12 de janeiro de 2015
Dueto da tarde (XXXIV)
Dueto da tarde (XXXIV)
A graça iluminou-se com uma lembrança pueril. Era um dia comum de setembro e, se bem me lembro, também me iluminei por aqui.
Nada diferente havia no ar e, no entanto, enquanto mesmo indigente me fiz abrolhar, na poesia que pari.
Havia uma cor na cor que deixava o desbotado da mesmice pensando em vermelhos de calor;
Era algo nada vago, assim como a brisa que há na brisa quando a brisa se acalma e na alma se apressa, para acariciar a brasa que de birra teima em queimar.
Tudo isso a graça sem assédio passava na lembrança e, com ou sem intermédio se deixava levar, sempre com finura e harmonia na memória vinha.
O que era simples e era completo, o que era singelo e era absoluto, o que não tinha importância e definia uma vida de “poète maudit”, de poeta matuto, que pega a caneta e lança no oportuno.
Oportunamente era a graça. Oportunidade sempre há – de graça. E a cor do lápis vive a prática: a arte se inspira em nada e em todos: cores, dores, amores, graças e desgraças... tudo soprando numa lembrança/presença.
Rogério Camargo e André Anlub
(12/1/15)
Despedida XII
Despedida XII
(corpo e café – torrados e moídos)
Hoje me sinto dentro da melodia
“Rio quarenta graus”;
Mas quarenta... só se for na sombra.
A aura parece que quer deixar a carcaça
E se perder na atmosfera.
O sossego berra, a quietude é onipresente...
Mas “péra”...
Ouço o tilintar dos dentes,
Como se fossem lâminas de aço.
Saboreio a pera,
E o sumo resseca meus lábios.
Meu lema para sair da lama
É sorvete de lima-limão
E um chá verde gelado.
Estão bebendo cafés quando esfriam,
Vi gente saindo pela rua, pelado.
Agora a aura quer ficar no corpo,
Um bom banho gelado.
Ao alto as audaciosas asas de Ícaro,
Há tempos derretidas...
Agora aparecem em nuvens, desenhadas.
Vejo o futuro, não vejo sempre muito boa coisa;
Há decepção, sempre há;
Há ressurreição, tem que haver.
Há de aparecer alguma ligeira solução,
Nas poesias sinceras despontadas.
Sai da melodia, penetrei no sigilo
Já são bem mais de meio dia;
Entrei entre as almofadas
E sorri para a nostalgia.
André Anlub
(11/1/15)
11 de janeiro de 2015
Despedida XI
Despedida XI
Cobiçando a luz do sol
Que passou pela porta
E me deu um sorriso.
Fui correr atrás,
Fui ao encontro do calor.
Desci pela rua feito a bola
Da pelada de domingo.
E a chuva?
Também amo, clamo e quero;
Gosto da água batendo no corpo e no rosto,
Gosto do gosto, do cheiro e do aspecto.
Vai deixar lembrança;
Vai deixar vontade de voltar;
Curto o zelo,
Assim, quem sabe eu volto,
Em outro tempo (há esperança)
No lamento em saudade,
No aumento das panças
E cair dos cabelos.
Pego novamente minha espada,
Sempre fui eclético;
Sempre tive sorte.
Esqueço minha lança,
Deixo-a na estrada,
Mas só por empréstimo,
Deixo com São Jorge.
André Anlub
Despedida X
Publicação by Globo News.
Despedida X
A vida é assim:
De repente a batucada do Olodum;
De repete um “pam” e tchau.
Foi nesse pensamento antigo
Que começou a abraçar excessos.
Nessa sensação de trem expresso
Que já vai chegar, já está chegando.
Usava como sombras a boemia,
Nostalgia e a arruaça.
Ontem ele era um pouco doido,
Hoje continua sendo,
Apenas segue fazendo
Um pouco menos de alvoroço.
Foi cachorro louco,
Daqueles que despontam nas esquinas,
Com alma de menino
E pensamento torto.
