Dueto da tarde (CI)



Dueto da tarde (CI)

A fidelidade não era seu forte, por outro lado na conversa construía seu forte.
O apache que tentasse invadi-lo, sentiria a força da paliçada. Palhaçada? Talvez, mas era sua e não abriria mão dela.
Sua boca dançava aos ouvidos adocicando um por um. Falava o que queriam ouvir, pois até mentiras sempre foram bem-vindas.
Tudo para mantê-los lá longe, enquanto de perto não quisesse olhar suas coisas.
Sinal de fumaça foi visto, seguido de agito e grito de guerra. Ao longe a mata se agita e da gruta sai um grande exército.
A fidelidade, que não era seu forte, media-lhe as fraqueza, cobrando seus despojos, seus tributos, suas taxas e impostos.
O que resta de senso crítico grita, tatuado no coração: para quem não é fiel a praxe é não cobrar fidelidade... nem dos amigos/inimigos.
É um grito no vácuo. Vacas são todas elas. E o querem na canga, puxando a carreta do dia-a-dia.
Seu forte mesmo era a fatalidade e nada sabia de mudanças nas cabeças alheias. Nem do que viam os olhos das cabeças alheias.
O mundo havia mudado, evoluído. Os sinais de fumaça eram fábricas, os gritos eram as festanças com danças e hinos.
O mundo mudou para quem mudou com o mundo. Quem cultivava pedras seguia colhendo muros. Duros conceitos, parapeitos para os peitos não caírem em si.
No seu forte nunca iria ver o farto. Mas era a única fortaleza que conhecia. Então jamais conheceria a força.

Rogério Camargo e André Anlub
(22/3/15)

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