Água Que Guia uma Águia


Papo reto: viver não é o bastante, queremos por perto os afetos: (sexo, chocolate, diamante)...
Mesmo que por um instante, só para querermos de novo.

Água Que Guia uma Águia
(André Anlub - 27/9/10)

Vejo rebento rapina,
Que em ondas e ventos chegou;
Fez do mais velho, menino,
E a discórdia enterrou.

Nasceu do amor impregnado,
Uma busca que nunca teve fim;
Chuva e semente, cultivado,
Verde, forte, capim.

Cresce e se alastra com brilho,
Bate suas asas de Pégaso;
Voa por entre palácios,
Desperta nas nuvens seu filho.

Aurora de paz, sentinela,
Seus olhos fitam o amor;
Orquestra um grito de guerra
Na companhia de um condor.

Vejo de baixo incrível beleza,
Derramo sem piedade meu pranto...
Sem jeito, mas com sutileza,
Viro, caminho e canto.
Já se foi o pássaro por entre os coqueiros e a maresia...
Deixando um dedo apontado ao infinito com um sorriso no rosto da menina.


O sol está sempre penteado, perfumado, bem vestido... 
Também cortês, fotogênico e amigo;
Ao se pôr, diz: 
“Jusqu'à demain, bonne nuit!”


O sol por detrás dos negrumes ilumina as colinas mais altas... 
Justamente onde o amor não faz falta.


Não quero paixão egoísta, profunda feita poça de chuva fina, nem paixão quente feito água que o bacalhau se banha...
A paixão que quero deixou pista:
Muito beija, muito afaga, não apanha e não amarga... É brincadeira de criança... 
Pera, uva, maça e salada mista.


Quem ama às vezes sofre,
Pois arromba-se o cofre dos anseios
E alimentando-se nos seios que repousa,
Justifica o fim nos prazeres dos meios.
Vou degustar outros ares,
Novos mantras e músicas,
Devorar os segredos,
E digerir o dom.

Vou esculpir o vão
E redesenhar velhos mares,
Fazer da vida um folguedo
Num real sonho bom.

Vejo o ser montanha russa,
Dando tapa na fuça da depressão.
Vejo a beleza em rubores de fúcsia,
Sendo cor ou sendo flor,
Sempre adoração.

Lembrei-me da mocidade
Num instante congelado,
Ao som de um verde pássaro
Nesse nosso antigo lago.

Uma pequena e livre garça,
Charmosa, cheia de graça,
Dançou desengonçada
Sobre a água - sob o sol.

Fitou-me com ousadia
E de leve fez barganha,
Num breve arrebol que banha
Meu amor no espelho do céu.

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