Hoje ele é mais ponderado,
Muito mais “na dele”;
Hoje segue na trilha
De trem Maria Fumaça,
Sentindo na alma e na pele
O que deixou no passado.
A vida é assim:
De repente acaba o repente,
Acaba o velho e o novo,
Acaba a sobra e acaba o ouro...
É nesse estouro que se vai um corpo:
(casca de ovo no galinheiro de um Deus)
André Anlub
(11/1/15)
Alguns minicontos:
- Eu tinha uma coisa pra te dizer.
- Eu também tinha.
- O que é?
- O que “era”. Pois eu disse que “tinha”. E você?
- Bem, eu também disse que tinha...
Bazingo queria entrar para a política. É a maior mamata, dizia. Não faz nada, ganha bem e ainda tem uns por-fora que dão uma grana violenta, cara! E como é que você pretende chegar lá, perguntavam os amigos. Bazingo ainda não sabia. Mas o prêmio final era tão bom que, aparentemente, ele estava disposto a qualquer coisa para conquistá-lo. Por via das dúvidas, sua mulher passou todos os bens do casal para o nome dela e dos filhos.
A mãe dela era gorda, o pai também, seus avós eram gordos e, até onde ela sabia, seus bisavós de magros não tinham nada. Zubika, no entanto, era um fiapo de gente, uma sílfide. “O senhor tem certeza?”, disse ela ao endocrinologista depois que ele garantiu que ela era normal.
Colocar as coisas em seus devidos lugares. Era tudo que Reginuvo queria. Tudo que Reginuvo não queria era continuar com as coisas fora de seus lugares. Mas teria que chegar a cada uma delas. E teria que agir sobre cada uma delas. Reginuvo tinha muito trabalho a fazer.
Zepecka odeia perder tempo, oportunidades, tudo que dê a impressão de que poderia ter feito e não fez. Então Zepecka não se deixa em paz.
O Sim marcou encontro com o Não já sabendo o que ouviria. Mas como vivia de esperanças, chegou como se tudo fosse mesmo possível.
O apartamento tinha um banheiro só. Moravam seis pessoas ali. O sonho de todas elas era ter um banheiro exclusivo e poder passar lá dentro o tempo que quisessem, até morar lá dentro se também quisessem. Nenhuma delas conseguiu realizá-lo, todas tiveram que se conformar com horários, pressa e pressão.
O cliente chegou pedindo o impossível.
- Mas está aqui no anúncio!
- Isto é apenas um anúncio, senhor.
- Como assim, apenas? Quer dizer que não é para acreditar nele?
- Não ao pé da letra. O senhor com certeza sabe o que é uma metáfora.
- Mais ou menos. Mas com certeza eu sei o que é uma enganação.
Cassandra tem duas bocas. Com uma boca ela morde, com outra boca morde também. Cassandra poderia explicar por que, mas detesta perder tempo falando.
(Rogério Camargo)
- Eu tinha uma coisa pra te dizer.
- Eu também tinha.
- O que é?
- O que “era”. Pois eu disse que “tinha”. E você?
- Bem, eu também disse que tinha...
Bazingo queria entrar para a política. É a maior mamata, dizia. Não faz nada, ganha bem e ainda tem uns por-fora que dão uma grana violenta, cara! E como é que você pretende chegar lá, perguntavam os amigos. Bazingo ainda não sabia. Mas o prêmio final era tão bom que, aparentemente, ele estava disposto a qualquer coisa para conquistá-lo. Por via das dúvidas, sua mulher passou todos os bens do casal para o nome dela e dos filhos.
A mãe dela era gorda, o pai também, seus avós eram gordos e, até onde ela sabia, seus bisavós de magros não tinham nada. Zubika, no entanto, era um fiapo de gente, uma sílfide. “O senhor tem certeza?”, disse ela ao endocrinologista depois que ele garantiu que ela era normal.
