Sobre Sexualidade e Corrupção

Por Bianca Velloso e Valdir Portásio

Dia desses um colega compartilhou no facebook a seguinte frase:

"Passeata do Orgulho Gay: 1 milhão de pessoas
Passeata contra a corrupção: 2.500 pessoas
Tem mais gente lutando pelo direito de dar o rabo que pelo direito de não ser enrabado"

Apesar da internet ser um meio de comunicação democrático, certas opiniões causam indignação e revolta. Como é possível alguém compartilhar tamanha demonstração de falta de respeito e ignorância?.

A linguagem da frase é infame é horrível, completamente desrespeitosa e repleta de preconceito. Preconceito e desrespeito com os “amigos” do Facebook que foram obrigados a receber e ler tamanha grosseria.

Certamente o autor não parou para pensar no absurdo que escrevia. Ou possivelmente pensou. E concorda e acha que sexualidade é indicativo de caráter e honestidade. Numa pesquisa rápida na internet é possível saber um pouco da história da parada do orgulho gay: o movimento começou nos Estados Unidos, em 1969, como protesto à violência com que a polícia tratava frequentadores de bares e boates gays. Lá a primeira "Parada Gay" reuniu cerca de 2.000 pessoas. Aqui no Brasil a primeira Parada Gay aconteceu em 1997, também com cerca de 2.000 participantes protestando contra a violência sofrida pelos homossexuais. É um movimento organizado e legítimo, porque clama pela vida, pelo respeito, pela igualdade e pelo direito de amar.

Caro “amigo” do Facebook, assim começou uma resposta à manifestações de exclusão e intolerância mais violentas do mundo. Foi pastoreando uma sociedade fincada no senso comum sem poder de crítica que aquele austríaco de nome Adolf, realizou o maior genocídio que a história da humanidade conheceu. É preciso dizer do que estamos falando?

Já a passeata contra a corrupção, ao contrário, travestida de "boa moça", usando palavras como "ética" e "honestidade", não passa de um movimento político cujo objetivo é enfraquecer o poder da atual presidente do Brasil, que foi eleita legitimamente e trabalha com políticas menos excludentes. Liderado por grandes organizações reacionárias e moralistas (como a maçonaria e a Opus Dei) cujos membros não são exatamente exemplos de ética e honestidade, está longe de ser um movimento espontâneo. As manifestações anti-corrupção não saem da vontade indignada da sociedade mas de movimento bem orquestrado de uma direita raivosa e ansiosa para tirar do poder alguém que vem mudando a relação entre trabalho e capital.

Essa direita não aceita a mobilidade social, muito bem explicada e propugnada pelo capitalismo. Vive ainda com olhar feudal, quer mesmo uma sociedade de castas, imóvel. Esse movimento tenta desqualificar um governo voltado para as classes pobres. Claro, um governo cheio de problemas. Um governo ainda envolto pela medusa criada e alimentada desde tempos de antanho. Desde tempos em que a ditadura baixava as regras e governava para poucos, prendia e arrebentava.

Antes de sair gritando contra a corrupção é preciso mudar atitudes e gestos cotidianos: respeitar filas e leis de trânsito, jogar lixo na lixeira, aceitar as diferenças existentes entre os nossos iguais e não se omitir quando presenciar algum espertinho querendo levar vantagem em cima dos outros. Enfim, é isso: RESPEITO, nada mais! RESPEITO pelo bem público, pela natureza, pela vida, pelos seres humanos e pelo AMOR em toda sua diversidade. Não adianta dizer que respeita a diversidade e sair compartilhando piadinhas preconceituosas. Corrupção e preconceito são assuntos complicados que devem ser tratados com seriedade, não como estratégias na disputa pelo poder!


Para concluir, fica uma citação do psicanalista Contardo Caligaris sobre o incômodo que a homossexualidade provoca: “Vários psicanalistas e psicólogos já formularam sobre isso. Existe quase uma regra que quase nunca se desmente na prática. Quando as minhas reações são excessivas, deslocadas e difíceis de serem justificadas é porque emanam de um conflito interno. Por que afinal me incomodaria meu vizinho ser homossexual e beijar outro homem na boca? De forma simples, o que acontece é: “Estou com dificuldades de conter a minha própria homossexualidade, então acho mais fácil tentar reprimir a homossexualidade dos outros, ou seja, condená-la, persegui-la e reprimi-la, se possível até fisicamente porque isso me ajuda a conter a minha” 

Bianca Velloso e Valdir Portásio

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