horus

E deitar no colo quente de Ísis.


André Anlub



22 de dezembro de 2021

Copo de plástico








Copo de plástico


E vai o ar mais quente do verão,

Pelos espaços em brancos, pelas alamedas vazias,

Nas narinas dos santos e dos pecadores.


Vai um filete de água descendo o canto da calçada,

Leva um copo de plástico; talvez leve um vulto sagrado.

No velho casebre o homem esculpe uma cálida imagem,

Que logo, em breve – quem sabe, esboçará uma crença.


No campo azul lá em cima, há gritos de prosperidade...

No palco azul piscina, no alto, no voo e no espaço.


Ninguém mais chega ao ponto, na resposta da longa pergunta...

Numa desconexa permuta de línguas encafifadas rescendentes.


No lago verde, verdinho, com vitórias-régias, peixes gordos e belos...

Alarga a reflexão, vem junto em coroação, um pedinte pé de chinelo.


E vai o ar mais frio de inverno,

Alavancando sua marcha pelo horizonte mais gélido;

Dentro de um copo de plástico, dentro da velha cachaça,

Do pedinte pé de chinelo.


André Anlub



18 de dezembro de 2021

À francesa

 



À francesa


Assim se diz paixão: ardente e única

Na pluma que cai no silêncio, e aos ouvidos insiste...

Na fleuma fina que com nada se parte

Aparte à parte da razão que inexiste.


Assim se diz mistério: ela e amanhã

Na ação e ressurreição dos sentimentos subtraídos

Atraídos ao sim – ao não, ao tanto – ao pouco

Louco varrido, desgarrado e desvalido – sã.


Assim nada feito: saída singela à francesa

Comida à mesa, sem fome – olhos atentos à cegueira

Sem eira nem beira, novamente entregue ao caminho...

Sem afã, à procura, abraços ao vento – lento redemoinho.


André Anlub 

Biografia quase completa






Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)

Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas

Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)

• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)

Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha

Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas

Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)

Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte

André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.

Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.