Colocar as coisas em seus devidos lugares. Era tudo que Reginuvo queria. Tudo que Reginuvo não queria era continuar com as coisas fora de seus lugares. Mas teria que chegar a cada uma delas. E teria que agir sobre cada uma delas. Reginuvo tinha muito trabalho a fazer.
Zepecka odeia perder tempo, oportunidades, tudo que dê a impressão de que poderia ter feito e não fez. Então Zepecka não se deixa em paz.
O Sim marcou encontro com o Não já sabendo o que ouviria. Mas como vivia de esperanças, chegou como se tudo fosse mesmo possível.
O apartamento tinha um banheiro só. Moravam seis pessoas ali. O sonho de todas elas era ter um banheiro exclusivo e poder passar lá dentro o tempo que quisessem, até morar lá dentro se também quisessem. Nenhuma delas conseguiu realizá-lo, todas tiveram que se conformar com horários, pressa e pressão.
O cliente chegou pedindo o impossível.
- Mas está aqui no anúncio!
- Isto é apenas um anúncio, senhor.
- Como assim, apenas? Quer dizer que não é para acreditar nele?
- Não ao pé da letra. O senhor com certeza sabe o que é uma metáfora.
- Mais ou menos. Mas com certeza eu sei o que é uma enganação.
Cassandra tem duas bocas. Com uma boca ela morde, com outra boca morde também. Cassandra poderia explicar por que, mas detesta perder tempo falando.
(Rogério Camargo)
Dueto da tarde (XXXIII)
Dueto da tarde (XXXIII)
Cavei no fundo da alma para tentar achar aquela paz esquecida.
Cavei com as unhas cansadas já de procurar na carne exausta a alegria que um dia encantou-se com a melancolia.
Encontrei sonhos antigos, sons que eu gostava, leituras empoeiradas, luas vazias e sóis apagados,
Recostei-me na montanha do desconsolo, olhando longamente o que desfilava lentamente
E ponderei: já foi feito o bastante, o possível... cumpri minha missão ou haverá novas batalhas?
As unhas quebradas me responderam que aquela muito era já uma nova batalha. Ergui então o torso curvado, não me senti ultrajado, arregacei as mangas, chupei umas mangas e encarei meu fardo.
Dele me veio a certeza de que não preciso ter certeza. Dele me veio a força de que só preciso ter força.
Então levantei do banquinho do pessimismo, sugeri que a forca da depressão fosse pular corda, pisquei um olho para o abismo e fui ao próximo capítulo – onde encontrei a mim mesmo, sempre a mim mesmo, nada mais que a mim mesmo.
Rogério Camargo e André Anlub®
(11/1/15)
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Biografia quase completa

Escritor, locador, vendedor de livros, protético dentário pela SPDERJ, consultor e marketing na Editora Becalete e entusiasta pelas Artes com uma tela no acervo permanente do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC/BA)
Autor de sete livros solo em papel, um em e-book e coautor em mais de 130 Antologias poéticas
Livros:
• Poeteideser de 2009 (edição do autor)
• O e-book Imaginação Poética 2010 (Beco dos Poetas)
• A trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos de 2014
• Puro Osso – duzentos escritos de paixão (março de 2015)
• Gaveta de Cima – versos seletos, patrocinado pela Editora Darda (Setembro de 2017)
• Absolvido pela Loucura; Absorvido pela Arte
(Janeiro de 2019)
• O livro de duetos: A Luz e o Diamante (Junho 2015)
• O livro em trio: ABC Tríade Poética (Novembro de 2015)
Amigos das Letras:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba (RJ) cadeira N° 95
• Membro vitalício da Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura da Embaixada da Poesia (RJ)
• Membro vitalício e cofundador da Academia Internacional da União Cultural (RJ) cadeira N° 63
• Membro correspondente da ALB seccionais Bahia, São Paulo (Araraquara), da Academia de Letras de Goiás (ALG) e do Núcleo de Letras e Artes de Lisboa (PT)
• Membro da Academia Internacional De Artes, Letras e Ciências – ALPAS 21 - Patrono: Condorcet Aranha
Trupe Poética:
• Academia Virtual de Escritores Clandestinos
• Elo Escritor da Elos Literários
• Movimento Nacional Elos Literários
• Poste Poesia
• Bar do Escritor
• Pé de Poesia
• Rio Capital da Poesia
• Beco dos Poetas
• Poemas à Flor da Pele
• Tribuna Escrita
• Jornal Delfos/CE
• Colaborador no Portal Cronópios 2015
• Projeto Meu Poemas do Beco dos Poetas
Antologias Virtuais Permanentes:
• Portal CEN (Cá Estamos Nós - Brasil/Portugal)
• Logos do Portal Fénix (Brasil/Portugal)
• Revista eisFluências (Brasil/Portugal)
• Jornal Correio da Palavra (ALPAS 21)
Concursos, Projetos e Afins:
• Menção Honrosa do 2° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Brava Gente Brasileira”.
