tarde de 4 de agosto de 2015



De longe o homem é apenas um ponto; de perto tão-somente continua sendo.
(tarde de 4 de agosto de 2015)

                  Sempre se sabe a real perspectiva do nada óbvio; finge-se às vezes não saber para continuar a ter graça tal coisa. Aquela mesma televisão grita novamente, mesmo a mesma estando desligada. A ilusão é clara e cala a coisa chula, imputa culpa nos culpados, desfaz o culto dos escutados, encurta aquilo e o faz voltar a ser isso; e é tudo isso, apenas tudo,  para ver se cola. O que resta a todos é a sobra do futuro, é a esperança de Harley-Davidson na autoestrada; é a escultura da jornada pelas mãos de alguém como Niemeyer, talvez rodar nas mãos de Rodin... sabe-se lá! O dia nasceu velho, de barba por fazer e cabelos brancos que logo logo pintou de amarelo. À noite na espera, o maracujá gelado e o frio que aos poucos e cabreiro vai entrando pela janela, mas não esfria o ar viciado. É um mais um, na conjugação maluca que não aceita dar em dois. O mundo é isso ai, está claro, mas tenta-se transformar até as somas mais prosaicas e básicas em uma fórmula de Bhaskara. Apesar de muita gente tê-la de cor. Sempre se sabe o imaginário que virá à tona. É só parar por uns minutos e analisar os fatos. Mesmo no raso, mesmo no simples, mesmo o banal se repete em eco e navega dando a volta no tempo e se repetindo no amanhã. É fácil ser advinha, pois já se sabe as cores que irão colorir as próximas páginas. Pode haver mudança nos tons; pode haver um contorno mais grosso, ou fino, mas o desenho é um só. De longe, ao longe, a impressão de entrar na própria imagem; como um espelho de frente a outro, como olhar-se no espelho sabendo exatamente como é. Inicialmente veem-se os ossos em um contorno mágico – florescência –, e eles devolverão o olhar e serão prestímanos insanos; cada osso, dos grandes, médios aos pequenos, irá esbugalhar seus olhos até ressecá-los sedentos... Ira se dar então o além... verá seu interior, seu cerne; irá ver as cores que circulam e passeiam, se comunicam, se fundem em dégradés alucinatórios e estonteantes, como uma viagem segurando a mão de Alice. Sempre se sabe a real perspectiva; mas quase nunca temos a plena consciência disso.

André Anlub

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