Post vitam

A humanidade precisa sair da sua eterna adolescência.
Posted by Viviane Mosé on Sexta, 18 de setembro de 2015


Agora o sol despontou no oceano,
Só porque você quis assim.
Os raios vão cozinhando em fogo brando,
Desentupindo os enganos,
Só porque você está a fim.

Post vitam

É intrusão essa voz na minha cabeça
repetindo por horas e horas em diferente idiomas
são crianças, mulheres, homens e idosos
vozes roucas, vozes loucas
sussurros e gritos.
Às vezes emudecem
mas em curto tempo voltam.

Vozes eufóricas que dizem coisas desconexas
falavam de amor
de entrega
falavam de salvação
companheirismo
tudo que pra mim já estava enterrado.

Criticavam-me
bajulavam-me
jogavam rosas e depois pedras.

Por fim, desisti
aceitei as vozes e seus conselhos
deixei cair minhas máscaras
saí do meu ostracismo egoísta
fui me arriscar com mais afinco
viver mais intensamente
e fincar minha bandeira branca
em terreno inimigo.

Post vitam...

Caminhando na praia
com meu bloco de notas
rabiscando pensamentos
seguindo sentimentos
encontrei uma antiga paixão.
Aquela que marca
como marcador de gado
deixando uma cicatriz
impossível de esquecer.

Ela disse estar com saudade
e ter toda a liberdade
para um novo começo.
Meu coração já enferrujado
fez-se novo, jovial
fez-se outro
heavy metal.

A recomendação do meu ego
era não se alongar na conversa.
Mas não haviam mais máscaras
nem amarras, nem pregos
tampouco cruz ou pressa.

Procurei dois coqueiros
amarrei minha rede
saciei minha sede
e me permiti ser feliz
mais uma vez.

André Anlub

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