• Menção Honrosa do 4° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Amor do Tamanho do Brasil”.
• Menção Honrosa do 5° Concurso Literário Pague Menos, de nível nacional. Ficou entre os 100 primeiros e está no livro “Quem acredita cresce”.
• Menção Honrosa no I Prêmio Literário Mar de Letras, com poetas de Moçambique, Portugal e Brasil, ficou entre os 46 primeiros e está no livro “Controversos” - E. Sapere
• classificado no Concurso Novos Poetas com poema selecionado para o livro Poetize 2014 (Concurso Nacional Novos Poetas)
• 3° Lugar no Concurso Literário “Confrades do Verso”.
• indicado e outorgado com o título de "Participação Especial" na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas/Salvador (BA).
• indicado e outorgado com o título de "Talento Poético 2015" com duas obras selecionadas para a Antologia As Melhores Poesias em Língua Portuguesa (SP).
• indicado e outorgado com o título de Talento Poético 2016 e 2017 pela Editora Becalete
• indicado e outorgado com o título de "Destaque Especial 2015” na Antologia O Melhor de Poesias Encantadas VIII
• Revisor, jurado e coautor dos tomos IX e X do projeto Poesias Encantadas
• Teve poemas selecionados e participou da Coletânea de Poesias "Confissões".
• Dois poemas selecionados e participou da Antologia Pablo Neruda e convidados (Lançada em ago./14 no Chile, na 23a Bienal (SP) e em out/14 no Museu do Oriente em Lisboa) - pela Literarte
André Anlub por Ele mesmo: Eu moro em mim, mas costumo fugir de casa; totalmente anárquico nas minhas lucidezes e pragmático nas loucuras, tento quebrar o gelo e gaseificar o fogo; não me vendo ao Sistema, não aceito ser trem e voo; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina; minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; otimista sem utopia, pessimista sem depressão. Me considero um entusiasta pela vida, um quase “poète maudit” e um quase “bon vivant”.
Influências – atual: Neruda, Manoel de Barros, Sylvia Plath, Dostoiévski, China Miéville, Emily Dickinson, Žižek, Ana Cruz Cesar, Drummond
Hobbies: artes plásticas, gastronomia, fotografia, cavalos, escrita, leitura, música e boxe.
Influências – raiz: Secos e Molhados, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Jorge Amado, Neil Gaiman, gibis, Luiz Melodia entre outros.
Tem paixão pelo Rock, MPB e Samba, Blues e Jazz, café e a escrita. Acredita e carrega algumas verdades corriqueiras como amor, caráter, filosofia, poesia, música e fé.
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Filha e esposa de Edir Macedo dando, aula de desapego:
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Vacina #Vacina Das Loucuras (boomboclaat) Aos prantos já sabia devidamente os desencontros que virão Na contramão do tempo que passava sem...
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Poemas de Manoel de Barros Via: Templo Cultural Delfos SEU MARGENS Seu Zezinho-margens-plácidas, célebre fazedor de discursos patr...


